Kaeya (Parte 3)

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Se existe alguém em Teyvat capaz de transformar um simples entardecer em um campo minado emocional, esse alguém é Kaeya Alberich.

Eu soube disso no exato momento em que o encontrei encostado na varanda da sede dos Cavaleiros de Favonius, girando uma taça de vinho como se o mundo inteiro tivesse sido feito só para entretê-lo. O sol se punha atrás dele, dourando o sorriso torto que ele sempre usa quando sabe exatamente o que está fazendo.

- Você chegou cedo demais. - Kaeya falou, erguendo o olhar preguiçoso. - Ou tarde demais. Depende do tipo de problema que você veio arrumar.

Cruzei os braços e me aproximei, tentando parecer menos afetado do que realmente estou.

- Você sempre fala como se tudo fosse uma armadilha. - Respondi. - Às vezes eu só quero conversar.

Kaeya riu. Não foi alto, nem discreto. Foi aquele riso baixo, perigoso, que parece se aproximar do ouvido mesmo quando ele está a dois passos de distância.

- E desde quando conversar comigo não é uma armadilha?

Ele se virou de lado, abrindo espaço na varanda. Sentei ao seu lado, sentindo o ombro dele tocar o meu de propósito porque com Kaeya, nada nunca é acidente.

- Jean sabe que você está aqui bebendo em horário de serviço? - Perguntei.

- Jean sabe de tudo. - Kaeya respondeu, inclinando um pouco mais perto. - Ela só finge que não vê... assim como você finge que não percebe quando eu faço isso.

- Faz o quê? - Questionei, já sabendo a resposta.

Kaeya se aproximou mais, o suficiente para que eu sentisse o cheiro do vinho misturado ao perfume frio que sempre o acompanha.

- Isso. - Ele murmurou, os lábios quase tocando os meus.

Meu coração acelerou de um jeito ridículo. Eu virei o rosto no último segundo, só para provocá-lo de volta.

- Você vai acabar se arrependendo de brincar assim. - Falei.

- Ah, Aether... - Kaeya falou meu nome como se fosse um segredo antigo. - Se eu me arrependesse de provocar você, já teria parado há muito tempo.

Ele finalmente me beijou. Não foi urgente, nem intenso demais. Foi lento, calculado, como se estivesse testando o terreno antes de avançar. Eu retribuí sem pensar, segurando a gola do casaco dele e puxando um pouco mais perto.

Kaeya sorriu contra meus lábios.

- Viu só? - Ele comentou, afastando apenas o suficiente para me olhar. - Você sempre cai.

- Você é insuportável. - Falei, ainda próximo demais para soar como uma reclamação real.

- E você adora. - Kaeya respondeu, passando o polegar pelo meu queixo. - Admita.

Suspirei, derrotado, e encostei a testa na dele.

- Só não espalha isso por Mondstadt.

- Relaxe. - Kaeya falou, piscando. - Alguns segredos são mais divertidos quando ficam só entre duas pessoas... por enquanto.

O sol desapareceu no horizonte, e eu tenho certeza de uma coisa: qualquer caminho que envolve o Kaeya nunca é seguro, mas definitivamente nunca é entediante.

E, honestamente? Eu não quero que seja.

Kaeya nunca soube respeitar espaço pessoal.
Eu lembrei disso no momento em que senti a perna dele encostar na minha de novo; não de leve, não por acaso, mas firme o suficiente para deixar claro que é intencional.

Aether... haaa (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora