Diluc (Parte 2)

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- Trabalhar para você é mais fácil do que parece. - Comentei apoiando meu rosto sobre minhas mãos apoiadas na ponta do cabo da vassoura.

- Sou fácil de conviver. - Respondeu sentado em sua mesa, focado em seus papéis.

Nem aqui, nem em Inazuma.

Voltei a varrer o chão, suspirando algumas vezes pelo tédio. Meu contrato com ele logo chegará ao fim e eu voltarei a me aventurar como qualquer pessoa saudável faria. Me arriscando, passando fome, queimando no sol, vez ou outra me metendo em assuntos celestiais por respostas que nunca me são entregues.

- Mestre Diluc. - Chamei me virando para ele, o vestido de empregada rodou comigo no movimento rápido. Eu amo e odeio quando ele faz isso.

- Hum? - Ainda muito focado em seus papéis.

Coloquei mais papéis em sua mesa, quase pude ouvir o som de uma reclamação. Não é exatamente minha culpa se ele largou as cartas em cima de outra mesa. Diluc cruzou as pernas, se recostando na cadeira, dando um longo suspiro. Um suspiro cansado, de alguém sobrecarregado.

- Quero te perguntar algo. - Comentou virando seu rosto para mim.

- Pode perguntar, mestre. - Voltei minha atenção para a vassoura, a larguei em pé sem querer e agora ela está caindo.

- Por que você me chama pelo meu título? - Questionou cruzando os braços. - Não me importaria se me chamasse apenas de Diluc.

- Porque... é rude? - A expressão de tristeza me gelou o coração, eu não esperava que algo tão pequeno fosse incomodá-lo tanto.

- O Kaeya você não chama de capitão. - Comentou voltando sua atenção para a mesa. - Ou a Jean de grande mestre.

- Bem, o Kaeya é apenas o Kaeya. - Comentei me aproximando, apoiando a vassoura na mesa. - Não vou chama-lo de capitão de cavalaria dos cavaleiros de Favonius. E a Jean, raramente falo com ela.

Ele está cada vez mais cabisbaixo. Quase se unindo a sua cadeira. Eu poderia rir se isso não fosse magoá-lo ainda mais. Me ajoelhei no chão e apoiei meus braços na mesa, onde deitei meu rosto, o encarando de perto.

- Poderei chama-lo pelo seu nome quando terminar de trabalhar para você, mestre.

- Está demitido então. - Comentou de imediato, retomando sua postura.

Ri e me levantei, pegando a vassoura novamente. Como se isso fosse o suficiente para quebrar nosso contrato. Podemos não estar em Liyue, mas não quero ter que lidar com um sermão do Zhongli por não seguir os contratos como sagrados.

- Mais um dia, mestre Diluc. - Comentei sorrindo, me virando de costas para ele, observando a vassoura. - Apenas mais um dia.

- Então acho que preciso de uma folga. - Avisou segurando meu pulso com delicadeza.

Diluc me puxou para si, derrubei minha vassoura. O tempo que levei tentando pegá-la foi suficiente para ele me colocar sentado em seu colo. Me virei para ele quando a vassoura caiu no chão, apoiando minha mão levemente sobre seu ombro.

Seus olhos vidrados em mim, com um sorriso. Um belo sorriso. É raro vê-lo sorrindo. Sei o que fez com que parasse de sorrir, mas gostaria que superasse isso e me mostrasse mais desse sorriso.

- Eu vou começar a ficar com vergonha se não parar de me encarar. - Avisei virando meu rosto, estou começando a ficar vermelho.

- Vista sua roupa normal. - Pediu. - Vamos sair um pouco.

Não consegui esconder o quão feliz fiquei em saber que finalmente poderei tirar a roupa de empregada. E se eu der sorte, terei o prazer de ter o dia planejado por ele. Não tenho ideia de como ele se diverte ou se ele ao menos sabe se divertir.

Aether... haaa (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora