Nêmesis caminhava tranquilamente, seu vestido vermelho com detalhes dourados arrastava no chão, davam a contraste a elegância as asas negras suavemente deslizavam pelo piso, parou em frente a uma escadaria, subindo devagar os degraus sem pressa, o salto dourado não incomodava, sequer lhe cansavam o longo caminho, já que estava acostumada.
No topo, ao que parecia ser um relógio com desenhos dentro de pequenos círculos, dois brilhantes no qual brilhavam símbolos em fogo cintilante, nesses especificamente continham um desenho de filtro dos sonhos, outro de mãos esqueléticas segurando um filtro dos sonhos, o nome em letras gregas em cima do círculo dizia "Morfeu" e "Ícelo".
Contudo, o fio que conduzia até o meio do círculo no qual continha uma pedra negra, com vários pontos brancos e nuances coloridas, como galáxias e planeta, em cima a palavra "Caos".
A atenção de Nêmesis se voltou a outra parte do salão, onde tinha uma Divindade estava algemada com as mãos suspensas, as túnicas azul escuro com pontos brilhantes lembravam o céu estrelado, assim como o véu que caíam sobre os cabelos negros, estava inconsciente e em seu peito, uma cicatriz.
No mesmo lugar em que Lua tinha lhe acertado em delírio.
Nix...
— Sei que tentou impedir a volta do nosso avô, mamãe. — Nêmesis encarava Nix. — Mas é inevitável. Eu serei o receptáculo de Caos e moldarei o universo de modo em que meus irmãos e eu poderemos governar. Como sempre deveria ter sido. Nem Zeus ou qualquer outro Panteão poderá impedir. — Ela sorriu. — A extinção desse universo.
A Deusa da Vingança parou em frente a uma ametista gigante, os lindos tons de rosa, azul, roxo com nuances amarelas eram charmosas, em tons pastéis. No entanto, o que chamava a atenção era o símbolo em branco no meio.
O símbolo de Metatron.
O príncipe dos Serafins, Celestial do Tempo Espaço.
O mais próximo de Deus, alguns mitos especulam se ele não é o próprio criador.
— E, a extinção dos Serafins e de tudo o que eles representam... Metatron. — Nêmesis falou ríspida e com desprezo.
Uma bola de cristal surgiu na palma da mão de Nêmesis, a imagem da luta de Hércules e Momo, porém, ao tentar ver a imagem da travessia de Lua pelo Submundo, houve interferência. Não seria tão fácil assim e era até mais divertido e talvez essa interferência afetou as demais imagens, especialmente quando viu Hera entrar no Palácio de Selenita.
Beelzebub tinha esse poder?
Não, nada disso. Era outra coisa, outro tipo de poder.
No entanto, o lugar que Elise escolheu para governar como Divindade era peculiar, em um ponto específico na Terra no qual havia uma dimensão onde humanos não poderia ver seu palácio, quem tentasse ver, se depararia apenas com uma pequena casa no meio de um ferro velho de carros. Seus servos se vestiam de forma engraçada, como mecânico de veículos dependendo do nível, uns ficavam nas forjas que a mesma projetou lhe ajudando na criação de armaduras, armas e peças robóticas, esses se vestiam com equipamentos de proteção como máscaras, luvas quando mexiam com solda. Ela amava engenharia robótica e tudo o que tinha haver com espaço.
Loucura? Talvez. Mas, Elise era assim e acreditava que os maiores desafios eram os do mundo humano.
No momento, um jardim feito para si que foi lhe dado como presente por Perséfone, embora os animais ali fossem robóticos, a ruiva gostava de dar espaço para que eles corressem e voassem. O guaxinim robótico, seu companheiro fiel lhe seguia por todo o canto, Elise tirou o sobretudo de couro marrom, a camisa aberta nas costas revelou as cicatrizes nas costas brancas e sardentas como se fossem marcas de asas, e de fato isso era verdade, pois três pares de asas estilo Steampunk com circuitos de bronze e penas laranja se abriram, a auréola surgiu no topo da cabeleira ruiva cacheada, brilhante e girando tinham um tom laranja. Ela assobiou, o som ecoou pelos céus chamando a atenção de algo que voava em sua direção, aumentando de tamanho cada vez que se aproximava, aterrissando a frente da Elise.
