Acordar tarde, ver o sol a brilhar no céu.
O nascer do sol é o mesmo, mas eu sou a única a vê-lo.
Outrora também o viste.
Ouvem-se conversas na rua, mas não consigo distinguir nenhuma.
Nunca mais ouvi a tua voz.
O tempo parece estacar nas manhãs de Domingo.
Não avança, não recua.
E de repente estou presa no momento em que percebo que me fazes falta.
De volta à janela do meu quarto, o que vejo não tem o menor sentido.
Na verdade, nada tem sentido sem ti.
Ainda pego na minha guitarra, apesar de saber que o som das cordas não chega a Lisboa como chegou, em tempos, ao 4° andar.
As cartas que escrevo e as canções que componho nunca chegam ao destinatário.
Nunca chegam até ti.
As saudades que sinto invadem-me nestas manhãs.
O tempo não parece ajudar em nada, passam-se semanas e mais semanas e eu encontro-me na mesma posição.
De frente para a janela.
O tempo não me curou de ti.
Sim.
Eu lembro-me de ti a cada manhã de Domingo.
Da tua partida.
Em alguns, penso na tua chegada.
Embora tenhas partido sem intenção de regressar.
Hoje afastados, em janelas com vistas distintas.
Perdidemo-nos.
Talvez nos voltemos a encontrar,
Numa dessas manhãs de Domingo.
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Vida Em Versos
Poetry"Poesia é quando as emoções encontram o pensamento e quando o pensamento encontra as palavras." *Coletânea que inclui TODOS os poemas que escrevi. Estes aparecerão, no entanto, em outros livros, separadamente, divididos por categorias.
