Capítulo 1 - Fragmentos do Passado

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[...]

Três anos se passaram desde quando Izuku viu Tenko pela última vez, e ele confessa que sente falta dele. O platinado era uma única pessoa que fez Midorya rir, e o único amigo verdadeiro do mesmo

Mas e quanto ao Katsuki?

Aquele lá é uma causa perdida, no começo ele abandonou Izuku por um assunto banal como uma individualidade, mas mesmo após o esverdeado conseguir a sua ele não parou, segundo o loiro a Imortalidade é inútil, ela não aumenta os atributos físicos do usuário e não anula a dor, então qual a diferença entre ele e um sem individualidade?

Era esse o pensamento de Bakugou.

E de certa forma ele estava certo

Sem falar que Midorya odeia a dor, ele faz de tudo para não se machucar então como ele provaria que sua Imortalidade é real? Ele não morreria ao pular de um prédio, a dor de ter seu corpo estraçalhado no chão gélido continuaria lá... até seu corpo resolver se regenerar, o que leva horas.... horas e horas de uma dor insuportável...

Sua mãe Inko, entrou em depressão quando Hisashi Midorya, o pai do garoto, os deixara, porém, a doença não havia agravado até os 11 anos de Izuku, quando a mulher desenvolvera também estresse e ansiedade

Por estar sozinha trabalhando em um período integral para garantir dinheiro a família ela foi ficando cada vez mais cansada até falecer, quatro meses antes da ida de Tenko

Izuku também teria entrado em depressão se o platinado não estivesse lá com ele para ajudá-lo a superar, porém diferente do mais velho, o esverdeado precisava de dinheiro para manter a casa então foi obrigado a arrumar um emprego

A única oferta disponível perto de sua casa era a de uma vaga como atendente de uma loja de eletrônicos, era preciso saber bastante coisa para trabalhar em um local, mas com a inteligência no menor, nada que uma estudada aqui e ali não resolva

[...]

Três anos antes, no dia em que Tomura foi embora:

No dia da ida de Tenko, Izuku decidiu ficar lá por mais tempo que o normal, nunca se sabe quando eles se veriam novamente

— Ei Ten-Chan ...— Izuku chamou-o quebrando o silencio confortável entre eles

— Oque foi Izuku? —

— Você nunca me disse sua quirk... — falou vagamente, com a cabeça em outro lugar, então o menor não foi capaz de notar quando o platinado engoliu em seco

— Nem você me disse a sua, então estamos quites — Ele disse desviando o olhar, obviamente evitando o assunto

— Tenko... por favor... a gente não sabe quanto tempo vai levar até nos reencontrarmos novamente, e já faz nove anos que você desvia desse assunto — dessa vez o mais novo moveu o olhar para o platinado, observando atentamente cada detalhe do rosto do mesmo

— Izuku e-eu... não quero perder você... — hesitou

— Não importa qual seja, você sabe que eu nunca sairia do seu lado —

— Tch, eu odeio isso em você... — resmungou o maior

— Oque? —

— Esse seu jeito de ser gentil com as pessoas, não importa a pessoa, você sempre a aceita do jeito que ela é... — Tenko sorria enquanto falava, um sorriso fraco quase imperceptível para o esverdeado, quase...

— Epa, epa, epa, nem adianta desviar o assunto agora, por favor Ten-chan! — Midorya implorou apenas para ouvir um suspiro pesado vindo do maior

— Ok, ok, eu falo... — Tenko cedeu soltando um riso seco no final, fazendo os olhos de Izuku brilharem em excesso enquanto o menor abria um sorriso largo e animado

— Minha quirk se chama Desintegração ou Decay, ela é capaz de desintegrar tudo o que eu toco com os cinco dedos da mão, por isso eu tomo um extremo cuidado quando vou encostar nas coisas, principalmente quando eu toco em você... — O platinado o respondeu com um olhar triste focado no chão imaginando que o menor o deixaria por ter um quirk mortal, porém o que ocorreu foi exatamente o oposto

— Que incrível Ten-Chan!! — Disse o esverdeado chamando a atenção do outro — Eu queria ter uma quirk tão legal quanto a sua... — murmurou

— Como assim Izuku? Qual sua quirk? — Indagou deixando o choque por não ser excluído de lado por um momento

— Minha quirk é Imortalidade ou Immortality, ou seja, eu sou imortal, quirks como a sua não me afetam, na verdade nenhuma quirk que possa me matar me afeta... — revelou

Os olhos do platinado se encheram de lágrimas... não foram lagrimas de tristeza, mas sim de alegria, ele havia achado alguém que não o evita por causa de sua quirk e que também não é afetado pela mesma, não pode mais conter o choro, as lagrimas escorriam pelo seu rosto pálido de forma recorrente, um mínimo sorriso estava estampado na boca ressecada porém bonita do maior, não demorou muito até ele pular para o colo do garoto a sua frete em um abraço apertado e caloroso que foi imediatamente correspondido, mantendo a posição até que o mais velho parasse de chorar, o que só ocorreu horas depois

— Izuku... — Tenko murmurou baixinho, que só pode ser ouvido por Midorya, pois o outro estava com o rosto afundado na clavícula do menor buscando conforto enquanto recebia um cafuné do mesmo

— Oque foi Ten-chan? — Respondeu carinhosamente com a voz mais calma que poderia ser ouvida

— Eu vou mudar meu nome... — disse o maior levantando o rosto para poder ser mais facilmente ouvido — A partir de amanhã vou me chamar Tomura Shigaraki... —

— Tomura Shigaraki... por que escolheu um nome que significa lamentar? — perguntou

— Combina comigo... —

— Não vou nem discutir... — Izuku lamentou-se rindo em seco

Foi bom enquanto durou...

[...]

Atualmente três anos depois, Midorya se encontrava a caminho da escola, como sempre não estava nem um pouco animado, ninguém naquele local o respeita, nem mesmo o próprio diretor..., mas era preciso... faltava poucos meses para ele entrar no colegial então precisava saber o máximo possível, aí você se pergunta, então por que ele não mudou de escola? Acredite, ele tentou, mas toda vez que ele ia a diretoria para falar sobre o assunto o diretor falava coisas do tipo "mas você é o melhor aluno" ou "suas notas são tão altas" então acabava que ele desistia, certamente ele é o melhor da escola, caso ele saísse toda a reputação do local iria ladeira abaixo

Desde que Tenko, agora Tomura, foi embora sua coragem e autoestima caíram em níveis absurdos, o menor estava sempre com o melhor sorriso estampado no rosto, agora... era difícil até para arrancar um misero sorrisinho de lado, antes ele nunca abaixava a cabeça para ninguém e sempre batia com os problemas de frente, agora ele já decorou as posições dos azulejos e toda a escola sempre evitando problemas

Tomura certamente fez muita falta...

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