Capítulo 5

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Eloise

Fomos todos juntos ao primeiro baile da temporada, oferecido por Lady Danbury, como sempre. Eu refleti bastante sobre as palavras que o sir Phillip me disse. Apesar de não ter pretensão de perdoar Penelope, nunca cheguei a imaginar um desfecho definitivo para nós duas. Como se de alguma forma tudo fosse magicamente voltar ao que era. Estava tão absorta pela minha dor e indignação que não pensei no futuro, não pensei que Penelope talvez pudesse se afastar de mim para sempre. A possibilidade de nunca mais vê-la me causa incomodo. Comecei a pensar na possibilidade de que ela se case e se mude para bem longe, e se eu nunca mais vê-la? A própria Marina era tão jovem e morreu. Meu pai... melhor não lembrar disso. A única conclusão que cheguei é que minha revolta é pequena comparada ao resto da minha vida. Não quero terminar assim. Na verdade, costumava imaginar que Penelope e eu acabaríamos solteironas fazendo companhia uma a outra. 

Sendo assim, por mais que machuque o meu orgulho, tentarei conversar com ela e ter meus ouvidos abertos para ouvir suas justificativas me segurando para não interrompê-la. Meus olhos a procuram pelo salão enquanto meus irmãos conversam. Colin e Benedict conversam com as moças desesperadas por casamento, minha mãe, Anthony e Kate estão cuidando de Francesca e eu estou tentando acompanhar a conversa das senhoritas da minha idade, com as quais eu "deveria" ter alguma afinidade. É normal estar rodeada de pessoas e se sentir sozinha? Voltei para perto da minha mãe.

Vi Penelope no salão e meu coração acelerou. Ela não estava no canto e sim conversando com possíveis pretendentes. Sinceramente, estou surpresa, pois achei que Penelope não se importasse com casamento. Fui direto para a mesa de bebidas onde passei um bom tempo com uma limonada na mão enquanto refletia se devia ou não me aproximar. Depois de tomar alguns goles do líquido, conclui que ainda não estou pronta para conversar. Virei-me dando um passo largo e esbarrei em alguém.

— Eloise?

— Penelope?

— Sinto muito, já estou saindo do seu campo de visão.

— Penelope, eu...acho que deveríamos conversar — falei, mesmo que as palavras quase tenham sido estranguladas pelo meu orgulho.

Ela se virou para mim, aparentemente nervosa. — Eu não acho, se entendi bem, eu deveria fingir que você não existe, pois então é o que estou fazendo, com licença!

— Penelope! Eu... eu pensei sobre a nossa conversa na modista, eu quero tentar te entender.

— Pois eu não me importo mais se você me entende ou não. — Ela me encarou tão séria com seus olhos azuis que pude sentir que ela não está brincando. — Tenho muito o que fazer nesse baile, não posso perder tempo ouvindo ofensas.

— Eu apenas... espera, não me diga que está atrás de um marido?

— E se estiver, qual seria o problema?

— Achei que nós havíamos combinados de não nos casarmos.

Penelope deu um sorriso irônico. — Não existe nós. Eu não sou uma Bridgerton. Eu não posso me dar ao luxo de ser uma solteirona. Felizmente eu não preciso de um homem que me sustente, mas nunca terei autonomia sendo solteira. Eu não tenho pai, irmãos ou amigos, preciso de um marido que me dê garantias.

— Você tem amigos, Colin é seu amigo... e... eu também sou... quer dizer era. — Olhei para baixo sem saber lidar com as emoções questão saltitando por dentro.

— Colin não é meu amigo, Eloise, ele apenas sente pena de mim, assim como a maioria das pessoas dessa cidade. As outras nem sequer me notam. Me casar não vai ser fácil, por isso não tenho tempo para ficar discutindo com você sobre quem tem ou não razão. Tem todo o direito de estar ofendida assim como eu tenho direito de estar cansada de me justificar. 

Com amor, EloiseOnde histórias criam vida. Descubra agora