Capitulo 7

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Harry on:

A hora da primeira dança chegou e seria a hora de Tom e eu abrirmos as danças. Era uma música lenta, e eu tive que fingir estar apaixonado por Riddle - Riddle! - e dançar com um sorriso grudado no rosto.

Apesar de tudo isso, eu estava ansioso com outra coisa. Meu passado estava voltando para me assombrar e meu futuro era tão incerto e um pouco cinza. Não existem mais os sonhos e esperanças que eu tinha quando estava em Drunstang ou até mesmo na França. A realidade do meu mundo veio e me alcançou com uma facilidade excepcional. Agora, vendo Dorian, vendo alguém que significava tanto para mim, que significava um sonho colorido, um futuro brilhante, parado na minha frente novamente, dói. Dói porque eu estou preso a um casamento sem amor. Dói porque minha irmã está sofrendo. Dói muito.

Tom sorri para mim. Aquele sorriso lindo e falso que sempre me irritou. Ele me oferece a mão e começamos a dançar pelo salão. A cada movimento, cada passo, sinto a frustração aumentar dentro de mim. Meus membros estão rígidos e minha cabeça dói. Minha magia está agitada sobre minha pele, odiando estar contida, exigindo libertação.

O que eu vou fazer? A pergunta ecoa na minha cabeça, impedindo-me de tentar relaxar. O sorriso de Riddle está travado, irreal. O som de vozes conversando, de pessoas trocando insultos velados, da música lenta e da respiração próxima de Riddle me deixa tonto. Quero sumir, quero destruir. Odeio tanto isso. Odeio fazer o que não gosto, odeio falar com pessoas falsas e gananciosas. Odeio e quero me livrar de tudo isso. Quero me livrar de Riddle, de Dorian e de mim mesmo.

O tempo não passa. A dança nem sequer está na metade. Riddle também parece desprezar o que estamos fazendo, posso ver em seus olhos. Esse pensamento me enjoa. Ele também odeia tudo isso. O fingimento. Mas é orgulhoso demais, ambicioso demais e idiota demais para admitir.

"Você está bem, Harry?" Ele pergunta numa voz falsamente doce, afinal qualquer um poderia ouvir. Um arrepio corre por minha coluna e de repente o lugar onde as mãos dele me tocam está muito quente.

"Sim, sim. Apenas uma pequena dor de cabeça."

"Seu amigo, Dorian, é muito interessante." Sua voz promete retribuição por esconder algo assim. Tolo! Jamais iria falar de Dorian para ele, Riddle não tem o direito de saber de minhas interações pessoais.

"De fato. Ele foi meu primeiro amigo em Drunstang." *E muito mais depois.* Completo em pensamento.

A dança continua e minha magia está desesperada para se libertar. Ela quer matar, quer tocar a morte. Minha magia ama a morte. Ela quer estar sempre em contato com ela. Sinto as minhas tatuagens esquentarem, minha magia tentando vazar por elas. O aperto das mãos de Riddle se intensifica, advertindo. Minha cabeça está um caos, mas me forço a reprimir minha magia.

E a dança prossegue, enquanto sinto uma angústia crescente se apoderando de mim. Cada passo ao lado de Riddle parece intensificar a tempestade que ruge em meu interior. Minha magia, inquieta e voraz, pulsa sob minha pele, como se buscasse desesperadamente uma forma de escapar. É como se estivesse presa em uma gaiola, batendo suas asas contra as grades, clamando pela liberdade que tanto anseia. As tatuagens em meu corpo parecem arder com uma intensidade abrasadora, como chamas ansiosas por consumir tudo ao seu redor. Para matar, para destruir. Meu ódio reprimido apenas a alimenta.

Riddle, percebendo minha agonia, aperta minha mão com mais firmeza, um gesto que é ao mesmo tempo reconfortante e opressivo. Sinto-me sufocado, como se estivesse afundando cada vez mais, inquietação e desespero tomando conta de mim. E enquanto ele me puxa para mais perto, ignorante da tormenta que se desenrola dentro de mim, sinto que cada movimento, cada gesto, é uma batalha para manter minha fachada, para esconder a escuridão que ameaça transbordar a qualquer momento.

Enquanto o salão ao nosso redor dança ao som da música suave, sinto-me desconectado da realidade, envolto em um redemoinho de emoções tumultuadas. O sorriso de Riddle, tão falso e enganador, é como uma faca cravada em meu coração, lembrando-me da farsa que é nossa união, e eu me pego desejando que fosse real, pela primeira vez. É como se estivéssemos dançando sobre uma corda bamba, equilibrando-nos precariamente entre o desejo de liberdade e as correntes que nos prendem.

Por um momento, sinto-me tentado a ceder à escuridão que ruge em meu interior, de acabar com isso. A tentação de deixar minha magia se libertar, de abandonar toda pretensão e abraçar a selvageria que me habita, é quase irresistível. Mas sei das consequências, sei que sucumbir a essa tentação só traria destruição, tanto para mim quanto para aqueles ao meu redor. Não é como se fosse a primeira vez.

Com um esforço extremo, ergo os muros que me separam da escuridão, cerrando os dentes contra a tempestade que se agita dentro de mim. É uma luta desesperada, uma batalha pela minha própria alma, algo além dos caprichos anteriores, mas é uma luta que sei que devo vencer.

Finalmente, a dança chega ao fim, deixando-me exausto e tremendo. Respiro fundo, tentando recuperar o equilíbrio, entretanto não me afasto de Riddle, sabendo que ele espera que eu fique ao lado dele. Por fora, estou completamente normal, mas a minha luta interna continua, uma sombra pairando sobre mim, lembrando-me das profundezas de minha própria escuridão e magia.

Nem um minuto depois, Dorian se aproxima novamente, com os olhos fixos em mim e um sorriso maroto no rosto.

Imediatamente eu percebo que vai dar merda.









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