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No meio do abraço, Jiyeon deixou escapar lágrimas silenciosas, que deslizavam pelas suas bochechas sem que ela se desse conta. Yangcha ficou surpreendido ao sentir a fragilidade dela tão exposta; era raro vê-la assim, sempre tão forte e decidida. Um pouco alarmado, ele interrompeu o abraço, afastando-se apenas o suficiente para a observar, enquanto ela continuava a chorar, as palavras presas na garganta.

— Eu... eu não sei o que faria se algo te acontecesse, Yangcha... — sussurrou ela, com a voz trémula.

A sinceridade das suas palavras e a vulnerabilidade no olhar dela fizeram o coração de Yangcha disparar. Sem dizer nada, ergueu a mão com cuidado e acariciou o rosto dela, deslizando o polegar pelas lágrimas que corriam em silêncio. Os seus olhos, normalmente tão focados e reservados, estavam agora suaves, transmitindo-lhe uma promessa muda. Ele queria que ela soubesse, mesmo sem palavras, que nada o afastaria do seu lado. Com gestos delicados, Yangcha limpou cada lágrima, como se tentasse apagar o medo dela. Finalmente, ele assentiu levemente, o olhar seguro e firme, como se dissesse sem som: 

"Nada vai acontecer comigo. Estarei sempre aqui para ti."

Jiyeon sentiu um aperto no peito, e o seu coração acalmou-se ligeiramente. As palavras não eram necessárias — naquele toque silencioso, ela compreendia que Yangcha se importava com ela de uma forma que ninguém mais entendia, e que faria o que fosse preciso para mantê-la segura. Jiyeon inclinou-se para ele, deixando que todas as emoções reprimidas finalmente transbordassem. Num impulso que não conseguiu conter, os seus lábios encontraram os dele. O beijo foi profundo, intenso, como se todo o medo, todo o alívio e toda a urgência se condensassem naquele instante. O gosto fresco dos lábios dele misturou-se com as lágrimas salgadas que ainda escorriam pelo rosto dela, e tudo pareceu fundir-se — o medo de perdê-lo, o alívio de tê-lo de volta, a dor e o amor.

Yangcha hesitou por um segundo, surpreso, mas logo abandonou as dúvidas e a razão. Ele correspondeu ao beijo, permitindo-se, por aquele breve momento, entregar-se totalmente ao sentimento que até então mantivera tão cuidadosamente guardado. As mãos dele seguraram o rosto de Jiyeon, como se temesse que ela fosse escapar. Era um gesto de alguém que sabia que aqueles instantes eram raros, preciosos, e que talvez nunca se repetissem. A respiração de ambos misturava-se, e o mundo parecia desaparecer ao redor, restando apenas o calor e a intensidade daquele beijo.

Finalmente, o momento terminou, e ambos se separaram, respirando ofegantes. Jiyeon fitou-o com os olhos ainda marejados, mas agora havia uma nova luz no olhar dela, uma chama que antes tinha medo de mostrar. Jiyeon deu um passo para trás, desviando o olhar enquanto balbuciava uma desculpa, sentindo a culpa a pesar no peito. Já tinham decidido que isto não podia continuar a acontecer, que era errado — ele um simples guerreiro, ela uma princesa, ambos com caminhos traçados e deveres inquebráveis.

— Desculpa... eu não dev—

Mas antes que ela pudesse completar a frase, Yangcha avançou, interrompendo-a. Com um olhar decidido, ele tomou o rosto dela com uma gentileza surpreendente, e, sem mais hesitar, beijou-a de novo, desta vez com uma intensidade que não deixava dúvidas. Naquele momento, ele esqueceu-se de todas as promessas de manter a distância, esqueceu-se do dever imposto por Tagon, esqueceu-se da sua posição e da dele. Esqueceu-se de tudo, exceto dela.

O beijo era uma confissão silenciosa, como se ali, finalmente, pudesse mostrar tudo o que tinha guardado em silêncio por tanto tempo. As palavras que nunca poderia dizer estavam ali, naquele toque. Jiyeon sentiu o peso do mundo desaparecer, sentiu o calor e a sinceridade que Yangcha, mesmo em silêncio, tentava transmitir. Quando finalmente se afastaram, o olhar dele estava carregado de emoção. Yangcha não precisava dizer nada — naquele momento, era claro. Ambos sabiam que tinham cruzado uma linha, que o sentimento que partilhavam já não podia ser ignorado. E, por mais incerto que fosse o futuro, naquele instante, nada mais importava.

Arthdal Warrior | YangchaOnde histórias criam vida. Descubra agora