Capítulo 24

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Harry on:

Tudo era simplesmente... demais. Depois de deixar Isabelle em seu quarto, profundamente adormecida, vou até a biblioteca. O lugar era calmante e me lembrava a biblioteca de Hogwarts, então eu amava passar um tempo lá.

Desolado, me jogo numa das poltronas. Esfrego meu rosto e bagunço meu cabelo. Não deveria ter sido tão grosso com minha irmã, ela só queria uma família que a amasse. E eu sei que eu não basto.

A biblioteca está silenciosa, envolta em uma tranquilidade que contrasta com o turbilhão de emoções dentro de mim. As sombras das estantes de livros parecem dançar sob a luz suave das lâmpadas, criando um ambiente quase etéreo. Fecho os olhos e suspiro, tentando encontrar algum conforto na familiaridade do local.

Não posso deixar de pensar no rosto de Isabelle, a expressão de tristeza e desilusão quando eu fui abrupto com ela. Ela merece mais do que isso, mais do que eu estou conseguindo oferecer. E, apesar de todas as minhas preocupações e reservas, eu sei que Tom está tentando fazer o melhor por ela. Mas isso não diminui o medo constante de que algo dê errado.

O som de passos suaves me tira dos meus pensamentos. Abro os olhos e vejo Tom parado na entrada da biblioteca. Ele está impecavelmente vestido, como sempre, mas há uma expressão de cansaço em seus olhos que me faz sentir uma conexão momentânea. Ele não é apenas meu adversário; é alguém que também carrega um fardo pesado.

"Harry," ele diz, entrando na sala e se aproximando de mim. "Posso me sentar?"

Faço um gesto de assentimento, e ele se senta na poltrona ao lado. Por um momento, o silêncio entre nós é palpável, cheio de coisas não ditas e de sentimentos complicados.

"Isabelle está bem?" ele pergunta, a voz suave, mas cheia de preocupação genuína.

"Ela está dormindo," respondo, tentando manter minha voz neutra. "Mas... eu fui grosso com ela. Não deveria ter feito isso."

Tom inclina a cabeça, estudando-me com atenção. "Você se preocupa muito com ela. Isso é compreensível. Mas você também precisa cuidar de si mesmo, Harry. Não pode carregar o peso do mundo sozinho."

"Eu sei," digo, esfregando novamente meu rosto. "Mas é difícil. Tudo isso é difícil. Eu só quero que ela seja feliz."

Tom fica em silêncio por um momento, então fala com uma seriedade que raramente vejo nele. "Harry, eu sei que nossa relação é complicada. Mas acredito que podemos trabalhar juntos pelo bem de Isabelle e o nosso próprio. Não somos inimigos aqui, não deveríamos passar o resto de nossas vidas lutando um contra o outro. E, como mencionei antes, tenho ambições políticas. Sua cooperação poderia ser benéfica para ambos."

A menção de suas ambições políticas me faz sentir um arrepio de desconfiança, mas ao mesmo tempo, eu sei que ele está falando a verdade. Isabelle merece uma chance de ser feliz, e talvez isso signifique aceitar a ajuda de Tom, mesmo que isso vá contra meus instintos.

"Eu espero que você esteja certo, Tom, nós realmente deveríamos manter essa trégua" digo finalmente, a voz cansada, mas sincera. "Isabelle merece isso."

Tom se levanta, e por um momento, ficamos ali em silêncio, dois adversários tentando encontrar um terreno comum pelo próprio bem e o de alguém que ambos valorizam.

"E nós também." Completo.

Ele faz um leve aceno de cabeça antes de sair da biblioteca, deixando-me sozinho com meus pensamentos.

Enquanto olho para as estantes cheias de livros, me pergunto por que Tom está tão investido em Isabelle. Parte de mim suspeita que ele tenha segundas intenções, que sua preocupação seja uma fachada para alguma ambição maior. E, claro, há a aliança política entre nós. Isabelle é um elo que nos conecta, talvez mais do que qualquer outra coisa.

Mas há momentos, raros e breves, em que vejo algo genuíno em seus olhos quando fala dela. Algo que me faz questionar se, por trás de toda a frieza e calculismo, Tom realmente se importa. Não posso ignorar o fato de que ele tem tratado Isabelle com uma gentileza que eu não esperava. Talvez ele veja nela algo que o lembra de uma parte perdida de si mesmo, ou talvez ela seja uma peça crucial em seus planos. O fato é que, por mais que eu tente entender, a mente de Tom Riddle é um enigma complexo e muitas vezes insondável.

Fecho os olhos e tento imaginar um futuro onde Isabelle possa ser feliz, onde possamos, de alguma forma, funcionar como uma família, mesmo que isso signifique trabalhar ao lado de Tom. O pensamento é fugaz, e logo me repreendo mentalmente por isso, lembrando-me de todas as complicações e perigos.

Mas, talvez, apenas talvez, haja uma chance de fazer isso funcionar. Por Isabelle, vale a pena tentar.

Com esse pensamento, tento me concentrar nos próximos passos. Amanhã será um novo dia, e eu precisarei de toda a força e clareza possíveis para navegar pelas complexidades dessa nova dinâmica. Por agora, deixo a biblioteca e caminho pelos corredores silenciosos da mansão, pensando em como proteger minha irmã e, ao mesmo tempo, lidar com as intrincadas tramas de Tom Riddle.

Enquanto passo pela porta do quarto de Isabelle, paro por um momento e a ouço respirar suavemente. Prometo a mim mesmo que, independentemente do que aconteça, vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que ela tenha a vida que merece. Com esse pensamento, sigo para o meu próprio quarto, esperando encontrar algum descanso antes que o sol nasça novamente e traga consigo novos desafios.




















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