Cuidado com a garota

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Havia incontáveis formas de morrer,

As vezes gostava de imaginar a minha morte, idiota, eu sei. Quem gosta de se imaginar morrendo? Talvez fosse algum distúrbio psicológico, nunca tinha parado para pesquisar sobre isso, não achava importante. Mas, não deveria ser normal.

O problema era que eu achava a morte algo fascinante, imagina só, uma pessoa simplesmente deixar de existir? Nunca mais falar, ouvir, sentir, comer, chorar, sorrir. Nunca mais fazer nada. Não era louco? A gente passava anos da vida se fodendo e no fim? Morria, que patético. Mas o engraçado disso tudo era que, por muitas vezes a gente pensava tanto no morrer, que esquecíamos de viver.

O que eu havia feito da minha vida?

Cresci no meio das regras ridículas da minha mãe, dos treinamentos disfarçados de diversão do meu pai, das tentativas de assassinato do meu irmão. E então, de uma hora para outra estava simplesmente sozinha, com o direito de fazer o que eu quisesse. E o que foi que eu fiz? Digo, por mim? Nada.

Por anos me iludi estupidamente dizendo que a escolha de ter seguido a carreira do meu pai, tinha sido minha, sério, durante os treinamentos eu me dizia que aquilo era um rumo para mim, algo que me desse um motivo para querer continuar existindo. Morrer era fácil de mais, o difícil era acordar todo santo dia e ainda assim querer viver. Mas era isso, uma mentira deslavada na ridícula tentativa de ter algo no qual me agarrar a esse mundo.

- Você acha que vai funcionar?

Zyon questionou enquanto esmagava os próprios dedos na barra da camisa dele, sentado na mesa que a algum tempo atrás estava recheada de pessoas pensando em como resolver mais uma missão.

Olhar para meu amigo, para o único motivo naquele momento que me fazia adorar respirar temendo morrer me fez odiar um pouco mais Deus ou o cão.

Seja lá quem esteja mexendo os pauzinhos para que ele e eu estivéssemos naquela situação. O medo de Ridller em relação a sua cirurgia era mínima, a preocupação verdadeira vinha no depois, no será.

Será que ele conseguirá andar?

Será que ele conseguirá falar?

Será que ele conseguirá ser ele mesmo?

Será que ele irá viver ou apenas existir?

As sequelas poderiam ser catastróficas, dependendo de como ele acordará será pior do quê a morte e eu sabia, sabia com cada fibra da minha existência que não estava ao meu alcance, que não era algo que eu poderia controlar. Sabia que mesmo que eu estivesse pesquisando os melhores profissionais do mundo. E que não importa o que eu precisasse fazer para que ele voltasse para mim inteiro eu faria. Ainda assim não era algo que dependia de mim e isso me enfurecia ao mesmo tempo que me amedrontava.

Segurei nas mãos geladas dele, dei um sorriso de lado torcendo para que ele sentisse minha confiança, e certamente prometendo algo que eu não deveria prometer eu assentir firme, rápido, confiante.

- Vai dar certo, Zyon, eu prometo!

Os olhos dele me encararam de um jeito pequeno de mais para alguém tão grande e que já havia enfrentado tanta coisa e ainda assim, enchendo meu coração de uma coisa grande de mais para ser nominada ele sorriu com fé, fé em mim.

Batidas na porta nos tirou de uma bolha dolorida e nos fez olhar em direção ao som. Belantrix estava em pé na porta, nervosa, corada. Olhando para Zyon como se ele fosse um pedaço do céu. Meu amigo se levantou, fiz o mesmo notando que ela havia vindo atrás dele, entendi rápido de mais o que aquilo significava. Ridlle olhou para mim, uma sobrancelha erguida, um brilho predatório, algo morno. Voltei o olhar para a mulher que mais parecia uma coelhinha fofa, indefesa e cruzei os braços. Daquilo não sairia algo bom, inteiro. Mas não me movi contra, que os Deuses me perdoassem, mas eu não tiraria de Zyon, algo que poderia ajudá-lo naquele momento.

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