Quatro: começando as filmagens

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Felipe

— Vai, Felipe. — implora Marcos.

— Pirou, Marquinho? Nem aqui nem na China.

— Por que?

— Olha pra mim. Eu lá tenho cara de rei de baile? — ele ia responder mas o corto. — Nem ouse responder.

— Só se for dos patetas. — comenta Henrique rindo.

— Há, há. Engraçado você, hein. Já pode ir pro circo, palhaço. — reviro os olhos.

— Marcos? — uma voz feminina chama atrás de nós. Nos viramos e é a Ana Beatriz. — Posso falar com você um minutinho?

— Er... tudo bem.

Ficamos olhando os dois se afastarem. Ela começa a explicar alguma coisa, e ele vai só confirmando com a cabeça. Tem uma hora em que ele diz alguma coisa e aponta na minha direção, fazendo ela olhar. Os dois se aproximam de novo e ficam de frente pra mim.

— Ana, esse é um grande amigo meu, Felipe. — ela me olha e estende a mão. Cumprimento-a e olho pra ele de novo. — Bom, a situação é a seguinte, Lipe, a Ana ta querendo fazer um filme e precisa de alguém pra filmá-la.

— E eu não sou a melhor com essas coisas. — acrescenta.

— Isso, resumindo tudo, eu indiquei você pra ajudá-la.

— Eu? Por que eu? — pergunto surpreso.

— Por que você é um gênio. Ora, vamos Lipe.

— Não precisa, se não quiser. — diz Ana. Encaro-a por alguns segundos.

— Quando começamos?

* * *

— Ainda não acredito que você me meteu nessa. — digo abrindo a porta do carro.

— Relaxa, cara. Pode ser uma nova experiência. Vai que vocês dois viram amigos? — caio na risada.

— Uma filinha de papai como ela? Acho que não.

— Ah, tanto faz. Vai precisar de carona na volta?

— Não. Vou caminhando mesmo.

— Falou, então.

Ele arranca com o carro e vai embora. Finalmente me viro pra olhar a casa. Uau. Acho que dão três da minha. Pego meu material e caminho em direção à porta. Toco a campainha e alguém grita lá de dentro.

Já vai. — quando a porta se abre, não consigo disfarçar a surpresa.

Ana está vestindo um short jeans curto de ficar em casa mesmo, uma blusa bege de mangas compridas da Minnie e usando um gorro. Mas o que mais me chamam a atenção são seus óculos. Ela está muito linda assim.

— Ah, oi. Entra. — dá espaço e eu entro. Sua sala é enorme. E muito bem organizada.

— Olá, meu jovem. — me cumprimenta seu pai, imagino.

— Esse é o Felipe, pai. Ele que vai fazer meu filme.

— Er... Prazer, senhor. — digo sem graça. Aperto sua mão.

— Bem, bom trabalho pra vocês, crianças. — diz saindo.

— Tchau, pai. — ela se dirige à mim e pergunta — Já almoçou, Felipe?

— Na verdade não, mas...

— Ótimo. O almoço está quase pronto. Ai meu Deus, desculpe... Deixe seu material aqui encostado. — coloco no chão e seguimos pra cozinha.

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