Capítulo 23

79 12 38
                                    

Olaa. Apareci mais cedo porque estou inspirada.

Enfim,

Boa leitura!



Mansão Blossom's, 30 de outubro de 1885. 14:30 PM.

Um mês. Um mês havia se passado desde o dia que Thomasina me mostrou o que descobriu. Um mês que eu sabia da verdade sobre a morte do meu irmão. Um mês que eu estava trancada em meu quarto, evitando tudo e todos.

Chorava todos os dias, sem exceção. A dor dilacerante da morte do meu irmão voltou outra vez, porém muito pior do que da primeira vez.

A última vez que falei sobre isso foi um dia depois do dia que fiquei sabendo. Thomasina me disse que meu irmão não foi o único e que havia outras fotos de outras pessoas mortas a sangue frio, como se isso fosse me fazer sentir melhor. Parece que Fen na verdade é algum tipo de assassino em série, que mata pessoas para usar em rituais macabros. A mulher deduziu isso ao achar símbolos de rituais, desconhecidos por mim, porém conhecidos por ela como coisas de má índole, em sua mala. Atrás das fotos tinham também símbolos e frases desconectas. Mas a do meu irmão era diferente.

Não parecia ter sido por um ritual ao algo assim, mas sim algum tipo de vingança. Porque atrás da foto dele tinha um recado nada amoroso.

"Você não parece tão capaz agora, não é? Eu venci, James. E ainda vou tirar tudo que é seu, mesmo depois da sua morte.
Queimei no inferno, querido amigo."

Isso só podia significar alguma vingança doentia da parte de Fen, e só de lembrar dessas palavras meu estômago embrulha.

Depois desse dia, não pronunciei mais nenhuma palavra sobre isso. Não que eu não pensasse nisso todos os segundos de todos os dias, mas eu nunca conseguia dizer mais nenhuma palavra sobre a morte de James. E sobre nada também. O silêncio me parecia a melhor opção por enquanto, já que minha mente já tinha barulho o suficiente. Meus pensamentos estavam em desordem e meu coração doía tanto que eu mal conseguia respirar.

Trancada em meu quarto eu não precisava esbarrar com aquele monstro e nem com ninguém. Podia ficar aqui, tentando organizar o que sentia sem descontar em alguém que não tem culpa, como Thomasina. Sei que afasta-la não parece a melhor opção, já que tudo que eu queria agora era o seu colo e o seu apoio, qual ela prometeu para mim no segundo seguinte que me mostrou a foto. Mas eu não quis. Preferi preservar ela dessa dor, e me curar sozinha como sempre fiz. Só que agora era diferente, eu não me curava disso. Um mês havia se passado e parecia que nada tinha mudado. Os pesadelos são frequentes, os choros não cessam, a dor não diminui. E eu não sabia se um dia isso mudaria.

Passo meus dedos pela milésima vez no papel com marcas de sangue, qual eu ainda não tinha coragem de abrir.

Junto com a foto Thomasina me entregou uma espécie de carta também, que ela disse não ter aberto, mas que ela imaginava que era para mim. Eu tinha medo do que encontraria naquele papel, tinha medo de piorar as coisas que eu sentia. Sim, eu estava sendo covarde. O medo era maior que a minha curiosidade, mas aos poucos eu estava me forçando a dar esse passo. Thomasina disse que eu não precisava abrir se não quisesse, se não me sentisse pronta. Mas me aconselhou a guardar, porque pode ser a última coisa que meu irmão escreveu para mim e eu poderia me arrepender se queimasse ou algo do tipo.

Então eu a guardei na gaveta da minha cômoda e todos os dias pego a carta e tento abri-la para ler, mas sempre acabo desistindo ao ver as marcas de dedos com sangue. E de novo a guardo na gaveta e bebo quase toda a garrafa de uísque por culpa.

Isso virou um ciclo infinito. Acordo ofegante e suando por conta dos pesadelos, sento em minha cama e choro por longos minutos, tento me levantar e sair do quarto mas falho, então volto a me deitar. Encontro a foto do meu irmão caída no chão e choro mais. Abro a gaveta da cômoda, pego a carta, arrepio ao ver o sangue seco na mesma e a guardo novamente. Bebo até a dor passar, no caso, até dormir. E acordo a tarde, com uma batida na porta de alguém trazendo algo para eu comer, essa pessoa quase sempre é a Thomasina.

the love never dies. - Thabigail Onde histórias criam vida. Descubra agora