capítulo 29

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Ísis
🧸

—E aí, o que você acha? -pergunto, e o Diogo me olha-

—Eu acho ele um grande filho da puta. -diz puto, depois de responder a mesma pergunta pela terceira vez- Como ele não pensa nas coisas antes de fazer, Ísis? Cadê a responsabilidade pelos próprios atos?

—Não sei, de verdade. -digo, pegando a maconha da sua mão- É Wolf ou Kush?

—Fuma essa porra e fica na tua. -dou risada e logo trago- Mas, nesse momento, eu posso ser realista?

—Sempre, vida!

—Ísis, você precisa de um homem, não de um menino de memória fraca. Como o cara esquece que vai beijar a dançarina dele no palco? -devolvo o cigarro pra ele- Eu acho que o momento não é ele. Ele precisa amadurecer muito pra te ter. Apesar da idade parecida, você tá a anos-luz à frente dele. Eu tenho convívio com os dois e sei bem o que é isso.

—Eu tava pensando nisso hoje à noite. Acho que, por mais que a gente queira viver intensamente, não vai dar tão certo. -digo e bebo um pouco da minha latinha- Se fosse namorado, não iria doer tanto assim.

—Toma jeito, Ísis.

—Me deixa, hein, Diogo. -sigo com meu olhar de deboche- Quando foi a menina das orelhas coladas, eu tinha que te ouvir. Me poupa, viu.

—Nossa, mas você é bem filha da puta.

Arrumei minha postura na cama e olhei meu celular. Tinha uma semana que eu tava procrastinando essa conversa. Procurei pelo contato dele e, assim que encontrei, cliquei, vendo ele online.

Veigh

eu
oi

eu
tá podendo falar?

Veigh
oi, sim. Tô sim!

eu
queria falar pessoalmente, tá com tempo?

Veigh
Quer que eu vá aí?

eu
por favor

Veigh
Dez minutinhos.
(👍🏽)

—Vai ficar quietinho, né, Diogo?

—Quer que eu vá dar um rolê por aí?

—Precisa não, amigo! Só fica quietinho.

—Vou tirar um soninho, então.

Levantei, saindo do quarto com meu celular e a lata. Apaguei a luz antes de fechar a porta e fui colocar a lata no lixo da cozinha. Fui pra sala e fiquei sentadinha no sofá, esperando pelo Thiago. Vou competir com o Pinóquio se falar que não tava ansiosa e com medo da reação dele.

A campainha tocou e eu levantei pra atender a porta. Thiago estava lá. Dei espaço pra ele entrar, e ele me esperou. Caminhei até a varanda e a gente se encostou no parapeito. A vista de fim de tarde tava linda, porém não combinava nada com o momento que estávamos prestes a ter.

—Eu pensei muito, Thiago. De verdade. Eu tentei ver uma luz em nós dois nesse momento, mas não consigo. -tento não olhar pra ele- Por mais que os momentos bons prevaleçam, os ruins não podem ser anulados de qualquer jeito. Eu te admiro, gosto de você, te respeito, mas não dá pra gente seguir com algo que, nesse momento, não tem futuro.

Amor | VeighOnde histórias criam vida. Descubra agora