Odeio-te! (Mas é mentira)
Se te odeio, é porque te amo até à febre,
até à vertigem,
até ao ponto de me esquecer.
Quero fugir de ti,
mas cada passo arrasta-me de volta,
como uma maré que volta sempre à mesma rocha,
a mesma que a corta.
Odeio esta fome que tens o dom de me despertar,
esta sede que só as tuas palavras saciam,
palavras tão vazias, tão doces,
tão veneno.
Por que brincas comigo?
Por que ris desse poder que tens sobre mim?
Eu, mendiga de migalhas,
acendo velas por um olhar,
faço promessas em troca de um abraço,
e ajoelho-me diante do teu desprezo.
Grito.
Ninguém ouve.
Choro.
Ninguém vê.
Sorrio.
E o mundo aplaude.
Mas quando a cortina fecha,
sou só eu,
a amar-te em silêncio,
a odiar-me por não partir,
a sangrar cada ausência tua
como se fosse a primeira.
Diz-me, por piedade:
quanto tempo mais hei de ser
apenas um intervalo na tua história,
uma sombra no teu palco,
um nome esquecido no programa da peça?
Porque eu…
— eu sou atriz do teu drama,
figurante do meu próprio fim.
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Vida Em Versos
Poetry"Poesia é quando as emoções encontram o pensamento e quando o pensamento encontra as palavras." *Coletânea que inclui TODOS os poemas que escrevi. Estes aparecerão, no entanto, em outros livros, separadamente, divididos por categorias.
