A mão de Wo Dan tremeu levemente sobre minha nuca. Minha respiração estava tão superficial e suave que era quase imperceptível aos ouvidos. Seria bom se ele atendesse meu pedido. Eu vi como ele era bom em artes marciais e treinando diariamente com Huo Mao, então com um único golpe meu coração não doeria mais como agora.
Entretanto, criei expectativas demais. Eu não recebi este alívio, os dedos longos do juiz deslizaram pela nuca e a massagearam, subindo para a cabeça, em um afago silencioso. Se ele não queria fazer isso, porque estava tão quieto? Geralmente o próximo passo seria vir me criticar, bronquear, enaltecer a vida que eu desejei jogar fora nesse momento.
A verdade é que eu queria ser punido, mas não tinha coragem de fazê-lo. Tentei fugir a vida toda disso, porém percebo que a única forma de encontrar paz é colocando um fim nisso.
"Du Fushi... você não acha que já sofreu suficiente?" A voz de Wo Dan flutuou em meus ouvidos.
Não respondi, meus olhos semi cerraram-se suavemente, sem vida. Não preciso de consolo. Quero sentir esta dor em mim, consumindo meu coração, minha alma...
Wo Dan continuou a acariciar-me, contornando o lóbulo da orelha. Sem ver nenhuma reação, ele voltou a falar.
"Se a minha opinião como juiz vale algo para você, eu não te condenaria. Você era apenas uma criança, passando fome. Não era necessário tratar isso com tanto rigor."
"Aliás, a morte de seus pais e avô não é culpa sua, mas sim daqueles que puniram desnecessariamente o seu pai e tiraram o sustento de sua família, privando-o de trabalhar."
Abri um pequeno sorriso sem alegria, sem me convencer com estas palavras.
Wo Dan então puxou-me para si e abraçou-me. Ficamos assim, sentados na grama em silêncio.
Podia sentir seus batimentos cardíacos batendo junto ao meu, como se ele quisesse passá-los para mim. Respirei fundo. Eu não poderia continuar letárgico dessa forma. Wo Dan não me condenou por pura piedade, não que eu não fosse culpado. Quando vi as cabeças em Jiang, pensei que ele fosse um juiz imparcial, mas pelo visto até seu coração tinha algumas fraquezas.
"Humm... está ficando tarde, você não está cansado?" Perguntei por cima do ombro. Era ruim admitir, mas estar sentado no colo dele até que era quente, macio e confortável. A forma como suas mãos me seguravam também transmitia uma sensação de proteção, como se eu pudesse me esconder ali para sempre... embora isso fosse uma ilusão temporária.
Quantas pessoas, homens e mulheres não se deitaram já nesses braços e tiveram esta mesma sensação, só para depois Wo Dan livrar-se delas como quem joga fora um pano usado?
"Vamos ficar assim mais um pouco." Ele respondeu.
Fechei os olhos, relaxando aos poucos. Só agora percebi que meu corpo estava rígido e tenso. Eu não deveria estar dando tanta confiança para ele.
Quando ele me soltou, Wo Dan agarrou meu rosto e massageou, esfregou e puxou minhas bochechas com força até ficarem vermelhas.
"Aiii... o que está fazendo?"
"Minha mãe fazia assim quando eu estava chateado. Ela disse que suavizava um coração pesado."
Eh? Wo Dan sempre foi tão sentimental assim?
"Além disso, você não queria pagar pelos seus erros? Pois então aguente agora!"
"................"
O juiz Wo só foi embora depois que me deixou entregue em segurança em meu quarto. Pela primeira vez na vida tive uma boa noite de sono mesmo após ter revivido minhas memórias.
No entanto, mesmo após Wo Dan me ver entrar no quarto sorrateiramente pela janela, para que os empregados da casa não vissem o intruso, seu coração não se apaziguou. Ele procurou o criado que recebeu os pêssegos de manhã, ainda acordado, e o instruiu.
"Fique de olho se ele está se alimentando direito, se há algo de diferente e principalmente se ele tentar se ferir ou algo parecido."
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O Protagonista é um Bastardo!
RomantikDu Fushi é um contador de estórias. Ele vagou por quase todos os lugares e conhecer os enredos mais incríveis que existem, seu talento é incomparável. Contudo, Du Fushi também é alvo de estórias, de que foi abençoado pelo deus dos Viajantes com capa...
