Capítulo 28

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Veigh
🎙️

—Você é otário? -Ilana pergunta- Olha as coisas que você me apronta, Thiago. A ideia foi acatada, mas não imaginaríamos que vocês iriam voltar logo após nossa conversa.

—Eu me passei, tá ligado? Eu não lembrava dessa fita até a música tocar, eu não fiz por querer.

—Sabe por que você não lembra? Porque a significância dela na sua vida deve ser assim, ó. -aponta para o chão- Baixa. Porque dava pra você não fazer aquilo.

—Eu me importo com ela, sim.

—Não parece. -diz e logo se cala- Olha, Thiago, eu não sei o que passa dentro da sua cabeça, mas de uma coisa eu sei: uma hora a Ísis vai se cansar de você, e eu vou estar aqui pra dizer que eu te avisei.

—Para de falar merda, Ilana.

—Falar merda? Você tá achando o quê, Veigh? Amor não é só falar palavras bonitas, se declarar e fazer sexo, não. Amor é responsabilidade afetiva, empatia, cuidado, zelo. -olha nos meus olhos- Coisas que você não está tendo com ela, ou seja, tome cuidado com suas ações.

Olhei pra ela, que me disse aquilo, e logo saiu do corredor. Fora do camarim, eu fiquei estático e sem saber o que fazer. Eu juro, do fundo do meu coração, que eu não fiz por mal. Eu só acabei esquecendo de comentar.

E me batia uma mistura de medo e desespero. Eu tenho medo de perder ela mais uma vez, agora por irresponsabilidade minha.

—Thiago. -ouço a voz da Karla- Olha, eu só fiz o meu trabalho, eu não queria estragar o relacionamento de vocês.

—Fica tranquila, Karla. Foi erro meu. -assumo-

Ela entendeu que eu não queria mais conversar e entrou novamente. Ajeitei minha postura e entrei no camarim outra vez. Meus olhos se prenderam nela, que conversava séria com o Gustavo.

Decidi não procurar por ela agora. Entendo e respeito seu momento de chateação. Fui pra perto das bebidas e peguei uma lata de energético. O pessoal começou a se organizar pra ir embora.

A madrugada foi foda. Como pode? O primeiro dia do ano e ser dessa forma? Eu não sei por que tudo é mais complicado e complexo quando o assunto é nós dois.

Ela não quis trocar uma palavra comigo. Toda vez que eu me aproximava, ela se afastava. Com aquela situação, eu já nem quis ficar no quarto. Os caras me chamaram pra ir à praia e aqui estávamos, em uma caminhada.

Tava todo mundo calado, mas aquele momento era essencial pra todo mundo. Geral pensava em coisas diferentes e lidava com seus próprios problemas.

—Bora sentar aqui, viado, tô cansado já. -Niink diz-

—Cansou já, vida? -Gabriel pergunta e senta na areia-

—O primeiro a sentar e ainda diz coisa. -Gustavo diz, sentando ao lado dele-

—Sentar? Lá ele, viado. -Gabriel diz e dá um tapa na cabeça do japa-

Sentei ao lado dos caras e, por mais que eles fizessem uma resenha, minha cabeça tava muito longe pra querer gastar naquele momento.

Amor | VeighOnde histórias criam vida. Descubra agora