Capítulo 66 - Wo Dan agarrou-se a um fio de esperança.

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Se a direção que os bárbaros estavam mantendo estivesse correta, eles estavam vindo no sentido que Wo Dan uma vez me levou para ver as estrelas. Acredito que eles não se assustariam com o fato de que ainda havia casas com as luzes acesas, mesmo depois que eu despertei Jiang inteira. Provavelmente eles iriam supor que era uma prévia para os preparativos da festa ou que calcularam errado as datas.

De qualquer forma, não seriam alguns agricultores que fariam os bárbaros estremecerem de medo. Se Wo Dan deu ouvidos aos meus gritos, ele não deixaria que seus homens fizessem um alarde tão grande que chegasse a  assustar o inimigo. Afinal, eu estava tratando de um estrategista que poderia ser discípulo de Sun Tzu, ou até Wu Xin, que estava o acompanhando, teria pensado nisso.

No meio do caminho para lá, apanhei um arco e flecha rústicos, largados no pequeno celeiro de algum caçador desleixado. Desleixado sim, quem mais deixaria seus pertences e armas jogados assim, em um pequeno casebre decrépito, de forma que  qualquer um poderia pegar?

E se alguma criança pegasse para brincar? Já vi muitos acidentes acontecerem assim! Anotei mentalmente o endereço da casa, um pouco carrancudo. Se eu sobrevivesse hoje, voltaria para passar um sermão nesse morador depois, embora eu estivesse pegando emprestado seus pertences sem permissão... 

Mas eu precisava ter uma alternativa se tudo mais falhasse e eu pensei seriamente em tentar atrair os bárbaros para longe e atirar contra eles. É claro que essa seria uma luta bastante desigual... eu contra um bando de bárbaros sedentos por sangue. Bom, pelo menos eu tentei proteger Jiang.

Cheguei até o topo da plataforma que dava para ver a cidade. Pelo visto poucos deram atenção ao meu aviso e não havia tantas luzes acesas. Os bárbaros viriam de qualquer forma. Por sorte a lua estava cheia e dava para ver os telhados das casas parcialmente cobertos de neve que começava a derreter.

E nos corredores das ruas, vários soldados começaram a surgir e se juntar, vindo nesta direção. Suspirei aliviado, pelo menos isso parecia estar funcionando... e ao menos, eles estavam se movimentando com discrição.

De onde eu estava também vi outra movimentação. Os Xiongnus estavam vindo e logo os dois adversários se confrontariam bem diante dos meus olhos. Senti meu estômago pesar, era como ter que ver novamente os horrores da guerra, só que em menor escala.

O início dos gritos de guerra ecoando no pequeno vale foi o sinal de que a batalha havia começado.
Se ganharem, Wo Dan vai poder pedir para o imperador construir uns três muros ao redor de Jiang depois disso... Balancei a cabeça com irritação ao me lembrar deste pequeno detalhe.

Por sinal, Wo Dan estava à frente da luta também. É claro que ele viria, se ele tivesse o mínimo de consciência. Sei que eu deveria aproveitar e fugir, mas estava ansioso para ver como isso terminaria, só por garantia. Talvez assim eu me sentiria livre para partir de verdade, então fiquei observando com atenção.

Depois que tudo acabasse, irei embora. Eu não devo nada a Wo Dan e ele matando o líder dos Xiongnu, ele colocará um fim nesse problema que ele criou para si mesmo. Mas está luta esta demorando muito...

Avaliei a situação. Não são tantos bárbaros assim, o problema é que eles estão em uma das entradas estreitas para Jiang e o terreno é um desnível. Os Xiongnu tem muita força bruta e armas pesadas, mesmo os soldados de Jiang estando em maior número, haverá muitos feridos se eles prolongarem o confronto nesta passagem.

Só havia uma atitude a se tomar nesta situação e Wo Dan o fez. Ele recuou um pouco para que os Xiongnu ocupassem um espaço maior e assim eles conseguissem cercá-los. Era arriscado se houvesse mais adversários do que eles podiam ver,  mas não era este o caso e ele sabia muito bem disso.

O Protagonista é um Bastardo!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora