A sua conta e risco

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O machismo é algo enraizado,

Desde o início dos tempos, lá na porra da época dos homens primitivos ter uma mulher na liderança era algo problemático, A sociedade havia evoluído em muitas áreas, já havíamos nos modernizados para caralho e ainda assim, ter uma mulher á frente de um rebanho de homens ainda era algo inaceitável para muitos, principalmente no meu local de trabalho, onde homens achavam que lugar de mulher era em casa e não com uma arma na mão e muito menos dando ordens a eles.

O engraçado é que o machismo existia até mesmo naqueles que defendem o poder da mulher e o direito delas estarem onde quiserem. Infelizmente, muitas mulheres carregavam o machismo com elas, afinal, o machismo ainda era considerado cultural.

Jade me odiava por achar que eu havia dado encima de um macho que ela era apaixonada, quando na verdade eu havia sido assediada. Mas isso não importava porque ele era homem e homem tinha a carne fraca, a culpa era minha por usar roupas justas de mais, por sorrir ou existir. Eu quebrei a mão do infeliz e ainda assim, o meu não foi sugestivo, foi insinuativo, não foi firme o suficiente.

A culpa nunca era do homem.

Meus resultados estavam expostos para todos, minha inteligência, minha capacidade, aqui ninguém podia dizer que eu era menos capaz que um homem por não ter a porra de um pau e ainda assim diziam.

- Meu filho é capaz, Ariel.

Não era, mas tinha pau e isso devia ser credencial.

Félix era insuportável, arrogante, tentava suprir o tamanha do pau com o tamanho do ego mas era um homem inteligente, tinha boas estratégias, entendia do jogo da guerra como muitos não faziam. Eu respeitava a bagagem que ele tinha e essa era a nossa diferença, ele não me respeitava. E achava que podia me vencer no grito isso só me cansava e o irritava.

Já havíamos discutido isso algumas outras vezes, nas primeiras eu perdi meu tempo tentando explicar que o filho dele não sabia trabalhar em equipe, eu não confiava a vida dos meus parceiros nas mãos dele. E não tinha como ir para um inferno de balas sem confiar em quem deveria proteger minhas costas.

Não ergui meus olhos dos relatórios que Belantrix havia me entregado, ela era quem liderava a base de informações da minha equipe, quase sempre.

1 2 3 ....

O estrondo vibrou a mesa como o esperado, controle emocional não era algo que ele carregava na bagagem, pelo menos não quando o assunto era o tesouro do seu filho, Darius era alguém com potencial, o problema era que ele tinha a síndrome de rei, onde só ele sabia, só ele prestava, e isso, aqui não funcionava. Ergui a cabeça preguiçosamente finalmente dando atenção a Félix que estava em pé, as mãos abertas no tampo da mesa o corpo inclinado em minha direção nitidamente contrariado.

- Você acha?

Questionei com calma, traçando uma nova rota, Félix rápido de mais assentiu me fazendo realmente questionar se ele acreditava ser seguro colocar a porra da bomba do filho dele no campo. O encarei não deixando de notar que agora éramos o centro da atenção, não passou despercebido inclusive, a careta que Zayden fazia num canto afastado da sala.

- Tudo bem!

Soprei indiferente voltando minha atenção para o restante da equipe que me olhava com horror, não era só eu que achava um erro Darius ter o mínimo de poder em um campo real. Se Félix parasse de achar que o mundo estava sempre em conspirações contra ele, ele também veria o óbvio. Ele abriu a boca, pronto para dizer mais alguma coisa, talvez comemorar, retrucar ou dizer algo arrogante. Ergui a mão impedindo, eu ainda não havia terminado.

- A sua conta e risco.

Joguei as palavras na sala como um afago, levantei da cadeira e caminhei até esta próxima de Belantrix e inclinei meu corpo para traz, as mãos nos ombros dela que travou ao sentir meu toque, meus olhos ainda em Félix quando continuei dando a ele a explicação que ele obviamente queria.

- Não serei babá do seu filho, Félix. Aqui, ninguém se preocupará em ficar fazendo a contenção de erro dele. Se você que é o pai diz que ele está pronto para ir comigo, me obedecer e seguir na linha, ele irá. Não me importo! Mas que fique claro, para todos e principalmente para você que eu não irei colocar a vida da equipe em risco para trazer o Darius de volta para você.

Não havia suavidade em meu tom.

- Você está dizendo que ele é capaz de ir e voltar vivo, melhor. Você está dizendo que ele está pronto para ir e não tentar matar um dos meus companheiros, não é? Pois bem! Mande ele se preparar, mas saiba que se ele agir como ele sempre age e fazer merda. Eu não excitarei em deixar o corpo dele para trás. E você não terá o maldito direito de dizer que a culpa foi minha ou de qualquer um de nós. Pois, foi você mesmo depois de ouvir da minha boca que o seu filho não sabe seguir ordens, que o mandou ir.

Aço puro dançou para fora dos meus lábios, frieza bruta e impessoal cercou o ambiente. Respirei fundo deixando que ele entendesse, raciocinasse o que eu tinha acabado de falar, coloquei os fios teimosos dos meus cabelos que caiam em minha testa para trás da minha orelha e voltei minha atenção para Belantrix.

- Trix, eu preciso que você encontre mais informações, principalmente desse homem chamando Reed.

Apontei para a foto do cara que estava sendo apontado como o cabeça do esquema de prostituição e canibalismo infantil, tinha algo errado ali.

- Entre na vida dele, na cabeça dele. Eu quero saber até qual o lado da cama que ele mais gosta de dormir e quantas vezes ele se move na cama durante a noite. Investigue os sócios, os familiares, os amigos, os conhecidos. Até mesmo quem dá a ele um maldito bom dia, entendeu?

Ela assente várias vezes com a cabeça e ajeita os óculos de forma desajeitada no rosto. Me afasto dela deixando que ela respire da minha abrupta invasão em seu espaço pessoal.

- Zayden e Ezra, de vocês eu quero um plano de segurança, estudem as rotas, os horários, os planos. Quantos são, eu quero todo o protocolo feito pela equipe de segurança do Reed e do grupo mais próximo dele e como podemos driblar essa segurança. Façam um dossiê e me entreguem os mais rápido possível, ok?

Ambos confirmaram já dando início ao que eu pedi. Olhei para Perla que era a que menos gostava de mim ali, mas ainda me tratava com profissionalismo.

- Perla...

Ao ouvir minha voz sua postura mudou, ficou na defensiva, ereta, quase como um robô.

- Encontre uma forma de entrar na vida deles, a parte mais fraca.

Não esperei confirmação e voltei para minha cadeira, abri minha garrafa de água e dei longos goles. Concentrei minha atenção nos nomes das pessoas envolvidas naquele esquema, celebridades, políticos. Era de embrulhar o estômago.

Puxei meu notebook e comecei a cavar, para aquilo existir deveria ter um lugar seguro o suficiente para que eles fizessem com privacidade, com a segurança de não serem pegos, vasculhei a vida bancária dos nomes nas páginas, as propriedades de cada um deles, horas depois eu estava com seis possíveis lugares para as festinhas e a localização de oito cemitérios clandestinos onde provavelmente estariam os restos mortais dessas crianças.

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