Fagundes
— ela é tão inteligente, espero que o bom gosto dele dure pra sempre — ouço a voz do Monteiro acompanhada de uma risada.
Anne e Lucca brincavam e enquanto isso nós ouvíamos a conversa dos dois. A menina era sagaz e desenrolada, falava pra caraca e o Lucca olhava pra ela quietinho.
Hoje o dia tava pelo lazer, uma tranquilidade sem fim e eu tava até estranhando, quando tá calmo desse jeito a gente desconfia até da própria sombra.
Vejo Lucca correndo na nossa direção enquanto ela ficou sentada montando o castelo com as peças de encaixe.
— fala tu, pai...ela é linda né — encarei o Lucca que sorria de ponta a ponta e o Monteiro só ria do moleque.
Ele tava vidrado nela, admirando mesmo.
— ela é espertona filho, igual tu — ele se ajeitou na cadeira e passou a mão pelos fios do cabelo do Lucca, arrumando.
O menor tava suado de tanto que correu pra lá e pra cá com a Anne, os cabelos dela estavam grudando na testa também. Ela começou a brigar com o laço pra amarrar o cabelo e dava dó de ver ela se matando.
— Anne — chamei por ela que levantou o rosto me olhando — vem cá — assim que chamei com a mão ela se levantou do chão e deixou as peças pra trás.
— tio, tá muito difícil, meu cabelo tá pesado — dei uma risadinha com a cara de exausta dela.
O cabelo da Anne era cheio, enrolado e cumprido, lindo demais...dava pra ver que era bem cuidado, era brilhoso e macio.
— vira aí que o tio amarra pra tu — ela virou de costas e eu com as poucas habilidades fui ajeitando um rabo de cavalo puxando os fios suados e ajeitando embaixo da nuca.
— tio ? — ouço ela me chamar enquanto termino de amarrar e ela vira de frente pra mim — você não tem um neném ?
Eu queria dizer que tenho, queria muito principalmente se fosse como ela, mas não tenho.
— não, o tio não tem — passei a mão pela sua testa secando um pouco do suor.
— hum...— vejo ela levar o dedo indicador próximo da têmpora e bater delicadamente como se estivesse pensando — tive uma ideia.
— fala tu, princesa — a essa altura Monteiro e Lucca que estavam do nosso lado observavam a conversa e Júlia se aproximava deles.
— eu não tenho um papai e você não tem um neném, eu posso ser seu neném e você pode ser meu papai — caralho, moleque eu gelei.
O Monteiro simplesmente congelou como eu e Júlia parecia ganhar brilho na sua feição. Lucca sorria pra ela igual um besta e ela parecia perder o brilho com a minha reação.
— desculpa, tio...se meu papai não me quis, porque você vai querer né ? — ela deu de ombros e vi seus olhos encherem.
— Anne, não é isso não — segurei suas mãoszinhas e percebi que uma lágrima já escorria — o tio só ficou surpreso, porque ele sempre quis um bebê igual tu — ela sorrio de largo e soltou das minhas mão pra me dar um abraço.
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Mentira Letal [M]
Ficción GeneralIsla e Fagundes são de mundos completamente diferentes, mas que por uma fração de segundos se atraíram e dessa atração um amor avassalador e intenso nasceu, esse mesmo amor trouxe para Isla uma decepção. Uma mentira letal transformou o rumo de suas...
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