Jenny
O tempo parecia se arrastar enquanto eu estava nos bastidores, aguardando o momento de subir ao palco. O som distante da multidão lá fora, que crescia em volume a cada segundo, era um lembrete constante de que não havia volta. A adrenalina corria pelas minhas veias, misturada com uma dose avassaladora de medo e ansiedade. Eu podia sentir meu coração martelando no peito, cada batida como um eco dos passos que eu sabia que teria que dar em breve. Estava nervosa, será que as pessoas ficariam decepcionadas por ser eu?
As luzes dos bastidores eram quentes e abafadas, tornando o ambiente quase sufocante. Meu corpo estava em alerta máximo, cada nervo e músculo tensos, como se fossem arames esticados ao máximo. Tentava controlar minha respiração, inspirando e expirando lentamente, mas a sensação de pânico ameaçava me engolir a cada instante. Cada minuto que passava me levava para mais perto do inevitável, e o peso dessa expectativa me esmagava.
Não tinha me preparado para este momento durante semanas, nem meses, como outros artistas, mas agora, com o evento iminente, tudo parecia instável. O que antes era uma ideia distante, uma possibilidade emocionante, agora era uma realidade que eu teria que enfrentar de frente. E a realidade era assustadora. Quando Blair me procurou aquele dia acabei revelando para ela minha identidade como cantora, ela e Giorgina tiveram uma grande discussão sobre como revelar a minha identidade. Por fim elas entraram em acordo e por mais que elas concordassem em dar esse apoio ao Nate fazendo com que ele me revelasse ao publico primeiro a ideia de encontrar com ele em uma salinha de entrevista me apavorava, foi ai que surgiu a ideia do show, o que acabou deixando as meninas ainda mais animadas, fiz uma parceria de looks com a Blair e ela vai lançar toda a linha de Rock depois do show, como se estivéssemos em perfeita sincronia. Já que o rock estaria em alta apos o evento de hoje, que eu não me sentia nem um pouco preparada para realizar.
Fui até o espelho pela décima vez, ajustando pequenos detalhes na roupa, no cabelo, em qualquer coisa que pudesse manter minhas mãos ocupadas e minha mente longe do terror crescente. O reflexo que me encarava parecia ser de outra pessoa, alguém confiante, poderosa. Mas eu sabia a verdade, por dentro, eu era uma mistura de emoções contraditórias, uma tempestade prestes a eclodir.
Os segundos que antecediam a abertura do show pareciam intermináveis. O ruído das pessoas lá fora se misturava com o som abafado das conversas ao meu redor, os sussurros de incentivo da equipe, os toques finais nos instrumentos. Cada som parecia se amplificar dentro de mim, como se eu estivesse experimentando tudo em um volume que só eu podia ouvir.
Fechei os olhos por um momento, tentando bloquear tudo. Eu precisava me centrar, encontrar aquele espaço dentro de mim onde a música morava, onde tudo fazia sentido. Mas mesmo isso parecia impossível, ofuscado pelo medo de falhar, pelo pavor de que eu não seria capaz de corresponder às expectativas.
Finalmente, as luzes dos bastidores diminuíram e uma mão pousou gentilmente em meu ombro. Era o sinal. Meu corpo respondeu antes da minha mente, movendo-se em direção ao palco enquanto a adrenalina subia a um novo patamar. Cada passo parecia pesar uma tonelada, mas ao mesmo tempo, havia uma leveza, um impulso invisível que me empurrava adiante.
Enquanto a escuridão do palco me envolvia, com apenas alguns segundos me separando do início do show, um pensamento final passou pela minha mente este era o momento pelo qual eu tinha esperado, o momento que poderia mudar tudo. Mas, em meio ao medo e à adrenalina, havia também uma faísca de excitação — porque, apesar de tudo, eu sabia que estava exatamente onde precisava estar.
E então, as luzes se acenderam, e a música começou.
As primeiras notas da guitarra ecoaram pelo estádio, ressoando como trovões que anunciavam a tempestade que estava por vir. A multidão explodiu em gritos e aplausos, o som ensurdecedor de milhares de vozes se unindo em um coro de antecipação e entusiasmo. Meu corpo reagiu instantaneamente, movendo-se para o centro do palco, onde eu sabia que tudo iria acontecer.
A luz dos refletores me envolveu, criando uma aura que parecia transformar a ansiedade em energia pura. O peso da expectativa ainda estava lá, mas agora ele se mesclava à eletricidade que percorria o ar, a sensação inebriante de que o mundo inteiro estava assistindo. Peguei o microfone e respirei fundo, deixando o som da banda me envolver, encontrar o ritmo que pulsava dentro de mim.
Quando minha voz finalmente emergiu, rasgando o ar com as primeiras palavras da canção, todo o medo e dúvida desapareceram. Era como se o palco fosse o único lugar onde eu realmente pertencia, onde todas as partes de mim — o medo, a dor, o desejo — se uniam em um só grito de vida. A música fluiu de mim, cada nota carregando pedaços de minha alma, cada letra uma confissão, um desabafo, um desejo reprimido.
As luzes piscavam e giravam ao meu redor, o calor dos refletores contrastando com a frieza do metal do microfone em minha mão. Eu me movia pelo palco como se estivesse possuída pela própria música, cada passo, cada gesto, um reflexo da energia que emanava da multidão. Era uma dança entre mim e eles, uma conexão que transcendia o tempo e o espaço, tornando-nos todos parte de algo maior.
