Capítulo 4: Scary love
Liam respirou fundo ao entrar no apartamento de Lena, o ar carregado com um perfume doce e sutil que parecia envolvê-lo, despertando algo primitivo dentro dele. Seus olhos percorreram o ambiente, absorvendo cada detalhe: os móveis organizados, de um bom gosto refinado, que contrastava com a imagem que ele tinha dela. Lena, com seu cabelo desfeito pelo vento, a maquiagem borrada, exalava uma desordem que ele não conseguia conciliar com o espaço impecável ao seu redor. Ela era uma contradição. Isso o fascinava.
Ele tentou desviar a mente do pensamento invasivo que o assaltava—como seria o quarto dela? Como seria a cama onde ele gostaria de jogá-la, não para qualquer gesto afetuoso, mas algo mais intenso, que ele nem mesmo conseguia nomear? Sua respiração acelerou por um momento, antes que a voz de Lena o trouxesse de volta à realidade.
"Oi? Terra chamando Liam, câmbio?" Lena balançava a mão em frente ao rosto dele, com uma expressão cética.
Ele piscou, rapidamente tentando se recompor. "Desculpe... muitas cervejas." Era a única desculpa que conseguiu reunir. Ele sentia as duas versões de si mesmo lutando pelo controle. Uma parte dele queria dominá-la, tê-la só para si, enquanto a outra queria prolongar o momento, saboreando a antecipação de algo mais.
"Eu reparei..." Ela disse, cansada. "Agora pode ir."
A resposta dela foi como um balde de água fria. Liam observou o cansaço estampado no rosto de Lena, algo em sua expressão que o dizia para sair, mas aquilo o irritava de um jeito estranho. Ela o estava rejeitando antes mesmo de dar qualquer abertura? O impulso de protestar percorreu seu corpo, mas ele se segurou.
"Perdão." Sua voz agora mais fria, distante, mas a verdade é que ele estava ferido de forma irracional. "Vou indo."
Ele virou-se para sair, o som de seus sapatos ecoando pelo corredor enquanto caminhava em direção à porta. Ele não queria forçá-la, mas a rejeição o atingia de maneira inesperada. Não era apenas o ego ferido, era algo mais profundo, uma sensação que ele não conseguia identificar completamente. No caminho até o carro, Liam chutou uma lata que estava no chão com força, o som reverberando pela rua vazia. Ele estava furioso, não com ela, mas consigo mesmo. Por que se importava tanto?
Liam entrou em seu carro, mas o toque suave dos dedos de Lena em sua pele ainda pulsava como uma queimadura. Ele apertou o volante com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos, as unhas quase cravando no couro. Seus pensamentos estavam desordenados, um misto de frustração e desejo o corroendo por dentro. O silêncio tomou conta, e ele apoiou a cabeça no volante. A imagem de Lena continuava se repetindo em sua mente. O modo como ela o mandou embora, o rosto exausto, mas ainda bonito, como se não tivesse ideia do efeito que causava nele. Ele apertou o volante com força, sentindo a frustração crescer. Não era apenas uma atração física; era algo mais, algo que o consumia lentamente, sem que ele percebesse. Cada pensamento sobre ela o levava a um ponto sem retorno. Tinha que sair dalí.
Enquanto dirigia, Liam tentava se convencer de que estava exagerando, que tudo aquilo era apenas uma obsessão momentânea, algo que desapareceria com o tempo. Mas uma parte dele sabia que não era tão simples. Ele não conseguia afastar Lena de sua mente, e isso começava a perturbá-lo de um jeito sutil, quase imperceptível. Pensamentos sobre ela vinham de maneira involuntária: o que estaria fazendo agora? O que ela pensava dele? Como ele poderia voltar a vê-la sem parecer desesperado?
Enquanto o motor da Porsche rugia, sua mente voltou para o apartamento de Lena. A forma como ela o despachou tão rapidamente — ela estava brincando com ele, só podia. Ou talvez fosse cautela? Tão independente, tão... misteriosa. Aquilo o intrigava e o irritava na mesma medida. Mas Liam não podia simplesmente deixar para lá. A ideia de domá-la, de fazê-la ceder, tomava conta de seu ser. Ele não estava apaixonado. Não era isso. Era algo muito mais sombrio, uma necessidade de controle que ele mal reconhecia.
