Odeio-te II

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Odeio querer o som da tua voz
como se fosse oxigénio.
Odeio procurar-te nos dias vazios,
nas horas mortas,
no fundo dos bolsos das minhas saudades.
É um veneno amar-te,
um desgaste que me rói os ossos.
Não devia entregar tanto,
não devia sangrar tanto,
por mãos que não me seguram.

Odeio ser uma possibilidade descartável,
nome esquecido entre conversas mornas,
uma peça que não se encaixa,
uma ferida que reabre ao toque mais leve.

Odeio este poder que tens sobre mim,
as mentiras doces que sussurras,
as ausências que não explicas,
as culpas que não divides.

Odeio fingir que não dói,
sorrir com os olhos rasgados por dentro,
convencer o mundo de que sou pedra
quando sou carne exposta.

E, no fundo, odeio — mais do que tudo —
saber que sou só um passatempo
num jogo que levo a sério.

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