10- Juízo final

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Lauren

Eu sentia o vento frio da noite me arrepiar, e, enquanto me balançava lentamente no meu balanço de madeira, o sussurro do vento parecia carregar com ele minhas inquietações. A lua cheia, alta e solene no céu, lançava uma luz prateada sobre a paisagem, acentuando a sensação de desolação e dúvida que me consumia.

Será que não somos merecedoras da felicidade? Talvez o juízo final já tivesse ocorrido e, nós que permanecemos, estamos condenados a viver uma espécie de inferno terreno.

Essa ideia me consumia por completo. Eu não sou uma pessoa ruim; sempre segui as leis e nunca tentei prejudicar ninguém. No entanto, confesso que isso também não faz de mim uma pessoa boa. A verdade é que minha vida tem sido uma série de decisões que, embora corretas, nunca realmente refletiram quem eu sou ou o que eu desejava profundamente. Eu segui um caminho estabelecido, buscando ser uma boa cantora, almejando fama e reconhecimento, mas muitas vezes sem tomar as decisões que eu realmente queria ter tomado. E se eu tivesse? Onde eu estaria agora? Seria a minha vida diferente, ou teria sido apenas um meio para um fim inevitável?

Enquanto mergulhava nessas questões, um toque suave no meu ombro interrompeu meus pensamentos.

— Você não deveria ficar aqui fora sozinha, não depois do que aconteceu. Ainda não sabemos se há outros zumbis por aqui — ouço a voz de Camila, suave, mas com um tom de repreensão que não deixava dúvidas sobre sua preocupação.

— Eu gosto daqui — respondo sem me virar. Camila, com um gesto delicado, vira o balanço para que possa olhar diretamente nos meus olhos.

— Eu sei, mas pode ser perigoso ficar sozinha — ela diz, fazendo um breve carinho em minha bochecha. O gesto me faz suspirar e me rendo à sua preocupação.

Entramos em casa e a atmosfera é pesada. As meninas estão na sala, com expressões apreensivas. Ally ainda não havia acordado, e a incerteza sobre seu estado de saúde nos deixa em um limbo angustiante.

— O que faremos quando ela acordar? — Dinah pergunta, com um olhar preocupado.

— Vamos mantê-la em quarentena até termos certeza de que ela não foi infectada — Camila responde com firmeza.

— Isso é mesmo necessário? — Normani questiona, a dúvida era evidente em sua voz.

— Eu concordo com Camila. É para nossa segurança, e de qualquer forma, Ally precisará de repouso para se recuperar — Manu intervém, e eu aceno em concordância.

— É o certo a se fazer por enquanto. O melhor agora é irmos dormir e amanhã pensamos em mais coisas que podemos fazer para ajudá-la — digo, tentando trazer um pouco de calma ao grupo.

Após alguns minutos de conversa, cada uma vai para seu quarto. Antes de ir para o meu, passei no quarto de Ally e tranquei a porta com um sentimento de inquietude, era pela nossa segurança.

Tomei um rápido banho, para economizar água, o que agora era uma preocupação constante. A água quente me envolvia e aliviava a tensão do dia. Assim que saí do banheiro, secando o excesso de água dos meus cabelos com uma toalha, ouvi batidas suaves na porta.

— Entre — eu disse, minha voz ecoando pelo quarto. Camila entrou, vestindo um pijama fofo com estampas de estrelas, que parecia muito confortável.

— Posso dormir aqui? — ela pediu, fazendo um leve biquinho nos lábios que combinava perfeitamente com seu olhar esperançoso. Eu sorri, achando a cena adorável.

— Sua cama está com formiga? — perguntei, brincando com a situação. Camila assentiu com um gesto exagerado e dramático.

— Sim, por isso ficarei aqui por tempo indeterminado — ela respondeu com um sorriso travesso, enquanto trancava a porta atrás de si. Em seguida, ela se deitou na minha cama, que estava desarrumada e parecia ainda mais espaçosa com a presença dela.

Renascer - camren Onde histórias criam vida. Descubra agora