À volta do meu pulso,
Serpenteiam ainda as pulseiras.
Serpenteiam —
como se eu me tivesse atado a elas,
nó a nó, pedindo desejos,
esperando que, desta vez,
em vez da culpa,
viessem beijos.
Pulseiras que me viram crescer —
e continuam a fazê-lo.
Acompanham-me e enlaçam-me,
ao contrário das mãos
que já não me seguram o pulso
(como antes).
São várias.
Como se cada uma contasse uma história —
histórias que agora só conto em silêncio.
Cada uma guarda um momento
gravado no coração,
mas desvanecido na mente.
E continuam aqui,
como se fizessem sentido,
como se tivessem significado,
como se guardassem
a parte de mim que eu mesma perdi.
Se a pulseira se quebra,
cumpre-se um desejo.
Mas que desejo?
Que valor têm eles
ao lado da memória que elas me trazem?
E que sortuda sou —
por ter algos (ou alguéns) para lembrar,
por sentir saudades,
por guardar memórias.
E com as pulseiras (como sempre),
recordo cada instante,
e guardo um pouco de tudo aquilo que amei —
Cada memória e momento
que foram levados pelo vento.
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Vida Em Versos
Poetry"Poesia é quando as emoções encontram o pensamento e quando o pensamento encontra as palavras." *Coletânea que inclui TODOS os poemas que escrevi. Estes aparecerão, no entanto, em outros livros, separadamente, divididos por categorias.
