Observando a paisagem pela janela através do meu quartinho. Meu quarto era inteiramente cinza, com excessão da cama, que era inteiramente branca. Tinha uma bandeja no chão com dois copos d'água e dois comprimidos ainda embalados cuidadosamente ao lado dos copos. E sim, eram os meus comprimidos. Eu nunca tomei nenhum tipo de remédio, pelo menos não antes de vir até aqui. Os efeitos colaterais são péssimos para os iniciantes, não gosto da sensação de estar drogada para não suportar minha realidade. Além dos enjôos e dores de cabeça que me causam. Eu estava sentada na cama, observando a janela. O dia hoje estava nublado, frio, úmido e sem graça. Tanto minha blusa de manga longa e calça moletom me protegem do frio, mas mesmo assim, sinto que não ajudam muito. Consigo ouvir alguns barulhos insuportáveis no quarto ao lado, e pouco tempo mais tarde, descobri que se tratava de uma garota paranoica e esquisita. Aqui na clínica, não é tão chato. Eu jogo xadrez, ouço música, como comidas relativamente satisfatórias e faço amizade. Só é meio nojento conviver com esse tipo de gente que a cada 10 minutos tem um surto diferente ou abstinência.
- Eu juro! Parecia real! Foi como se o anjo estivesse me abraçando e pedindo para eu esperar no tempo certo. E ao seu redor tinha nuvens e um explêndor imensurável! Eu vi, Pâmela. Você acredita em mim, certo? - Uma garota simpática, que aparentemente tinha 24 anos e tinha um futuro brilhante como cientista, disse isso. Ela tinha o cabelo raspado, pois tinha o costume de puxar eles em um momento de crise, e isso lhe gerou alguns problemas. Seus olhos eram verdes e estavam arregalados. Ela também fazia alguns gestos com as mãos, como se realmente tivesse visto algo grandioso.
- Claro. Eu também vejo duendes em baixo da minha cama, e quando me abaixei para verificar, percebi que tinha um jardim sob a cama. - Eu disse, em forma de deboche. Não é preciso atuar muito para fazer ela ter o pensamento de que eu realmente disse uma coisa realista. Apenas suspirei entediada. Estávamos sentadas em cadeiras brancas e plásticas sem graça que ficavam de frente para uma pequena TV que estava pendurada na parede através de seu suporte. Estava passando um filme, mas não era interessante para mim. Também estávamos cercadas de outras pessoas doentes se debatendo nos braços de algum enfermeiro e algumas normais conversando e rindo. A cientista me encarou ainda surpresa pelo o que eu disse, e logo depois parou para observar uma pessoa se aproximando. Não me importei em saber quem era, apenas fiquei olhando para a TV fingindo estar entendendo o filme.
- Pâmela Hernández? - Uma enfermeira jovem e carismática juntou suas mãos e se manteve em uma posição formal. Nos seus lábios tinha um sorriso, e julgando pelo seu cabelo em um coque aperfeiçoado e pela sua maquiagem simples e bem feita, julguei que era uma estagiária.
- Eu mesma.
Eu tinha visita. A enfermeira me guiou até a sala de visitas, e sinceramente, era bem deprimente. Tinha um segurança em frente a porta, que se esquivou de mim para que eu pudesse entrar na sala. Todo esse lugar me causa um vazio imenso. É tudo muito branco, muito simples, muito esvaziado. As paredes eram cinza e só tinha uma mesa de tamanho pequeno e duas cadeiras um de cada lado. Tinha também uma lâmpada que tinha uma luz branca muito forte e desconfortável. Antes de ir me sentar, me mantive em pé observando a tal pessoa que veio me visitar. Ouvi um barulho chato da porta se fechando e logo fui me acomodar na cadeira de frente para essa pessoa.
- Que surpresa, Tiago. - Me referi a ele sem um pingo de emoção.
- Eu fiquei preocupado, Pâmela. - Ele franziu as sobrancelhas e passou as mãos nos cabelos, fazendo eles irem para trás e logo ficarem caídos novamente no mesmo lugar que estavam. Ouvi ele suspirar fundo.
- Já que viu que estou bem agora, pode se retirar. Você não é a pessoa que eu quero ver.
- Pâmela, entenda, você é minha. E sempre será assim. Não me importo se você fantasia um lindo romance com Clara, eu serei o pai dos seus filhos. E sabe o que mais? A conta dessa reabilitação também vai para o meu bolso. - Ele colocou seus braços sobre a mesa e usou um tom de voz Irritantemente raivoso.
- Tiago, eu não preciso de um homem para gerenciar meu dinheiro... - Fui interrompida, ainda com a postura formal e calma.
- Mas os seus pais precisam. Sem um casamento, sem herdeiros, sem herdar a fortuna deles. E, bom, você sabe que eles são tão ambiciosos quanto eu. Agora, eu vou embora. Tenho uma festa para ir. É da Monique, conhece? - Ele se levantou brutamente da cadeira.
- Mande um recado para Emilly. Diga que desejo ver ela.
Uma festa? De Monique? É claro que conheço ela, mas... Ela sempre foi familiar para mim de uma maneira esquisita. Ela é a namorada de Thomas, que por incrivel que pareça, é meu ex ficante. É estranho pensar do Thomas assim, mas ele ja se envolveu com algumas meninas, mesmo que ele pareça um virgem, ele é bom no que faz. Estou perdida entre tantos pensamentos agora. Decidi tomar um pouco de sol, deitada na grama do jardim da clínica e com os olhos fechados, ouvindo os loucos gritarem e outros correrem livremente. Fiquei na posição estrela do mar, totalmente contente por isso. Foi quando me veio na cabeça: A Monique é a garota do jornal! Sim, a garota que se encontrou com um pedófilo... É ótimo saber dessa informação.
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Sem rumo.
RandomNesse livro, teremos a história de alguns adolescentes enfrentando seus problemas que os adultos sempre vêem como "bobagem".
