capítulo 47

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Ísis
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— Aperta o freio, Ísis.  -meu irmão fala-

— Mas tem que dar marcha.

— APERTA O FREIO. -diz mais alto e eu obedeço- Você tá querendo me matar? Avisa logo que eu já comunico a mainha, desgraça.

— Para com esse nome pesado, Miguel. -dou um tapa na boca dele- Tem paciência comigo, eu não sei dirigir carro.

— Por isso mesmo que você tem que me ouvir. Eu tô tentando te ajudar pra ser mais fácil na autoescola.

— Pode ir de novo?

— Você vai me ouvir? -concordo- Então vai, é a última vez.

Meu irmão estava tentando me ensinar a dirigir. Eu estava prestes a tirar minha carteira e queria uma ajuda de alguém mais experiente. Gustavo tinha me ensinado a pilotar moto, ali eu já tava craque. Thiago tentou me ensinar, mas ficou com medo de bater a G63 dele. Que tipo de amor é esse que não confia na parceira?

Meu irmão se arriscou a me ensinar em um carro manual. Ele tinha me entregado a moto dele e disse que só iria me ajudar no carro se eu estivesse realmente boa pilotando, e aqui está ele me ensinando. Mesmo com muita pressão, eu consegui fazer o básico e com o carro sem nenhum arranhão.

— Quer tentar estacionar de novo?

— Humrum. -mordo o lábio inferior-

— Duas mãos no volante, Ísis. -me alerta e eu obedeço- Na autoescola você perde ponto por não dirigir com as duas mãos.

— Viadagem, viu.

Consegui estacionar o carro e respirei aliviada vendo que tinha dado tudo certo. Meu irmão agradeceu mais por estar vivo e não ter sofrido nenhum arranhão.

— Você é bem ridículo, Miguel. -tiro o cinto de segurança, desligando o carro-

— Hoje eu renasci, filha. Foi uma prova dentro desse carro.

— Ha ha ha, muito engraçadinho. -forço um sorriso-

Saímos e eu travei o carro, entregando a chave ao Miguel. Entramos em casa e eu fui direto pra cozinha beber água, e meu irmão veio atrás de mim.

— Eu acho engraçado pensar que você vai casar. Tipo, eu te vi crescer comendo catarro.

— Ai, Miguel, que nojo.

— É a verdade. Metia o dedo no nariz e depois colocava na boca. Mainha virava na porra. -dou risada e voltamos pra sala, sentando no sofá- Tô feliz por vocês dois.

— Obrigada, viu. -deito a cabeça no ombro dele- Tem horas que eu acho que é mentira. Nunca me imaginei casando com um branco.

— Eu também não. -rimos- Primeiro branco que pega já deixa logo pra casar.

— Tá ligado, né.

— Humrum. -suspira e me encara- Eu vou casar minha irmã. Você sente o peso dessa frase? Até ontem você só tava focada em estudar, fazer dinheiro, procurar briga em torcida organizada e ser mochilinha dos 244.

Amor | VeighOnde histórias criam vida. Descubra agora