Acordei no domingo ao som de batidas fortes e impacientes na porta. Olhei em volta, percebendo que minha mãe já tinha saído para o trabalho. As batidas continuaram, cada vez mais insistentes. Suspirei, já imaginando quem poderia ser.
Quando abri a porta, Johnny Lawrence estava lá, e seu rosto mostrava uma mistura de fúria e confusão. Ele não esperou nem um segundo para começar a falar.
— O que diabos você tá fazendo, Mia?! — Sua voz era cortante, e antes que eu pudesse responder, ele empurrou a porta, entrando de uma vez no meu apartamento.
— Johnny, o que você tá... — tentei argumentar, mas ele já estava no meio da sala, com o olhar fulminante.
— Por que você saiu do Cobra Kai?! — Ele berrou, batendo a mão no sofá como se estivesse segurando toda a raiva do mundo. — Você acha que pode simplesmente desistir? Depois de tudo o que o Kreese fez por você? Depois de todo o tempo e esforço que ele colocou em você?!
Eu respirei fundo, tentando manter a calma, mesmo com o meu coração acelerado. Sabia que Johnny reagiria mal, mas não imaginava que seria tão intenso.
— Johnny, eu saí porque não posso continuar lá. Não posso seguir o Kreese, os métodos dele... isso tá errado pra mim — expliquei, tentando soar firme, mas ele apenas deu uma risada amarga.
— Errado pra você? — Ele zombou, se aproximando mais. — Isso aqui não é sobre o que você acha certo ou errado, Mia! Isso é sobre lealdade! Você devia saber o que isso significa! Kreese te treinou, te fez forte. E agora você vai virar as costas pra ele? Pra mim? — Ele esbravejou, a raiva crescendo a cada palavra.
Dei um passo para trás, sentindo a pressão de sua presença. Johnny era imprevisível quando estava assim. — Não é assim, Johnny! Eu não estou virando as costas pra você. Só... eu preciso fazer o que é certo pra mim. Não posso mais continuar no Cobra Kai do jeito que as coisas estão indo.
Ele bufou, balançando a cabeça, os punhos fechados. — Certo pra você? — Ele se aproximou ainda mais, me forçando a recuar. — E agora você vai fazer o quê? Vai correr pro LaRusso? Vai treinar com ele? Você acha que ele vai te fazer mais forte? Você acha que ele vai te proteger? — Ele cuspiu as palavras com desprezo.
— Não estou correndo para o Daniel! — respondi, tentando manter o controle, mas minha voz já estava falhando com o nervosismo. — Eu tô fazendo isso por mim, Johnny. Por mim e pela minha mãe. Não posso mais ficar lá. O Cobra Kai não é o que eu preciso agora.
Johnny me olhou com raiva pura. — Isso é o que você quer? Abandonar tudo? Trair todo mundo? Porque é isso que você tá fazendo, Mia. Você tá traindo o dojo, traindo o Kreese, traindo a mim!
Meu estômago deu um nó com aquelas palavras. Eu sabia que Johnny ia levar para o lado pessoal, mas ouvir aquilo... doía. Ele estava machucado, e a raiva dele só aumentava.
— Johnny, calma. Eu nunca trairia você! — respondi, tentando manter a voz firme, mas sem aumentar o tom. — A nossa amizade não vai mudar por causa disso. O que eu tô fazendo não tem nada a ver com você, nem com o que a gente passou junto. Eu só... só não posso mais seguir o caminho do Kreese. Mas isso não significa que eu vou te abandonar.
Ele me olhou por um momento, os olhos ainda brilhando de raiva, mas também havia algo mais ali. Algo que eu não conseguia identificar de imediato.
— Não adianta, Mia. Você nunca entendeu. — Ele balançou a cabeça, parecendo frustrado, mas sua voz abaixou, o tom ficando mais sombrio. — Você acha que isso aqui é só amizade? Que você pode sair e continuar como se nada tivesse mudado?
Fiquei em silêncio, tentando processar o que ele estava dizendo. — Johnny, claro que eu entendo. Você é meu amigo, sempre foi. Isso nunca vai mudar.
Ele riu, mas não havia humor ali. Era uma risada amarga, quase dolorosa. Ele passou a mão pelos cabelos, claramente lutando para encontrar as palavras certas.
— Não, Mia, você não entende. — Ele deu um passo à frente, os olhos cravados nos meus, e sua voz soou mais baixa, mas cheia de algo que eu nunca tinha visto nele. — Eu não tô falando só de amizade. Nunca estive falando só disso.
Meu coração disparou, e as palavras dele começaram a se formar na minha mente de uma maneira que eu não queria acreditar. Ele continuou antes que eu pudesse reagir.
— Você acha que eu me importo com todas essas coisas só porque somos amigos? Que eu te defendo, te ajudo, porque é só isso? — Ele balançou a cabeça, mais irritado. — Não, Mia. Eu sempre gostei de você de um jeito que você nunca quis ver.
A revelação me atingiu como um soco no estômago. Johnny... sempre teve sentimentos por mim? Meus olhos se arregalaram, e eu fiquei sem palavras, incapaz de responder por um longo momento.
Ele continuou, agora mais quieto, quase como se estivesse admitindo algo que nem queria dizer. — E você agora vai jogar tudo isso fora por causa do LaRusso? Porque é isso que parece, Mia. Parece que você tá escolhendo ele, e não a mim.
Eu tentei falar, mas a garganta estava seca. Não sabia o que dizer. Como responder a algo assim? Johnny, com seus sentimentos, suas frustrações, sua raiva... e eu ali, sem ter imaginado que ele guardava isso todo esse tempo.
— Johnny... — sussurrei, mas as palavras não saíam.
Johnny respirou fundo, a raiva aos poucos dando lugar a um olhar de desilusão. Ele olhou em volta do apartamento, como se estivesse se certificando de que tudo estava ali, mas em vez de encontrar conforto, parecia mais perdido.
— Acho que chega por hoje — ele disse, a voz firme, mas com um tom de frustração que não conseguia esconder. Ele começou a se afastar, indo em direção à porta.
Eu o segui com o olhar, o coração apertando. Não conseguia acreditar que as coisas tinham chegado a esse ponto. A tensão entre nós estava palpável, como se o ar tivesse se tornado denso e difícil de respirar.
— Johnny, espera! — chamei, mas ele não se virou.
— Não, Mia. — Ele parou na porta, a mão na maçaneta, mas não olhou para mim. — Preciso de um tempo. Você precisa pensar no que está fazendo.
E, com isso, ele abriu a porta e saiu do meu apartamento, deixando um silêncio ensurdecedor para trás. Senti uma onda de emoções se misturando: raiva, confusão, tristeza... Eu não sabia o que fazer com tudo aquilo.
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Oii gente, voltei! Se acalmem porque eu não lembro onde parei a história, então fiquem com esse rascunho!!! Amo vocês, obrigada pelo 1k de vizualizações 🧡
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Breaking the Cobra code - Karate Kid
Fanfiction☆ Em Reseda, Califórnia, Mia Collins é uma garota que sempre se sentiu deslocada. Membro do Cobra Kai, ela se acostumou com a agressividade e a pressão do grupo, mas algo parece faltar em sua vida. Quando Daniel LaRusso chega à cidade, Mia encontra...
