Ao acordar, Stacy fica triste ao voltar a realidade. Stacy Miller é uma simples brasileira com uma realidade de vida totalmente diferente de seu "sonho". Ela é mais na dela, não tem amigos, mas sonha em ser modelo. Não ter uma família estruturada ac...
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Passou duas semanas e nada dela.
Não a vi na escola, no McDonald's, no Starbucks, na rua, no quintal de casa. Em nenhum lugar.
Eu já estou muito preocupado. Ela não vai a escola já faz duas semanas. Duas semanas inteiras! Isso tudo por minha causa.
— Amor — me chama cantarolando — olha como eu fiquei linda de roupa camponesa
Tinha várias pessoas no camarim. Ela sussurra no meu ouvido um "você fica bonita de todo jeito"
— Você fica bonita de todo jeito
— Own, obrigada minha vida — me abraça
"Se você continuar assim, vai acabar quebrando o nosso trato" ela sussurra novamente
— Que tal um tuor pelos bastidores, hum? Você vai amar a magia do teatro! — diz empolgada
— Claro, porque não né
— Ótimo
Ela me apresentava cada lugar e fazia questão de ficarmos de mãos dadas e bem juntos. Eu não estava prestando atenção em nada que ela falava.
A única coisa que eu pensava era na Miller.
[...]
— Mas tu nunca fizeste algo tão medíocre, caro lorde!
Meus pés estavam inquietos, contando as horas para levantar daqui. Eu não consigo.
Desisto.
Me levanto e saio pelos corredores. O som da chuva forte batia nos vidros e portas. Portões trancados, ninguém entra, ninguém sai. Estávamos no meio de uma tempestade.
— Desculpe lhe informar, mas não tem permissão de sair desse colégio com a condição que está lá fora
— Olha aqui, eu nunca sairia nessa chuva ou arriscaria minha vida se não fosse algo importante. A pessoa que eu mais amo está sozinha e eu preciso a ver. Eu a machuquei, e preciso consertar. Eu preciso dar a ela uma explicação, nem que seja a pior de todas. Ela precisa saber que eu me importo com ela, então, por favor, abra a porra desse portão e me deixa sair daqui!
O cara hesitou no começo, assustado com meu falar, mas depois cedeu e finalmente abriu. Agradeci baixo dando dois tapinhas rápidos nas costas dela para sair o mais rápido possível.
Era impossível enxergar alguma coisa nessa tempestade, mas eu estava disposto a ir a qualquer lugar por ela. Ela merece uma explicação.
Eu consegui ver a luz pela janela do seu quarto. Ela pelo menos está em casa, o que é um alívio. Estou tremendo de frio, com meu cabelo e roupas encharcados.
Toco a campainha três vezes, por dois minutos, que parecia passar dez, esperei alguém abrir a porta.
A garota aparece na minha frente. Suas olheiras estavam muito perceptíveis, estava pálida, sem humor, seu olhar fundo e cansado pareciam tristes, suas roupas largas de alguém que só quer ficar deitada a semana inteira.
— O que está fazendo aqui? Você está louco?
— Eu sei que você não quer me ver, mas faz duas semanas que não vai a escola. Eu não te vejo em lugar nenhum, você não responde minhas mensagens e não dar um sinal de vida. Felipe não quer que eu fale de você e as garotas só estão me evitando. Eu quero saber o que você tem!
A chuva estava muito forte, então estávamos falando alto.
— O que eu tenho? Vou te dizer o que eu tenho. Eu tenho decepção. Decepção em achar que tudo seria diferente. Decepção em confiar em uma pessoa e depois ver tudo ao contrário. — um trovejar alto gritou, mas ela continuou, mesmo depois de estar com muito medo — Decepção de achar que era recíproco, mas eu me enganei.
— Eu sei que você estava lá naquela noite
— Sabe? Que bom que sabe! Mas você não sabe o quanto doeu em mim ouvir aquelas palavras saindo da sua boca! Sabe Mason, eu ate achei que estava criando sentimentos por você, mas eu estava enganada.
— Eu me sinto tão tola por pensar que tudo seria diferente! — ela fala, já chorando — Eu achei que você também estava criando sentimentos por mim, mas aí eu vi você beijando ela.
— Agora você está enganada também — ela me olha com fúria — Você está enganada por se sentir tola, a culpa não é sua. Eu sou um idiota! Se passaram longas semanas sem você, eu fiquei com medo de lhe dizer a verdade e você não acreditar em mim.
— Eu não gosto da Malu, eu amo você. Eu sei disso porque nenhum momento com ela é bom, mas com você... é tudo tão mais leve e alegre. Qualquer besteira é um motivo de rir, porque eu estou do seu lado. Lembra da sorveteria? Do dia que nós fomos tomar sorvete e corremos até a ruazinha! Eu estava com tanta vontade de te beijar, eu quase não ia me contendo. Eu quase te beijei.
Ela fica em silêncio.
— E o nosso primeiro beijo. Bem aqui. Eu nunca poderia deixar de esquecer. Eu tenho a foto que você tirou no dia as duas e meia da manhã, ela está no porta-retrato do lado da minha cama.
Ela chorava e sorria ao mesmo tempo, lembrando do dia.
— Miller, eu nunca fui tão feliz! Eu gosto tanto de você... eu fico sem palavras ao seu lado, eu fico inquieto sem você. Esses dias foram torturantes. Eu perdi a cabeça quando eu aceitei o pedido de namoro, e te deixar sozinha, sem explicar o porque. Foi assim que eu perdi você.
— Eu não quero te perder de novo. Não mesmo. Você é a única pessoa que consegue quebrar meu ego e me deixar levar. Eu nunca faria isso a ninguém, a não ser por você. Eu andei na chuva mais forte de Los Angeles, para te dar ao menos uma explicação. Por algum propósito que estou disposto a descobrir, eu sinto que não se passaram quatro meses contigo. Pra mim parece que foi uma vida inteira.
— Não ligo se você me desculpar ou não, é o mínimo que eu devo fazer. Eu te quero, nos momentos bons e ruins. Eu esperaria para todo o sempre. Parti seu coração, então me deixe o reconstruir. Eu esperarei por todo o sempre, para ser seu.
— Eu não quero que você vá embora. Você tem o tempo que for, dias, semanas, meses, anos, décadas, milênios, alguma outra vida... mas eu estarei aqui, te esperando.
Pareceu que toquei na ferida dela. Ela começou a chorar horrores, assim como eu. Seu rosto estava vermelho, suas mãos limpavam as lágrimas, enquanto as minhas limpavam a poça d'água que tinha no meu cabelo.
— Eu... sinto muito, te deixar nesse estado. Eu odeio ver você triste. Se tiver uma forma de eu te reconquistar ou ao menos me perdoar, me fala, tá? Eu te amo — não recebi resposta. Me virei e sai andando, como se o vento não estivesse tão forte quanto a chuva