Enquanto cantava, meu olhar vagou pela plateia, absorvendo a vastidão de rostos, todos unidos pela música. Mas então, algo mudou. Entre as luzes cegantes e o mar de pessoas, meus olhos se fixaram em uma figura que eu não esperava ver nem tão cedo. Meu coração quase parou, e a música que até então fluía com tanta naturalidade se transformou em algo mais pesado, mais denso.
Ali, na penumbra das baias laterais do palco, estava Nate. O mesmo Nate que eu tinha deixado para trás, o mesmo Nate que eu tentei esquecer. Meu coração disparou e, por um breve momento, o mundo ao meu redor pareceu desmoronar. A música continuava, mas agora era como se eu estivesse cantando só para ele, cada palavra carregando uma nova camada de significado.
Nate parecia tão surpreso quanto eu. Seus olhos estavam fixos em mim, e havia algo neles — um misto de choque, dor, e... amor? Meu peito apertou, e foi como se toda a dor dos últimos meses se concentrasse naquele momento, naquele olhar.
Mas eu não podia parar. A música não parava, e nem eu. Usei aquela onda de emoção como combustível, deixando cada palavra, cada nota, sair de mim com mais força, mais paixão. O resto do mundo desapareceu; havia apenas eu, a música, e Nate. Cada segundo se arrastava como uma eternidade enquanto eu cantava, o palco se transformando em um campo de batalha de emoções.
E, por fim, quando a última nota ecoou pelo estádio e as luzes começaram a diminuir, tudo o que restou foi aquele olhar, aquela conexão entre nós dois. A multidão rugiu em aprovação, mas eu só conseguia pensar nele, e em tudo o que aquele momento significava.
- Eae galera! – interagi com o pessoal, queria ouvir a voz deles. – Vocês estão gostando?
"SIMM" era satisfatório ver a alegria deles pelo simples fato de me ter ali, eu estava tão feliz. Nunca imaginei de fato ser tão amada como me sinto agora.
- Tenho uma inédita para vocês! – eles gritaram em resposta. – Estão filmando bem spectator!
Fiz o sinal Maloik e fui acompanhada por todos ali presente com muitos gritos e jogadas de cabelo, aquilo era magico.
Jenny died of suicide
With a candle burning in her eye
But on my tombstone when I go
Just put "Death by rock and roll"
Assim que a última nota do show se dissipou no ar, eu me retirei do palco com o coração batendo forte, ainda tentando processar o que acabara de acontecer. Cada passo em direção ao camarim parecia mais pesado, como se uma parte de mim soubesse o que estava por vir. Eu estava pronta para enfrentar o que quer que fosse, determinada a encarar Nate depois de tanto tempo. Estava pronta para a entrevista, mas também para as perguntas não ditas que pairavam entre nós.
O camarim estava iluminado de forma suave, as luzes amareladas refletindo nas paredes espelhadas. Eu respirei fundo, tentando acalmar o turbilhão de emoções que ainda agitava meu peito. Alguém da minha equipe já tinha deixado uma garrafa de água sobre a mesa, e eu a agarrei com mãos trêmulas, tomando um longo gole para tentar me recompor. Era agora ou nunca.
Foi então que Blair entrou, sua expressão séria, o que fez meu coração afundar um pouco mais. Ela se aproximou com cautela, como se estivesse prestes a entregar uma notícia que sabia que eu não queria ouvir.
- Jenny, eu... tenho que te contar uma coisa, - ela começou, hesitante.
- Ele foi embora, não é? – Eu perguntei antes que ela pudesse dizer qualquer outra coisa. Meu estômago deu um nó ao ver Blair acenar afirmativamente.
- Sinto muito. Ele saiu logo depois do show. Disse que não poderia ficar.
Senti uma onda de decepção e tristeza me invadir, mas forcei-me a permanecer firme. Eu deveria saber que não seria tão simples. Nate não era alguém que pudesse ser contido em um momento, muito menos depois de tudo o que havia acontecido entre nós.
- Está tudo bem, - eu menti, mais para mim mesma do que para Blair. - Vamos seguir em frente. Quem vai fazer a entrevista? - Blair deu um suspiro leve, vendo que eu não queria me aprofundar naquele assunto.
- Um dos jornalistas do Spectator já está esperando. Vamos fazer isso. – ela parecia compadecida da minha dor o que era bem estranho, mas bom.
Eu assenti, forçando um sorriso para tentar afastar a dor que pulsava no fundo do meu peito. No fundo, eu sabia que aquele encontro inesperado tinha levantado mais perguntas do que respostas, mas agora não era o momento de lidar com elas. Com um último olhar para o espelho, endireitei minha postura e saí do camarim, pronta para encarar as câmeras e as perguntas do jornalista, mas sabendo que o verdadeiro confronto, aquele que realmente importava, tinha escapado por entre meus dedos.
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Fresh Start ♡ little J
FanfictionCom o início do novo estágio Blair decide finalmente deixar Jenny em paz para voltar a manhattan. Afinal se ela expulsase cada garota que transou com C New York estaria vazia não é mesmo? O que será que a pequena Jenny vai fazer com a sua carta bra...
