– Eu não acredito que você recebeu um oral em cima da bancada da cozinha – Tenho que colocar a mão sobre a boca de Jimin quando ele praticamente grita as palavras. Estamos no bar, o local está relativamente cheio, me fazendo parceber que talvez não tenha sido uma ideia muito boa contar o acontecido para alguém tão expressivo e sem filtros neste ambiente.
– Pelo amor de Deus Jimin, mais baixo – Praticamente imploro.
– Desculpa – Ele murmura baixinho – E você gostou? Como foi? – Pego Jimin pela mão, nos puxando para um canto mais afastado, sem muitas pessoas ao redor.
– Eu gostei, foi diferente – Comento baixinho, envergonhada. Meu amigo me encarava curioso, parecia querer saber cada mínimo detalhe.
– E depois, o que aconteceu? – Jimin continua interessado no assunto.
– Eu sai correndo Ji, sei lá entrei em pânico – O mais velho pressiona os lábios um contra o outro fortemente segurando o riso – Não ri! Eu não sabia o que fazer, é muito difícil ser inexperiente – Suspiro pesado, deixando toda minha frustração transparecer nessa lufada de ar.
– Não pensa muito, se é da sua vontade só deixa rolar – Jimin comenta segurando o sorriso – Abre as notas do Celular aí, vou te dar uma aula filhota, vai sair daqui pronta para qualquer situação – Faço o que ele diz, abrindo o aplicativo de mensagens na nossa conversa, deixaria tudo salvo ali.
O restante do turno é tranquilo, ficamos conversando sobre coisas banais enquanto limpavamos as mesas. Não fazia tanto tempo assim desde a última vez que nos vimos, porém eu e Jimin sempre temos milhares de assuntos para discutir, é algo impressionante se parar para pensar, nós dois nunca ficamos sem assunto.
Consigo voltar para casa relativamente cedo naquela noite, isso acaba melhorando meu humor um pouco, mesmo que Jimin não pudesse ir para casa comigo, já que segundo o mais velho ele tinha algo para resolver, não fico chateada, sequer insisto em me aprofundar muito no assunto, Jimim parecia nervoso, tenho certeza que quando se sentir confortável vamos conversar sobre o que quer que seja.
No dia seguinte aproveito o tempo ensolarado para fazer uma geral no apartamento, desse jeito poderia ser produtiva, ajudando minha cabeça a se manter ocupada, pensando em qualquer outra coisa que não sejam o jantar na casa da mãe do Jungkook na parte de noite.
Ultimamente minha mente estava um turbilhão, um misto de sensações e emoções, me sentia ansiosa tentando encaixar meus pensamentos, porém parecia impossível seguir uma lógica, dizer exatamente o que estava sentindo, ou o que esse sentimento significava. Sempre que penso muito sobre, sinto medo de estar confundindo as coisas, me apegando a algo que não é real, a alguém que não é meu.
A noite cai enquanto eu me apronto, conforme o tempo vai passando, a hora combinada fica cada vez mais próxima. Não tivemos grandes interações depois da última noite em que nos vimos, de certo modo me alivia esse tempo sem muito contato, com Jungkook por perto as vezes fica difícil clarear as ideias, me sinto febril, de verdade, para ser honesta temo que eu esteja de fato enlouquecendo aos poucos.
A campainha toca alto atraindo minha atenção, faço meu caminho pelo apartamento na metade do tempo que geralmente levo.
Respiro profundamente antes de abrir a porta e sair, não precisava olhar para frente para saber quem me esperava do outro lado.
– Pronta Cecilia? – Ele pergunta assim que ergo meu rosto na sua direção. Balanço a cabeça positivamente respondendo sua pergunta, não acho que tenha que falar algo a mais.
Seguimos em completo silêncio até o estacionamento, silêncio esse que se instala durante o trajeto também. Jungkook está mais calado do que normalmente, sinto vontade de perguntar se algo aconteceu, porém mordo minha língua com força evitando que esse pensamento se materialize em palavras, da última vez não acabou nada bem, preferia guardar minha curiosidade para mim e ter uma noite tranquila.
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Mirrorball
FanfictionDurante os dois anos em que Cecilia vive na Inglaterra, sua interação com seu vizinho tatuado que vive com um cigarro mentolado preso entre os lábios, é limitada a breves palavras. Contudo, um momento de desespero a leva a contar uma mentira precipi...
