Não consegui pegar no sono durante a noite, pois tudo que eu conseguia era pensar no que a Emilly me disse.
Como eu pude ser tão cego?
Como pude não enxergar o que estava debaixo do meu nariz esse tempo inteiro?
É claro que ela era apaixonada por mim!
Acontece, Antônio, que tem um cara me machucando, mas ele sequer consegue perceber isso.
O que ela me falou dias atrás começa a fazer sentido. Eu sou o homem que a está machucando, eu e a minha cegueira. Porém, apesar de saber os reais sentimentos dela, não sei se sou o homem certo para ela.
Não que eu não a ache linda.
Inferno, ela é linda pra caralho!
Linda, inteligente, sensível, gentil, amorosa, carinhosa...
Acho que não existem adjetivos o suficiente para qualificá-la, mas eu mereço essa mulher na minha vida? Eu mereço ter alguém tão importante assim? Que se preocupa comigo mais que tudo? Que vive para o trabalho, que não pensa em outra coisa, que...
Contenho o impulso de socar a parede, desligo o chuveiro e saio do box. Enrolo a toalha na cintura e me encaro no espelho.
Ter a Emilly apaixonada por mim é como ganhar o maior prêmio da loteria. A questão é: Eu mereço esse amor? Mereço que essa mulher seja tão apaixonada por mim?
São tantas perguntas para poucas respostas! Minha mente nunca esteve em um conflito como esse e é como se eu me sentisse impotente, desarmado, incapaz.
Saio do banheiro e visto a primeira roupa que eu pego no guarda-roupa. Uma calça de moletom e uma camiseta. Penteio os cabelos apenas com os dedos e passo um perfume. Saio do quarto e paro na entrada da cozinha, vendo que a Emilly está do mesmo jeito que a deixei, olhando para o nada.
— Emilly... — chamo e ela se assusta, se virando para mim em seguida.
Ela fica de pé e se aproxima de mim.
— Antônio... — Ela olha para baixo, como se não soubesse o que falar ou o que fazer.
Tão adorável...
— Eu não quero que você mude seu jeito comigo — falo.
— Nossa amizade não vai ser como era antes, Antônio — diz e vejo que ela está preocupada.
— Você se preocupa tanto assim com a nossa amizade? — pergunto.
— Claro! Eu prefiro ter apenas a sua amizade a não ter nada de você. Antônio, você é um homem incrível, inteligente, lindo, que sabe o que quer e que chama a atenção por onde passa. Você acha que eu não sei que a probabilidade de você querer ter algo comigo é praticamente nula?
Não consigo acreditar que é esse o pensamento dela.
Dou um passo em sua direção e ela arregala os olhos quando invado seu espaço pessoal.
— Emilly, a probabilidade de eu ter algo com você são maiores do que você imagina! — falo e sua respiração trava.
— Como?
Ergo uma mão e seguro seu rosto, sua pele é macia. Eu poderia ficar o dia inteiro apenas acariciando seu rosto com as pontas dos dedos.
— Você se lembra do que eu te disse quando nos tornamos amigos? Naquela noite?
— Não... — sussurra e eu me aproximo ainda mais dela.
— Se a vida pudesse me surpreender com um novo amor, eu queria que ele fosse você — repito o que eu disse a ela há dois anos, quando nossa amizade nasceu.
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Meu Delegado Envolvente - Livro 6
RomansaAntônio Cabral, delegado da Policia Federal de São Paulo, um homem com um caráter inquestionável e completamente comprometido com seu trabalho, que jurou a si mesmo procurar o assassino de sua esposa. Emilly Ribeiro, é uma estudante de direito, que...