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Durante a noite, Jiyeon dormia serenamente. Yangcha aproximou-se devagar para não acordá-la. Yangcha observava Jiyeon com uma atenção silenciosa. O quarto estava mergulhado na penumbra, com a luz fraca das velas revelando delicadamente os contornos do rosto tranquilo da guerreira. Os longos cabelos negros espalhados pelo travesseiro criavam uma aura de serenidade ao seu redor. Silenciosamente, Yangcha refletia sobre as circunstâncias incomuns que os uniam. Guardião da filha secreta do rei, ele sentia uma responsabilidade desconhecida anteriormente. No entanto, também havia algo mais. Uma conexão, talvez, que ele não conseguia compreender completamente.
A beleza de Jiyeon não escapava aos olhos de Yangcha. Sua expressão, normalmente séria, suavizou-se enquanto ele observava a respiração tranquila dela. A máscara de guerreira desaparecia no sono, revelando a vulnerabilidade que ela escondia durante o dia. Jiyeon encontrava-se em meio a um pesadelo desolador, onde sombras ameaçadoras dançavam ao seu redor. O cenário era sombrio, com o eco de vozes sussurrantes preenchendo o vazio. As imagens distorcidas e a sensação de ser perseguida assombravam seu inconsciente.

A angústia dela manifestava-se em movimentos frenéticos, seus olhos revirando-se enquanto lutava contra os demônios do sonho. Nesse pesadelo labiríntico, Jiyeon parecia perdida e vulnerável. Yangcha, percebendo a agonia dela, aproximou-se com cautela. Ele, que normalmente evitava contato físico, sentiu um desconforto interno, mas o instinto o impeliu a agir. Suavemente, ele tentou acalmá-la, colocando uma mão sobre o ombro dela. Ao sentir o toque, Jiyeon, ainda presa ao pesadelo, reagiu instintivamente, agarrando-se a Yangcha. Seus olhos se abriram abruptamente, revelando o terror que ainda persistia. Yangcha, surpreendido com a reação, manteve-se ali, permitindo que ela se agarrasse a ele em busca de conforto.
A presença de Yangcha tornou-se um ancoradouro para Jiyeon, e ele, superando sua aversão ao contato físico, acalmou-a.
Após a agonia do pesadelo, Jiyeon sentiu-se grata pela presença reconfortante de Yangcha. Ela olhou para ele, tentando expressar sua gratidão através do olhar.

- Obrigada, Yangcha. Realmente ajudaste-me a superar aquele terrível pesadelo.- Ela disse com um sorriso suave.

Yangcha, ainda um tanto desconfortável com o contato físico, respondeu com um aceno de cabeça. Em silêncio, ele reconheceu que algo especial estava acontecendo entre eles naquela noite. Com a calma já restabelecida, Jiyeon sugeriu:

- Queres descansar um pouco? Eu sei que não consigo voltar a dormir novamente depois daquele pesadelo. Posso ficar de guarda.- Yangcha hesitou por um momento antes de recusar gentilmente. Jiyeon percebeu o desconforto dele e, com uma expressão suave, pediu desculpas.- Desculpa por ler os teus pensamentos, Yangcha. Sei que tu valorizas a tua privacidade, mas não consigo evitar. Mesmo que queira não consigo, não consigo controlar esse dom ainda.

Yangcha, surpreendentemente aberto, admitiu: "Não se preocupe com isso. Na verdade, é bom ter alguém com quem conversar. Eu... não me importo."

A conexão entre Jiyeon e Yangcha, forjada por circunstâncias incomuns, tornou-se evidente naquele momento. Naquela noite silenciosa, Jiyeon sentiu uma leveza incomum ao seu redor, uma sensação de confiança inesperada. Ela olhou para Yangcha com um brilho travesso nos olhos.

- Sabes, Yangcha, eu ainda não entendi porque de seres tão sério o tempo todo. Deverias tentar sorrir mais, não achas?- Provocou Jiyeon, querendo arrancar pelo menos um sorriso daquele guerreiro misterioso. Yangcha, surpreendentemente, respondeu com uma risada contida.

"Eu sorrio quando necessário, princesa. Não sou do tipo que ri à toa."

Jiyeon, divertida com a reação dele, não conseguiu resistir a provocar mais.

- Então, existe algo que te faz sorrir?

Ele olhou para ela com um olhar intrigado. "Talvez. Mas isso é algo que você terá que descobrir por si mesma."

Arthdal Warrior | YangchaOnde histórias criam vida. Descubra agora