26- Zumbi

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Lauren

A princípio, nossa prioridade era simples e clara: garantir a sobrevivência. As primeiras semanas foram dedicadas à construção de casas e abrigos, estruturas que nos protegeriam do ambiente hostil e das ameaças externas. O trabalho nas plantações também não podia esperar; precisávamos de comida, e cultivar a terra se tornou uma tarefa fundamental. À medida que nossas necessidades básicas foram atendidas, aos poucos começamos a pensar além do imediatismo. Começamos a sonhar com algo maior, algo que nos preparasse para o futuro.

Agora, com a sociedade mais estável e as construções essenciais concluídas, finalmente pudemos nos dedicar a projetos mais ambiciosos. Nossa cidade deixou de ser apenas um local de sobrevivência e começou a se transformar em um centro de inovação. Um dos primeiros passos foi a criação de laboratórios, espaços dedicados ao estudo da ciência e tecnologia. Sabíamos que para realmente florescer, precisávamos investir no desenvolvimento intelectual e científico.

Cada novo prédio que surgia carregava em si a esperança de um futuro mais avançado, mais inteligente. O laboratório principal, um edifício de vidro e aço rodeado por jardins, é o coração da nossa busca por conhecimento. É lá que os cientistas e médicos se reúnem todos os dias, trocando ideias, estudando o mundo que sobrou e desenvolvendo soluções para os desafios que ainda enfrentamos.

Apesar de nosso foco em ciência e tecnologia, não esquecemos daquilo que nos sustenta. Continuamos a cuidar da natureza com o respeito que ela merece. As florestas ao redor da cidade são monitoradas de perto, e os animais que vivem nelas são protegidos. Temos reservas que servem de refúgio para espécies ameaçadas, e plantamos árvores com a mesma dedicação com que cuidamos das plantações.

Nossa preocupação com a saúde e o bem-estar é central. O bem-estar emocional também não é negligenciado. Sabemos que o peso da perda e da luta pela sobrevivência pode ser esmagador, então criamos espaços de convivência e atividades que promovam o descanso e a recuperação mental.

Estamos crescendo rapidamente, mas não em números — nossa população permanece pequena. Crescemos em infraestrutura, em conhecimento, em capacidade. Cada novo edifício, cada nova ideia implementada, é um passo à frente para nos tornarmos mais do que apenas sobreviventes. Estamos evoluindo, construindo uma sociedade que respeita o equilíbrio entre a tecnologia e o meio ambiente, entre o progresso e a preservação.

Hoje, Manu havia nos chamado para almoçar na casa dela. Quando chegamos, encontramos Dinah, Normani e Denis já à mesa. O ambiente estava leve, com uma mistura de aromas deliciosos que preenchia o ar. A luz do sol entrava pelas janelas, criando um cenário aconchegante, e o som distante do vento nas árvores trazia uma sensação de paz rara.

Nós sorrimos e cumprimentamos todos com alegria. Fazia tanto tempo que não nos reuníamos assim, todos juntos. Era como se o tempo tivesse parado por um momento, permitindo que nos reconectássemos, esquecendo temporariamente das preocupações cotidianas.

A mesa estava posta com fartura, coberta de pratos coloridos. Manu havia se esmerado na preparação: havia uma salada de folhas frescas que Normani ajudou a cultivar, carnes assadas com ervas, legumes grelhados e um pão caseiro ainda quente. O cheiro era irresistível.

Comemos em meio a risadas e histórias antigas, relembrando momentos de luta e superação. A nostalgia era palpável, mas ao mesmo tempo, havia uma alegria presente, uma gratidão por estarmos ali juntos. Inaiê, a pequena e animada, tentava brincar com William, que apenas sorria, balbuciando sons indecifráveis que derretiam nossos corações.

Era um daqueles momentos simples, porém profundos, em que o calor da companhia fazia o mundo lá fora parecer distante. As risadas e os olhares cúmplices mostravam que, apesar de tudo o que enfrentamos, ainda éramos uma família unida por laços inquebráveis.

Renascer - camren Onde histórias criam vida. Descubra agora