Lyney

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Lyney fala rápido demais.

- Você sempre viaja sozinho? - Ele perguntou. - Já se arrependeu disso? Prefere doce ou salgado? Qual foi a coisa mais estranha que já comeu em Teyvat? Você acredita em destino ou só segue em frente por teimosia? A Paimon vai ao banheiro? Você é alérgico a algo?

- Espera, o quê? - Tentei acompanhar, segurando o copo de suco nas mãos.

Lyney não esperou resposta.

- E você fica assim naturalmente ou é só quando alguém olha direto nos seus olhos?

Ele sorriu. Não foi um sorriso comum. Foi daquele tipo treinado para puxar atenção, como se cada palavra fosse parte de um número ensaiado. Eu pisquei algumas vezes, tentando reorganizar os pensamentos que ele tinha espalhado sem nenhum cuidado.

- Você não responde. - Lyney comentou, inclinando a cabeça. - Interessante. Geralmente as pessoas tentam se defender.

- Eu só... - Comecei, mas ele já está perto demais.

Lyney deu mais um passo, invadindo meu espaço pessoal com naturalidade desconcertante. Senti meu rosto esquentar.

- Relaxa. - Ele falou, em tom conspiratório. - É só curiosidade profissional.

- Profissional? - Perguntei.

- Sou mágico - Lyney respondeu, como se isso explicasse tudo. - Eu preciso saber onde olhar... e quando distrair.

Antes que eu entendesse o que ele quis dizer, Lyney segurou meu rosto com delicadeza e me beijou.

Foi rápido. Leve. Totalmente inesperado.

Meus olhos se fecharam no mesmo instante, mais por reflexo do que por escolha. Senti o rosto queimar de vergonha, o coração disparar, a mente ainda tentando acompanhar a avalanche de perguntas, palavras e agora isso.

Quando ele se afastou, Lyney me observou com um sorriso satisfeito, como se o beijo tivesse sido só mais um truque bem executado.

Foi então que percebi um leve puxão no canudo do meu suco.

Olhei para o lado.

Lynette está aqui, silenciosa como sempre, segurando o canudo entre os lábios, bebendo calmamente do meu copo como se essa fosse a coisa mais normal do mundo. Ela me lançou um olhar breve, impassível, e continuou.

- Lynette... - Murmurei.

- Obrigada. - Ela falou, soltando o canudo. - Estava com sede.

Lyney riu, claramente orgulhoso.

- Viu só? - Ele comentou. - Truque clássico. Enquanto todos olham para a mão chamativa...

- ...ninguém percebe o resto. - Completei, ainda tentando recuperar o fôlego.

Lyney piscou para mim.

- Exatamente.

Balancei a cabeça, derrotado, sentindo um sorriso escapar apesar de tudo.

- Vocês dois são perigosos.

- Preferimos "encantadores" - Lyney respondeu, se aproximando outra vez, agora com menos urgência. - Mas posso repetir o número se quiser. Você ainda parece meio confuso.

- Eu estou. - Admiti. - Muito.

Lyney sorriu de novo, mais suave dessa vez.

- Ótimo. - Ele falou. - Significa que deu certo.

E, honestamente, eu já não tenho certeza se quero entender tudo tão cedo. Lyney continuou me observando como se eu fosse parte de um número em andamento.

Aether... haaa (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora