Kinich

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"No alto da montanha. Quando vir os Yumkasaurus por perto, irá vê-lo." Foi assim que descreveram onde encontrar Kinich. Revirei os olhos, cansado de andar em círculos, verificando cavernas e encostas. Kinich sempre é imprevisível. Ele vem quando chamado, mas desaparece no instante em que não é mais requisitado. Ugh... Por que estou sentindo um déjà-vu?

Um bocejo longo e preguiçoso que atravessou o silêncio, interrompendo minhas reclamações mentais. Meu corpo reagiu instantaneamente, virando rápido para identificar a origem do som. Procurei ao redor, mas não vi nada. Então, um movimento no alto da copa de uma árvore chamou minha atenção.

Um Yumkasauru adulto cochila tranquilamente, enquanto Kinich repousa relaxado sobre o imenso dorso do animal, um filhote aninhado nos braços. Para completar a cena, Ajaw está esparramado sobre os cabelos de Kinich, como se fossem o ninho mais confortável do mundo.

A visão é quase poética: os quatro dormindo sob a luz suave do meio da tarde, como se tivessem acabado de devorar um banquete e agora estivessem aproveitando a soneca pós-almoço. Suspirei, com um sorriso surgindo em meus lábios. Não quero acordá-los, a cena é agradável demais para ser interrompida.

- Ajaw... - Murmurei, formando um cone com as mãos para direcionar o som.

Ajaw se mexeu preguiçosamente, emitindo um resmungo baixo antes de se aconchegar ainda mais.

- Mestre, grande e poderoso Ajaw! - insisti, um pouco mais alto desta vez. - Seu fiel servo precisa do senhor!

Como esperado, o elogio exagerado fez efeito. Ajaw despertou em um salto, rindo com sua usual arrogância, e desceu até mim. Começou a recitar um discurso pomposo sobre sua superioridade inquestionável, enquanto eu cruzei os braços, esperando pacientemente.

No entanto, Ajaw decidiu que Kinich também deveria acordar. Antes que eu pudesse impedi-lo, ele puxou a faixa da cabeça de Kinich e a jogou para mim.

- Acorde, servo! - Ordenou, cheio de falsa autoridade.

Kinich sentou lentamente, sua mão indo até a cabeça, massageando a área antes coberta pela faixa. Sua expressão é uma mistura de cansaço e irritação, como se já estivesse lidando com a exaustão mesmo antes de acordar completamente.

Aproveitei que Kinich ainda estava acordando para colocar sua faixa em minha testa. Então Kinich cansou de verdade, ele apoiou a mão no rosto e puxou seu cabelo para trás, enquanto sua outra mão segurou Ajaw, extremamente bravo.

- Ajaw, você não sabe o significado de "me deixe em paz"? - Resmungou, segurando o pequeno com uma mão e, com a outra, esfregando o rosto.

Antes que pudesse responder, Kinich pegou uma corda, prendeu Ajaw em um galho próximo e ignorou as reclamações fervorosas do pequeno mestre autoproclamado. Ele então beijou suavemente a testa do filhote de Yumkasauru e o acomodou novamente no ninho improvisado.

- Pode voltar a dormir, pequeno.

Com um movimento ágil, Kinich pulou do topo da árvore, aterrissando suavemente ao meu lado.

- Bom dia, Kinich. - Falei casualmente, inclinando para frente, com um sorriso provocador no rosto.

Ele cruzou os braços, sua expressão sonolenta e séria permanecendo intacta. Mas algo em seu rosto o entregou; um leve rubor, talvez pela interrupção abrupta de seu descanso.

- Bom dia... - Respondeu, virando de lado. Talvez... me evitando?

Dei um passo para frente, tentando ficar de frente para ele, mas ele insistiu em virar mais uma vez. Tentei de novo, mas conseguimos dar uma volta completa. Até quando abracei sua cintura, o imobilizando, já irritado por ele me evitar.

Aether... haaa (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora