AUTORA POV.
Dois dias desde que Sierra havia entrado em coma tinham se passado.
A luz dourada do entardecer banha os corredores do hospital, lançando sombras alongadas e criando um ambiente de serenidade misturada com urgência. O sol, prestes a se pôr no horizonte, pinta o céu com tons de laranja e rosa, enquanto a cidade lá fora continua pulsante com vida.
No quarto de Sierra, o tempo parece suspenso em um limbo de ansiedade e esperança. O brilho suave da tarde filtrado pelas cortinas abertas dá à cena uma aura de calma tensa. As máquinas médicas zumbem ritmicamente ao lado da cama de Sierra, ecoando os batimentos cardíacos que mantêm seu frágil corpo conectado ao mundo exterior.
Enquanto o dia chega ao fim lá fora, as visitas no hospital não diminuem. Familiares e amigos chegam em um fluxo constante, seus passos ecoando pelos corredores enquanto se dirigem aos quartos dos pacientes. Há murmúrios de conversas preocupadas, lágrimas contidas e suspiros de alívio quando notícias positivas são compartilhadas.
Enquanto a cidade continua sua dança cotidiana, dentro daqueles corredores, cada segundo parece uma eternidade, cada batida do coração de Sierra uma contagem regressiva para a esperança ou a devastação.
A porta do quarto se abre lentamente, revelando a figura imponente do tio Henry. Seus passos são pesados, ecoando pelo silêncio do ambiente hospitalar, enquanto ele se aproxima da cama de Sierra com uma expressão sombria.
O ar ao redor parece pesar, carregado com uma tensão palpável que parece sufocar até mesmo os respiradores. O olhar de Henry é penetrante, cheio de uma intensidade que parece cortar através da tranquilidade do quarto, deixando um rastro de inquietação no ar.
Seus lábios se curvam em um sorriso que não alcança seus olhos, revelando uma faceta sombria de sua personalidade. Talvez pelo fato de nunca mais ter visto Sierra. Cada movimento dele é calculado, cada gesto carregado com uma sensação de mal-estar que se infiltra nos cantos mais profundos da sala.
Ao chegar ao lado da cama de Sierra, Henry permanece ali por um momento, observando-a com uma expressão indescritível. O silêncio é ensurdecedor, quebrado apenas pelo som monótono dos equipamentos médicos ao redor.
Seus olhos percorrendo cada centímetro do rosto agora adulto da garota. Ele parece surpreso com a transformação que ocorreu desde que a viu pela última vez.
- Sinto-me velho só de olhar para você agora, Sierra. E olha que estou bem para meus 40 anos. - Ele murmura, sua voz carregada de uma mistura de admiração e cautela. - Você cresceu tanto desde que deixou a cidade grande. Tornou-se uma mulher.
Seu olhar se fixa nas feições serenas de Sierra, como se estivesse tentando decifrar segredos escondidos em sua expressão tranquila.
- Mas não se engane, minha querida. - Ele continua, sua voz tomando um tom mais sombrio. - Mesmo que tenha crescido, ainda é vulnerável. E é minha responsabilidade protegê-la.
Henry se inclina para mais perto da cama de Sierra, sua voz sussurrando em um tom baixo, quase conspiratório, como se estivesse compartilhando segredos com ela.
- Você não tem ideia do que causou, Sierra. - Ele murmura, sua voz carregada de uma mistura sinistra de preocupação fingida e satisfação dissimulada. - Tudo isso por causa de suas tolices. E agora, olhe para você, deitada aqui, indefesa.
Seus olhos fixam-se no rosto imóvel de Sierra, como se esperasse por uma resposta que nunca virá.
- Mas não se preocupe, minha querida. - Ele continua, sua voz suave como uma serpente pronta para dar o bote. - Eu estou aqui para cuidar de você. Para garantir que tudo se resolva da melhor maneira possível.
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PALOS VERDES || TOM KAULITZ.
FanfictionESSA OBRA É UM DARK ROMANCE ✖️ +18. Eu não queria perder eles. Não queria perder Tom. PALOS VERDES acabou com o último resquício de sanidade que tinha na minha família. E agora, eu teria que carregar o peso de minhas ações pecaminosas pelo resto da...