Capítulo 13

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Harry on:

No dia seguinte, o professor Dumbledore me mandou uma carta que, ao meu ver, não poderia ter vindo em uma hora melhor.

"Harry,

Estou preocupado com você, não sei o que seus pais fizeram para atraí-lo de volta à Inglaterra, muito menos por obrigá-lo a se casar com seu antigo rival. Venha, se possível, almoçar comigo hoje, ao meio-dia, aqui em Hogwarts. Depois, desejo conversar e espero que você possa acalmar as preocupações deste velho.

Até breve,
Dumbledore"

Com um suspiro, me jogo para trás e sinto a cama macia nas minhas costas. Ainda era incrivelmente cedo e eu quase não dormi essa noite. Apesar do cansaço, o sono não veio e meus pensamentos continuaram turbulentos.

O que Tom está pensando sobre tudo isso? O que fazer com Dorian? Por que estou pensando novamente naquele beijo, que sem dúvida não passou de algo sem significado, apenas outra das muitas brigas entre mim e Riddle? O que Dorian fará a seguir? Como controlar minha magia?

São perguntas demais para a pouca quantidade de respostas que eu tenho. Dumbledore, espero, poderá me ajudar com algo.

A manhã passa rapidamente e, quando dou por mim, já é hora de encontrar o professor. Não vejo Riddle desde a conversa de ontem, então sairei sem avisar. Não é incomum eu fazer isso, então ele não se aborrecerá. Eu espero.

Aparato em Hogsmeade e vou até Hogwarts andando. Quando entro, vejo um grande fluxo de alunos indo para o grande salão almoçar. Sinto, de repente, uma nostalgia me invadir. Lembro-me bem de quando era eu no lugar daqueles alunos, com pouca ou nenhuma preocupação. Apenas pensando na próxima partida de quadribol ou nos exames do final do ano. Era uma época boa. Até os meus 15 anos, eu pude ser verdadeiramente uma criança. A partir daí, precisei amadurecer muito rápido para lidar com minha herança mágica e com o peso que vinha junto com ela.

Ao entrar no hall de entrada, vejo Dumbledore esperando por mim. Seu olhar tranquilo e acolhedor traz uma sensação de segurança.

Aproximo-me, sentindo uma mistura de alívio e apreensão, ansioso para a conversa que teremos.

Dumbledore me encarou com aqueles olhos brilhantes e seu rosto de avô. Ele realmente foi um avô para mim. Algumas pessoas podem dizer que isso é uma fachada, e talvez seja para alguns, mas eu sei que Dumbledore se importa comigo o suficiente, e isso está bom para mim.

Às vezes eu imagino como seria a minha vida se Dumbledore soubesse de tudo o que acontecia na casa dos Potter. Ele sabia que eu não gostava dos meus pais, e que James Potter era um homem difícil, para dizer o mínimo. Mas não imaginava nada sobre a minha irmã Isabelle, muito menos sobre o que faziam com ela ou as punições severas de mais inflingidas a mim.

Sinto meu coração apertar ao pensar na minha irmãzinha pequena. Eu ainda não tinha 7 anos quando vi isso pela primeira vez: vi meu pai espancá-la, furioso porque ela havia nascido sem magia. Ela mal tinha alguns anos. A imagem dela chorando e indefesa sempre retorna quando menos espero, trazendo uma onda de tristeza e impotência.

Dumbledore deve ter percebido minha expressão, pois seu semblante se suavizou ainda mais. Ele se aproximou e colocou uma mão reconfortante em meu ombro.

"Harry, estou aqui para ajudá-lo — disse ele com a voz gentil. — Vamos conversar em um lugar mais reservado."

Assenti e o segui em direção ao seu escritório, sentindo uma pequena fagulha de esperança de que, talvez, Dumbledore pudesse realmente me ajudar a encontrar algumas respostas e um pouco de paz.

Ele me direciona para a mesa, que no meio do escritório já estava montada com alguns pratos e uma travessa de comida fumegante na frente. O professor me acompanha até ela e espera eu sentar para se sentar também. Ele me encara com uma expressão gentil de avô, o que acaba me acalmando. De repente, lembro-me que não fiz nenhuma besteira e não estou sendo chamado para receber um castigo. Bom, aquela época foi boa, mas agora realmente preciso do meu diretor, além do mais, do meu mentor, para me ajudar a manter firme.

O marido de Tom Riddle Onde histórias criam vida. Descubra agora