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Eu e Payton combinamos de eu tomar banho primeiro e depois ele, para eu ter certeza que ele não iria me espionar.

— Julinha! — Me chamou.

— O QUE FOI?

— Morreu aí dentro por acaso? Eu também quero tomar banho sabia?! — Ouvi sua voz se aproximando.

— Payton, não me olha!

— Foi você que pediu para mim ficar aqui de segurança.

— Me entrega a minha toalha e não me olha. — Falei séria.

Por sorte minha mãe sempre foi uma pessoa muito organizada e deixou toalhas e outros utensílios úteis na lancha.

Saí da cachoeira, com Payton de costas é claro, e coloquei minha blusa que era enorme, parecia até um vestido.

— Agora é a minha vez, fica de olho se não vêm ninguém. — Ele disse tirando a roupa.

Tive que virar o rosto para não ver algo a mais que ele sem camisa. Se bem que não seria tão ruim. O shape que esse menino tem é impressionante.

— Tudo bem, mas não demora porque eu tenho medo de ficar aqui sozinha.

— Não precisa ter medo. — Ele disse e pulou na cachoeira. Acho que ele pulou né, eu ouvi barulho de água. Não tenho certeza, preciso ver com meus próprios olhos.

— Julinha, se vira discretamente com quem não quer nada da vida. — Eu disse para mim mesma e me virei devagar.

Por favor que ele não esteja olhando para mim.

— Uau. — Falei baixinho ao ver ele de pé dentro da água, mostrando apenas da barriga para cima. E é nesse momento que eu queria que aquela água fosse transparente. Agora ele está passando a mão no cabelo. Bonitinho até.

— Tudo bem aí, Julia? — Ele perguntou quando ouviu um barulho.

— Ah, é... Sim! Tudo certo. — Menti. Eu estava espionando ele e quase caí no chão fazendo o barulho.

Ainda bem que ele não me viu, imagine só a situação que não iria ficar. Eu disse para ele não me espionar, mas eu fiquei espionando ele.

Payton Moormeier

Estávamos jogados em um dos pequenos sofás de couro da lancha dos pais da Julinha, fitando o céu.

— Sente falta da sua mãe? — Ela perguntou.

— Sim, e você?

— Eu também. Será que algum dia vamos sair daqui?

— Claro que sim, vai ser o terceiro dia amanhã, relaxa, daqui um tempo nos acham.

— Espero que sim.

— E o Connor? — Perguntei.

— O que tem ele?

— Sente falta dele?

— Por que você insiste em falar do Connor?

— Vocês namoram e eu achei...

— Não é isso. — Me interrompeu. — Quase toda hora você pergunta dele. Está afim dele? Se for pode dizer eu não vou brigar.

— O que? Não é nada disso.

— É o que então? Tem ciúmes?

— Deixa de besteiras. — Revirei os olhos.

— Estou entediada. — Ela reclamou depois de um tempo em silêncio.

— Vamos dormir ao ar livre hoje? — Dei uma sugestão.

— Não é perigoso?

— Não, está quente hoje.

— Sabe fazer fogueira? — Perguntou saindo da lancha.

— Talvez eu saiba fazer. Deixa eu ver. — Me sentei ao lado dela na areia e peguei duas pedras.

— Não é assim que se faz. — Ela tentou pegar as duas pedras. — Você está fazendo errado!

— Não. Deixa eu fazer. — Ergui meus braços para ela não pegar da minha mão. — Payton, eu vou te bater. — Encarei ela como se duvidasse.

— Ah n-não, Julia! — Ela começou a fazer cócegas em mim.

— Me dá. — Ordenou.

— Safadinha.

— As pedras, imbecil.

Eu virei o jogo e comecei a fazer cócegas nela.

— PARA! — Ela não parava de rir. Se eu continuar desse jeito ela vai morrer sem ar, coitada.

— Eu paro se você... — Fiquei por cima dela.

— Se o quê? — Perguntou rindo e olhando nos meus olhos.

Pensei bem e disse:

— Nada, esquece. — Eu saí de cima dela.

Por algum motivo eu queria beijar ela naquele momento, mas perdi a coragem na hora. Essa garota mexe com a minha cabeça de um jeito inexplicável, e eu nem sei o por quê.

— Payton. — Olhei para ela que estava ao meu lado, e quando virei o rosto ela deu um selinho bem rápido.

— O quê? — Fiquei sem reação.

— Você é um bobinho. — Ela mostrou a mão e nela estavam as duas pedras.

— Idiota. — Eu ri de nervoso.

Eu não acredito que ela me deu um selinho para roubar as pedras que estavam do meu lado. E eu pensando que poderia rolar algo entre nós, ela me fez de idiota.

— Observe a aprenda. — Ela fez a fogueira. — Aprendeu?

— Não.— Respondi.

Depois de ter escurecido nós deitamos em uma espécie de "cama folhas" porque segundo a Julia "minha mãe vai brigar comigo se colocarmos as cobertas no chão".

Eu não conseguia parar de pensar naquele selinho que poderia ter virado um beijo. Se naquele momento que eu estava em cima dela e desse um beijo, eu teria quase certeza que ela retribuiria e talvez acabasse na cama.

Olhei para o lado e ela dormia tranquila com uma brisa leve batendo em seus cabelos. Não controlei meus pensamentos perversos e por instinto fiquei duro. Eu não queria bater uma com ela ao lado, mas porra, essa garota me deixa com muito tesão.

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