38. COMPANHIAS

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Waves - Dean Lewis
"Tem uma luz na escuridão
E eu sinto seu calor
Nas minhas mãos, no meu coração
Por que eu não posso segurar?"

Josh

Era 31 de dezembro. Mas definitivamente, não era um dia bom para mim.

A cidade inteira estava em festa. Todos prontos para comemorar a chegada de 2022, com itens decorativos, fogos sendo preparados e brilho para todo o lado. Ano novo.

Eu estava apenas deitado na cama.

Any saíra para comprar algumas roupas, já que planejamos assistir os fogos da cobertura de uma balada conhecida em Nova York — o que eu já não sabia se iria conseguir participar. Sozinho, liguei para Noah para cessar o sentimento ruim.

— Oi, cara! — ele disse, animado. Estava passeando por Toulouse em sua bicicleta quando me atendeu. — Como você 'tá?

Da última vez que nos falamos, eu não aparentava estar muito bem, mas pelo menos, estava melhor do que agora.

— Não consigo mentir para você — falei,
enquanto limpava a garganta. — Eu tenho certeza que minha hora está próxima, cara. Os sintomas estão cada vez piores. Sendo sincero, estão piores do que jamais estiveram.

— Eu sinto muito — lamentou. — Queria poder fazer alguma coisa.

Claro, eu estava chateado por conta do avanço da doença, mas tentava o meu máximo para não perder todo o otimismo que adquirira ao longo do processo. Eu lidava bem com ela, e isso não iria mudar, mesmo que nos estágios finais.

Então, mudei de assunto:

— Na verdade, você pode! Eu ia para a Espanha comemorar o aniversário de Any, mas não vou conseguir... eu queria fazer algo surpresa aqui na Juilliard, mesmo assim. — Sua expressão se animou: sabia que alguma festa estava por vir, e Noah era o melhor em organizá-las. — Se não for pedir demais, você consegue organizar tudo? Porque provavelmente, eu vou me esquecer de alguns detalhes... sabe como é.

— Opa, festa surpresa é comigo mesmo! Pode deixar que vou arrumar uma passagem e organizar tudo.

Explodi em alívio: algo a menos para pensar. Noah era bom demais para ser verdade.

Finalizei a chamada agradecendo-o milhares de vezes até cansar, e logo a porta do 369 se escancarou. Any, fazendo sua entrada triunfal.

— Olá! — Me surpreendi ao mirá-la pois carregava mais sacolas do que esperava.

— Any! — falei, e fiz um esforço para me levantar. Felizmente consegui, e ainda peguei duas das sacolas para ajudá-la. — Você disse que iria apenas comprar um vestido...

— Ah, Joshua, eu acabei me empolgando!
Sorri e quando colocamos todas as sacolas na cama, dei-lhe um selinho carinhoso.

— Está se sentindo melhor? — perguntou ela. — Seja honesto, por favor.

Entendia o motivo do pedido, já que muitas das vezes em que fora perguntado a mesma coisa, eu omiti alguns fatos e Any descobriu depois de um tempo. Estava praticando a minha completa sinceridade.

Room 369 | BeauanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora