Maçã Dourada

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Palácio das Almas...

As silhuetas brancas corriam pelo Submundo antes de chegar aos seus lordes, fosse Hades ou Beelzebub. Duas esferas representando as almas de Morfeu e Ícelo foram parar nas mãos da Deusa das Almas.

— Foi uma boa batalha. — Disse Reverend, soprando as esferas levemente para que seguissem seu curso. — Mas infelizmente só há dois lados, vencedores ou perdedores. — Voltou os olhos vermelhos para algo que parecia um placar, de um lado, tinha os filhos de Nix onde estava marcado com X sobre o desenho de Mania e Coalemus, agora os Deuses do Sonho e Pesadelo, do outro lado os Serafins com um desenho de Sol e Lua, porém, um desenho de Poseidon tinha entrado no placar do lado dos Serafins.

Uma grande perda e com isso vinham as lágrimas que desciam pelo rosto dos Oniros...

Cada um dos filhos de Nix sentia pela perda dos irmãos, não importa onde estivessem, sentiam a energia de cada um e nisso a de Morfeu e Ícelo desapareceram.

Nada, não sentiam mais nada...

A reunião no salão do Palácio da Vingança estava agitada, andando de um lado pro outro com um irmão surtando, outra chorando desesperada, Nêmesis assistia a toda aquela confusão, respirando fundo várias e várias vezes tentando se acalmar, porém, Éris, a Deusa da Discórdia, não tinha tanta calma assim. Apertando de leve a maçã dourada deu uma leve batida com a ponta do salto sobre o chão, causando um tremor seguido de um estrondo silenciando os irmãos.

— Invasão de sonhos? — Lissa, a Deusa da Ira estava incrédula. Dando leves puxadas nos cabelos tom de mel, sua túnica vermelha estava desfiada com e com alguns rasgos de tanto que ela puxava, parecia mais que estava tentando descontar no tecido. — Desde quando a Lua consegue fazer isso?

— Sempre pode. — Momo, a Deusa do Sarcasmo respondeu enquanto brincava com um enfeite de chapéu de bobo da corte, seu rosto pintado com tinta branca e os lábios vermelhos, parecendo um palhaço da realeza. — Morfeu foi ingênuo de tentar atacar os sonhos de Poseidon.

— Os dois se completam. — Ápate completou, um dos únicos que não possuía forma física, pois como se tratava de um espírito que poderia se moldar como bem entendesse, esse se mantinha em uma névoa amarelada no qual só era possível ver duas orbes brancas e brilhantes. Carregando o título de Personificação do Engano, Dolo e Fraude. — Poseidon tem a proteção mental de Lua e ela tem a proteção física do Tirano dos Oceanos.

— Essa guerra não está perdida ainda. — Éris falou calmamente, descendo os dois degraus do trono de Nêmesis até o meio do salão, caminhando firmemente sobre o salto dourado, o vestido preto arrastava sobre o chão e os cabelos pretos estavam presos em uma trança lateral. — Esses Serafins são uma afronta ao que representamos. Poder... Somos netos do Caos, estamos destinados a vitória e a grandeza, e só vamos conseguir isso quando os tirarmos do caminho.

— Como?

— Atacando o mais fraco, assim como sempre fizemos. — A Deusa da Discórdia respondeu. — Sol é o mais difícil, mas Lua é impulsiva e ela só tem metade do poder. Se acharmos os outros dois cervos...

— E vamos fazer o quê? Brincar de pet? — Oizus se lamentou, com a voz em agonia como se estivesse sempre com dor, usava de uma túnica preta sobre o corpo magrelo e desnutrido, os cabelos brancos e ralos estavam presos em um coque, mostrando o rosto esquelético em uma aparência idosa feminina. — O poder só obedece ao Serafim...

— Não se o destruirmos, se o fizemos teremos uma vantagem. — Éris pensava. — Os Serafins se acham espertos, mas nós também somos. Lua pediu a ajuda da Deusa das Almas antes de morrer, e podemos usar isso a nosso favor. — Ela sorria. — É como um jogo, até que sobre o último de pé e pra vencermos, precisamos tirar Sol e Poseidon do caminho. — Voltou seu olhar a Nêmesis. — Acho que agir na surdina não é a solução agora, preciso que confie em mim.

Entre o Mar e a NoiteOnde histórias criam vida. Descubra agora