Capítulo 12

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Harry on:

De repente a sala está muito sufocante. O ar parece querer fugir de mim e estou um pouco tonto. Riddle está impassível, sua máscara sem expressão bem posicionada. Ainda não sei o que dizer a ele. A verdade está fora de questão. Não posso dar a ele outra moeda para barganha.

Minha dor de cabeça aumenta exponencialmente.

Riddle pareceperceber meu desconforto, e da um acena vago na direção do sofá

"Vamos nos sentar."

Balanço a cabeça afirmativamente e me sento. Depois de um suspiro, começo meu relato:

"Dorian e eu, como sabe, nos conhecemos em Dustrang no meu sexto ano. A organização de Dustrang, como uma escola que aceita apenas crianças criadas no mundo bruxo, é muito semelhante à organização interna da Sonserina. Lutas internas, tanto política quanto física, são comuns, e os novatos e páreas têm uma vida bem difícil lá. Quando cheguei, precisei levar a sério meus estudos e melhorar meu desempenho acadêmico. Além de estar sempre em guarda para peladinhas e sabotagem. Algumas muito maldosas, por sinal.

Enquanto Dorian e eu estudávamos juntos, ele se mostrou um competidor formidável, sempre um passo à frente, mas nunca hesitando em me dar uma mão quando necessário. No entanto, havia algo nele, uma sombra por trás daqueles olhos frios para tantos, mas calorosos para mim, que me deixava desconfortável. Eu o admirava e odiava em igual medida, uma dualidade constante que parecia alimentar nossos confrontos.

Nossa relação era uma dança entre amizade e rivalidade, onde cada movimento era calculado para obter vantagem sobre o outro. A cada desafio superado, a tensão entre nós crescia, alimentada pela busca implacável pelo domínio. Às vezes, me perguntava se Dorian era realmente meu amigo ou apenas estava esperando pelo momento certo para me derrubar.

E então veio o incidente que mudaria tudo. Uma noite, na sala comunal, eu estava sentado lendo e dorian estava socializando com nossos colegas, uma atividade indesejável e um tanto maçante.

Ele havia sido colocado sob a maldição cruciatos e eu o defendi. A partir daí, nossa estranha amizade se tornou um relacionamento, e mais tarde um namoro.

Aquela noite assombrou meus sonhos por anos depois de nos separamos, me deixando com uma sensação de culpa e dúvida. Será que poderia ter feito algo diferente? Poderia ter evitado aquele desfecho? As respostas permaneceram elusivas, enterradas sob camadas de arrependimento. Se eu pudesse, jamais me tornaria algo mais de Dorian.

Quando acabamos Drunstang, passamos algum tempo separados. Eu estava na França treinando com um amigo que Dumbledore me indicou e Dorian fez contato comigo novamente. Logo, reatamos.

Algum tempo depois, eu e Dorian estávamos tendo vários desentendimentos, e meu mestre não gostava dele. Um, em particular, abriu meus olhos para quem era realmente Dorian Markov, e nós nos separamos e não voltamos a nos ver.

Desde então, Dorian se tornou uma sombra pairando sobre minha vida, uma lembrança constante de um passado que preferiria esquecer. E agora, com sua aparição repentina na Grã-Bretanha, as feridas antigas foram reabertas e novos problemas surgiram "

Enquanto me perco em pensamentos, Riddle observa atentamente, captando cada nuance de minha expressão. Seus olhos escuros brilham com uma intensidade calculada, como se estivesse montando peças de um quebra-cabeça complicado.

Finalmente, quando termino minha narrativa, há um silêncio tenso entre nós, quebrado apenas pelo eco de nossas respirações irregulares. Riddle parece contemplativo, como se estivesse avaliando suas próximas jogadas com cuidado meticuloso.

"Interessante", ele murmura finalmente, um sorriso de satisfação dançando em seus lábios. "Você sempre teve um talento para se meter em encrenca, Harry."

Meus músculos se contraem involuntariamente, uma reação ao tom mordaz em sua voz. Por um momento, sinto-me como um animal encurralado, pronto para lutar ou fugir a qualquer momento.

Mas então, com um esforço consciente, relaxo minha postura, deixando de lado a tensão que se acumulou dentro de mim. Não posso me dar ao luxo de perder o controle agora, não quando há tanto em jogo.

"Eu apenas vivi minha vida, Riddle", respondo com calma, forçando minhas palavras a permanecerem firmes. "Assim como você viveu a sua."

Seus olhos faiscam com uma intensidade que me deixa arrepiado. É um olhar que conheço bem, uma mistura de desafio e admiração que parece ecoar através dos séculos.

"Touché, Harry", ele murmura, seu sorriso se alargando em um gesto quase predatório. "Mas a vida é feita de escolhas, não é? E agora você tem uma escolha a fazer."

Sinto um nó se formar em minha garganta, uma sensação de inevitabilidade pairando sobre nós. Não importa o que eu escolha, sei que o destino está selado. Eu só espero ter a coragem e a determinação para enfrentar as consequências de minhas ações.

Mas, por enquanto, só posso esperar e observar enquanto o jogo se desenrola diante de mim, cada movimento calculado com precisão mortal. E quando chegar a minha vez de jogar, farei o que for preciso para proteger aqueles que amo, mesmo que isso signifique enfrentar o próprio diabo em pessoa.

Me levanto, e, por mais que minha história tenha lacunas -muitas- Riddle me deixa ir.






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