10. Dançarina de Jazz.

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IZZY STRADLIN, 17 DE JULHO DE 1987.

No exato momento que eu coloquei o cabelo de Vanessa para trás e beijei sua bochecha eu soube que ela ainda vai assombrar todos os meus e se's. Me sentei do seu lado e sorri quando ela tomou um gole de de sua bebida. Eu adoraria tocar em seus lábios novamente apenas para sentir o gosto de seu gloss.

— Está ansioso? – ela perguntou deixando o copo no balcão.

— Sim e nervoso. – rimos juntos.

— Vai dar tudo certo, Izzy. Você sempre arrasa. – ela colocou a mão no meu ombro e deslizou-a suavemente pelo meu braço até chegar à minha mão.

— Voce vai estar lá comigo, claro que vou arrasar.

Beijei as costas de sua mão vendo Vanessa sorrir corada. Eu adoro esse sorriso..

— Já fizeram a setlist?

Peguei um papel no meu bolso.

— Sim, vou mostrar para os meninos para ver se eles gostaram.

Ela pegou o papel da minha mão e leu com atenção.

— Não acredito que Think About You não tá aqui! – ela me olhou com os olhos arregalados.

— Você conhece essa? – perguntei chocado.

— Sim, a minha favorita do álbum, eu preciso ouvir ela ao vivo.

— Seu pedido é uma ordem. – peguei uma caneta e escrevi a música. – Eu que escrevi ela.

— Essa música é incrível! – ela deu risada. – Não iria te perdoar se ela não estivesse lá.

— Desculpa! – Deixei minha testa descansar sobre as costas de sua mão, como se tivesse cometido o maior pecado e ela fosse a única santa capaz de me perdoar.

Vanessa levantou minha cabeça e beijou minha testa.

— Sem problemas. – ela terminou a bebida deixando apenas a cereja no copo sozinha.

Peguei a fruta do copo e a levei até a boca dela. Vanessa abriu os lábios, e eu a coloquei delicadamente. Ela fechou os olhos enquanto mastigava, e aproveitei para deslizar meu polegar sobre seus lábios antes de me afastar.

— Está bebendo o que? – axl a abraçou por trás, nesse mesmo momento vanessa me olhou como se estivesse se desculpando e amaldiçoando Axl

— Vodka, mas o senhor não vai beber. – ela riu quando ele tentou pegar.

— Porque? – ele fez um biquinho idiota.

Sai dali e deixei que Vanessa aproveitasse seu namorado sozinha.

***

Quando descemos do jatinho vários fãs e paparazzi nos esperavam. Axl agarrou a cintura de Vanessa e passou sorrindo com ela. Os dois entraram no carro particular que ele tinha exigido e partiram em direção ao hotel. Enquanto isso, eu encarei a multidão com um sorriso nervoso, ciente de que minha vida privada estava prestes a se tornar mais pública do que nunca. Olá, Chicago.

Chegamos no hotel e fomos recebidos da mesma forma. De longe vi Axl surtando por alguma coisa enquanto Vanessa brincava com uma planta falsa. Quando me viu deu um sorriso largo e acenou. Eu ainda quero conversar com ela sobre ontem, mas sinto que ela não quer.

— Qual é seu quarto? – ela me perguntou quando me aproximei.

— 501. E o seu?

— 512. Fica em frente ao seu.

Sorrimos juntos. Enquanto os meninos resolviam algo que eu desconhecia, Vanessa e eu entramos no elevador, que, felizmente, estava vazio. Nos encostamos no espelho, e ao fundo, uma suave música de jazz começou a tocar. Vanessa não resistiu e começou a dançar.

— Me acompanhe. – ela pediu, e eu dei risada, seguindo o ritmo da dança.

Segurei a mão dela e a girei suavemente no pequeno espaço do elevador, ambos rindo enquanto fazíamos nossos movimentos. Quando finalmente chegou ao nosso andar, saímos dançando e correndo pelo corredor. Vanessa riu alto quando eu tropecei nos meus próprios pés. Ela me ajudou a levantar e deitou a cabeça em meu ombro, ainda rindo.

— Tá rindo porque não foi você. – comentei, abraçando sua cintura e compartilhando uma risada gostosa.

Vanessa olhou para mim, e aos poucos, paramos de rir. Nossos rostos estavam próximos, e eu adoraria que ela permitisse que meus lábios tocassem os seus, mas o momento foi interrompido quando a porta do elevador se abriu. Rapidamente nos afastamos, e ela seguiu em direção ao seu quarto. Ficou parada na porta por um momento, olhando-me com uma expressão indecifrável antes de entrar e fechar a porta atrás de si. O elevador continuou seu trajeto, e eu fiquei ali, pensando no que poderia ter acontecido se não tivéssemos sido interrompidos.

— Até mais, Izzy.

Entrei dentro do meu quarto.

— Até mais, Vanessa a dançarina de Jazz.

Ela deu risada e fechou a porta me fazendo sorrir igual um idiota.

𝐘𝐎𝐔 𝐂𝐎𝐔𝐋𝐃 𝐁𝐄 𝐌𝐈𝐍𝐄,  𝗜𝘇𝘇𝘆 𝗦𝘁𝗿𝗮𝗱𝗹𝗶𝗻Onde histórias criam vida. Descubra agora