Ao longo das ruas mal iluminadas, os faróis cortavam a escuridão enquanto ele dirigia sem rumo. Por dentro, um conflito ardia: uma parte sua sabia que deveria se afastar. Não havia razão lógica para se envolver tanto. Mas outra parte, mais profunda e perturbadora, estava cada vez mais fascinada por Lena. Ela não era como as outras. Não se curvava facilmente, e ele sentia que precisava quebrar aquela resistência.
Ele a imaginou no apartamento agora, provavelmente removendo os saltos, soltando o cabelo, talvez até se jogando em sua cama sofisticada, que ele mal teve a chance de ver. A cama onde ele queria estar, onde ele a queria.
"Droga," murmurou, acelerando mais. O ar da noite parecia sufocante.
A verdade era que Lena o desconcertava. Ela o fazia questionar a imagem fria e controlada que sempre mantivera. E, de alguma forma, isso o enfurecia. Ele pensou em todas as outras mulheres que haviam passado por sua vida: fáceis, previsíveis, nenhuma com a força de Lena. Ela o desafiava, mas ele sabia que, no fundo, aquilo o atraía.
Estacionou em uma rua qualquer e ficou ali, sentado, com a mente turva. A fumaça de um cigarro próximo preencheu o ar, trazendo lembranças da discussão entre Lena e o homem mais cedo naquela noite. A forma como ele havia intervindo... não havia sido apenas para protegê-la, tinha sido por algo mais. Ele precisava sentir que tinha controle, precisava ser o herói, mas não por altruísmo. O desejo de possessão começava a se enraizar.
O toque no rosto de Lena após a agressão voltou à sua mente. Aquela breve conexão, os olhos dela arregalados, surpresa e medo misturados. Ele queria mais. Queria vê-la assim de novo — assustada, mas ao mesmo tempo dependente dele. Isso o assustava, mas o atraía.
Sem perceber, Liam estava se afundando cada vez mais em uma obsessão crescente, um desejo de controlá-la, de tê-la por completo, sem compartilhar com ninguém. Não era amor—não sabia o que era, mas estava disposto a descobrir.
Nos dias que se seguiram, a obsessão de Liam por Lena cresceu de forma insidiosa. Ele não aparecia na loja, nem tentava procurá-la abertamente. Em vez disso, começou a circular pelos arredores, observando de longe. Seus pensamentos, antes fragmentados, começaram a se organizar em uma ideia fixa: ele precisava conhecê-la mais profundamente, saber onde ela ia, com quem falava, o que a fazia sorrir. Mas fazia isso à distância, sem que ela percebesse, como um predador aguardando o momento certo.
Cada vez que a via de longe, algo em seu peito apertava, um sentimento agridoce que ele não conseguia explicar. E quando ela não estava por perto, sua mente fervilhava com fantasias do que poderia ser — do que ele poderia fazer para conquistá-la.
Lena, por sua vez, seguia sua rotina, alheia ao crescente interesse de Liam. Mas, pouco a pouco, começava a notar pequenos detalhes. A sensação de estar sendo observada em momentos estranhos, o som de passos que pareciam ecoar um pouco mais longe nas ruas silenciosas. Talvez fosse paranoia. Afinal, depois do que aconteceu naquela noite, era natural que estivesse mais alerta. Porém, uma parte dela se perguntava se realmente havia escapado do pior naquela noite.
Enquanto Liam assistia de longe, o desejo o corroía lentamente, e ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, não conseguiria mais se controlar.
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YOU ARE MINE, LENA - Nicholas Alexander Chavez
FanfictionLiam está preso em uma rotina sombria até que um olhar muda tudo. Desde o dia em que avistou Lena em uma loja de roupas, ele se tornou seu observador silencioso, fascinado por sua beleza rebelde e pela dor oculta por trás de seu sorriso. Enquanto Le...