Um gigante dragão de bronze.
— Oi, Jaguadarte. — Elise sorriu, apoiando a sua testa na cabeça gigante do dragão quando ele a abaixou, para ficar próximo à dona. O braço robótico brilhava em um tom laranja, como seus olhos e os do animal gigante, transmitindo da sua energia para ele. — Eu não sei quanto tempo ficarei fora, lhe abasteci com energia para um bom tempo. Se eu demorar pra voltar, meu pai se encarregará disso. Mais dois dragões também robóticos e de bronze pousaram perto da ruiva, um em cor branca e outro em cor vermelha. — Rainha Branca, Rainha vermelha. Não me esqueceria de vocês. — Ela riu, transmitindo sua energia para as duas criaturas.
O rosnado do guaxinim robótico rosnou em direção a entrada do lugar lhe chamou a atenção, se colocando em guarda pronto para atacar, não se mostrava intimidado com a presença de Hera. Mas, Elise apenas acariciou a cabeça do guaxinim.
— Zeus não perderia tempo e magia com essas criaturas robóticas. — Hera falou.
— Está cansada de saber que meu pai é Hefesto. — A ruiva acariciava a cabeça de bronze do dragão que levantou vôo. — E eu estou cansada de ter essa discussão com você.
— O sangue que corre nas suas veias é de Zeus, portanto é filha de Zeus. — A Rainha do Olimpo esbravejou. — E sua obrigação, é lutar ao nosso lado juntamente aos seus irmãos.
— O meu irmão está lutando ao lado dos Serafins. — Elise encarou Hera. — Para alguém que os Deuses não consideram, ele é mais sensato.
— Garota, não ouse me provocar.
— Como você disse, é minha obrigação lutar ao lado dos meus irmãos. — A ruiva falou decidida, recolhendo as asas enquanto colocando novamente o sobretudo de couro marrom, cobrindo as cicatrizes de asas nas costas, seguindo seu caminho, acompanhada de seu guaxinim.
Hera respirou fundo, encarando os dragões voando pelos céus com uma expressão insatisfeita, sua fama de Rainha era de justa, porém impetuosa, afinal todos sabiam o motivo.
Todos que se voltaram contra os Deuses, seriam castigados severamente.
Se preciso, pagariam com a própria vida.
Mas isso se resumiria aos irmãos de Zeus? Ou seus aliados?
Zeus poderia mover céus e terra para que nenhum de seus irmãos fossem punidos, mas Hera não permitiria isso, porém, nenhum nem Poseidon, nem Hades permitiriam quem lhes fosse leal ou sob suas proteções.
E isso incluía seus filhos e Pandora também estaria nesse meio.
A jovem levantou rapidamente da cama, usando uma camisola longa azul clara, os cabelos brancos presos em um coque, encarou a janela de um palácio nos confins do Mundo Divino, o mar que era a paisagem janela afora, estava agitado, as fortes chuvas caíam em toda a parte do mundo e não parecia que iriam parar, os ventos agitavam fortemente as folhas das árvores, inclinando os troncos. O corpo de Pandora tremulava de ansiedade e medo, os olhos azuis escuros com pontos brancos que davam a impressão do céu noturno estrelado dilatavam pelo pavor, correspondendo as batidas incessantes de seu coração. Não sabia e ao mesmo tempo sabia que o que viria não poderia ser bom.
Nada vindo deles seria tão ruim que não poderia piorar.
Em breve... A Segunda Temporada...
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Entre o Mar e a Noite
Roman d'amourVocês ouviram falar da Divindade da Noite? Uns falam que ela se apaixonou por um humano e foi viver com ele na Terra... Outros falam que ele sua queda era devido a tentar enfrentar os Deuses e tomar o lugar de Zeus e os irmãos lutaram contra ela. Ni...
