Capítulo 26 - Uma Temporada na Casa Ko.

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Arco 02 - Um Yù briga com uma Concha [1].

Ser hóspede da senhora Ko foi a experiência mais tranquila que eu tive nos últimos dias. Devido a destruição de vários livros pelo imperador Qin [2], a senhora Ko foi obrigada a desfazer-se de vários escritos que tinha, e dentre eles, foram alguns contos que estimava muito. Assim, ela secretamente pensou em reescrevê-los, porém eram tantos textos e lhe faltava riqueza de detalhes para redigi-los.

Em minha apresentação, ela disse ter ficado encantada com a vivacidade com que eu contava as estórias, e gostaria de poder reproduzi-las por escrito. Concordei então em contar os contos que ela queria, enquanto a jovem senhora aproveitava para transcrevê-las. Eu poderia eu mesmo escrever para ela, porém o senhor Ko era um homem temeroso e não aprovaria que sua esposa passasse por cima de uma decisão Imperial.

Logo, ela estava fazendo isso escondido. O senhor Ko passava pelo corredor e nos via juntos, eu tocava a pipa, contando as estórias, enquanto a senhora Ko estava sentada em sua escrivaninha, aparentemente bordando um tecido enquanto ouvia. Quando os passos do homem se afastavam, ela imediatamente pegava a pedra de tinta escondida em seu material de costura e voltava a escrever em tiras de seda.

Pelo menos ela tinha uma memória excelente e escrevia rápido, mas mesmo assim eu fazia pausas e voltava ao ponto onde fomos interrompidos, para que ela não perdesse nada do que foi dito. A senhora Ko parecia uma jovem senhorita fazendo travessuras escondido dos pais. Além disso, ela era total oposto do senhor Ko.

Era risonha e jovial, ingênua e disposta a acreditar em todos, enquanto que o marido era desconfiado e sisudo. Ela era mais nova e o casamento foi arranjado pelos pais, no entanto ela não desgostava do senhor Ko, apesar de que não parecia muito fiel também...

A senhora Ko gostava de tipos fortes e bonitos, e às vezes lançava olhares longos para os guardas que protegiam sua propriedade. Afortunadamente, o senhor Ko reservou-lhe um segurança pessoal, que segundo as criadas da casa, fazia-lhe companhia quando o senhor Ko estava na prefeitura.

Agora entendia porque em dados momentos do dia eu estava livre. Diante disso tudo, só me estranhava que este casal ainda não tivesse um filho, um dos dois deveria estar com problemas nesse sentido. Ou talvez, a harmonia desta casa estava sendo preservada por um fio.

O senhor Ko não deu muita importância para mim. Ouvir estórias era um entretenimento frívolo e supérfluo em sua opinião, apesar dele ter considerado meu conhecimento acima da média para contadores de estórias. Era um homem de meia idade, onde se via uma ambição reprimida. Casou-se com uma esposa jovem por pura formalidade e realmente não a amava, embora lhe fizesse todas as vontades.

Muito triste ver uma relação assim. A senhora Ko tinha tudo o que seu coração desejasse, mas não tinha o principal, que era o amor em seu casamento... Então a pobre moça vivia a correr atrás de borboletas o dia todo [3]. Parei para pensar se havia alguma forma tradicional de ajudá-la, caso contrário temia que esta estória acabaria mal. O senhor Ko não a amava, mas isso não quer dizer que ele aceitaria uma traição.

Estava pensando sobre isso no Pavilhão do jardim, admirando as ameixeiras quando um dos criados me procurou, trazendo uma cesta coberta com um pano.

"Senhor Du." O criado sorriu, colocando a cesta sobre a mesa de pedra. "É uma entrega para você."
Os criados da mansão Ko me tratavam de uma forma mais casual e eu me sentia à vontade com eles. Na mansão Wo parecia que eu era um convidado ou membro da casa, o que era muito estranho.

"Para mim?" Peguei a cesta com curiosidade, encontrando-a repleta de pêssegos rosados. Olhei maravilhado, tinha visto muitos pessegueiros na região, mas não tinha tido a oportunidade de prová-los ainda.
"Um servo do senhor Wo veio trazer."
Havia um bilhete na cesta e peguei para ler, esperando pelo pior. Fazia apenas três dias que eu não tinha notícias de Wo Dan.

O Protagonista é um Bastardo!Histórias para pegar e não largar. Descubra agora