capítulo 22

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Ísis
🧸

Me inclinei na varanda da casa do Diogo. O dia estava se encerrando e, aqui na Barra, disparado, é o melhor lugar pra finalizar o dia.

A casa dele cheirava a maconha e caipirinha de morango. Diogo estava sentado em um canto, assistindo ao pôr do sol comigo.

— Eu te amo. -ele diz, e eu sorrio.-

— Eu te amo muito, amigo. Muito mesmo. -sento ao lado dele.- Você é essencial pra minha formação como pessoa.

— E você é essencial pra minha existência, pituquinha.

Deitei a cabeça no ombro dele e, a cada segundo, inalava mais o cheiro da maconha. Dei um gole generoso na bebida e tomei o cigarro da mão dele.

— Para com isso, Ísis.

— Hoje é a última vez, juro.

Aqui em Salvador.

— Já te falei que fumar essa porra não é legal.

— Ai, amigo, fica caladinho.

Dei dois tapinhas no braço dele e traguei o cigarro entre os dedos.

As tensões do meu corpo aliviaram e, finalmente, relaxei. Desde que cheguei em Salvador, minha mente não conseguia parar por um minuto sequer.

Era sempre imaginando como seria minha vida longe da minha família, dos meus amigos daqui, e a constante ida à casa do Diogo quando eu precisava de um refúgio.

Ele é tipo um irmão. Sempre esteve comigo nos meus piores momentos, sempre me apoiou, me deu forças, amor, carinho e fidelidade na nossa amizade.

Mesmo que não vivamos mais colados, ele ainda é minha alma fora do corpo.

Peguei o celular e abri os stories, começando a gravar algumas mídias.

— Gente, esse cara é minha alma fora do corpo. -viro a câmera pra ele, que sorri.- Se a gente fosse irmãos de verdade, não ia se parecer tanto assim.

— Pois é, cara. Mas baiano tudo se parece, e não é só aparência. Não tem pra onde correr, é o dendê que deixa assim. -ele diz.-

Postei os stories e terminei de fumar com ele, enquanto o céu já não tinha mais resquícios de sol.

— E aí, já organizou sua vida pra São Paulo? -concordei.-

Sequei o copo de caipirinha e me aconcheguei no braço dele, me confortando ali.

— Depois do Natal eu já tô por lá. -torço o lábio.- Não quero passar longe.

— Mas você já organizou as coisas lá? -concordei.- E com o Thiago?

— Pegou na ferida. -rio fraco.- A gente saiu no meu último dia em São Paulo. Conversamos, rimos… e eu tentei tentar quando voltasse daqui.

— Eu ainda torço por vocês. Ele é um moleque bom e gosta de você de verdade.

— Eu só fico receosa com essa parada de frustrar ele, sabe? -ele concorda com a cabeça.- Thiago é um menino doce, carinhoso e encantador. Ele me prende fácil na calmaria dele.

— Acho isso foda nele. O cara é super fofo. -concordo, risonha.-

— Por isso eu me apaixonei por ele. -suspiro.-

— Você ama ele?

— Não sei, amigo. Acho que, nesse momento, eu só gosto dele.

— Gosta tipo como?

Amor | VeighOnde histórias criam vida. Descubra agora