Sou Uma Casa De Janelas Partidas

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Tenho telhados que rangem quando alguém se afasta,
Como um lamúrio na hora da despedida,
Doloroso e calmo
Que acontece inevitavelmente.

Tenho janelas com vidros partidos,
Como um coração que se estilhaça, Todos os dias um pedaço mais,
Todos os dias com pedaços a menos,
Que perdidos pelo chão gasto,
Esquartejam quem se atreve a entrar.

Tenho portas arrombadas,
Como se não bastasse a confiança dada,
E fosse necessário ir sempre mais longe,
Uma porta já sem uso,
Cheia de cadeados que não fazem mais sentido,
Se inevitavelmente entrou quem quer,
Quem só encontrou prejuízo.

E tenho o piso gasto,
Como uma pele com feridas,
Que ardem ainda todos os dias.
Que são marcas de um passado não tão vazio,
Mas que marcou as memória vividas.

Sou uma casa abandonada,
Que lamenta as partidas,
Que chora mágoas antigas,
Que foi usada e depois preterida,
Que relembra ainda quem nela viveu,
Apesar de serem memórias de outra vida.
E no fundo, já não sou nada:
Sou só uma casa com janelas partidas.

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