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Capítulo 23: O início de um sonho...

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A viagem começara de forma inesperada. Lena ainda se lembrava do momento exato em que Mark, com um sorriso gentil e olhos que transmitiam uma segurança quase impossível de ignorar, a convidara para um tempo fora da cidade. Era uma proposta tentadora: escapar do caos que tomava conta de sua vida, dos problemas financeiros que insistiam em sussurrar nas suas horas de insônia, e, acima de tudo, fugir da confusão emocional que Liam deixara em seu rastro. Havia uma relutância natural em aceitar, uma voz sutil que a fazia hesitar, mas o cansaço e a necessidade de ar fresco a venceram.

A jornada de carro para o litoral fora repleta de momentos de riso espontâneo e músicas compartilhadas que ecoavam por estradas desertas. Mark sabia como fazer Lena relaxar, puxando conversas leves que afastavam qualquer sombra de preocupação. E quando chegaram ao hotel luxuoso, com sua fachada imponente e vista para o mar cintilante, Lena se permitiu acreditar que talvez, apenas talvez, pudesse existir um espaço onde ela pudesse respirar livremente.

Os dias que se seguiram foram um borrão de experiências novas. Mark a levava para explorar as ruelas charmosas de uma pequena vila próxima, onde designers locais exibiam suas criações em lojas acolhedoras. Ele a apresentou a amigos influentes, pessoas que poderiam impulsionar sua carreira como estilista de formas que ela nunca imaginara. As conversas fluíam fáceis, regadas a cafés aromáticos e promessas de colaborações futuras. Lena sorria, sentia-se vista, valorizada, como se estivesse redescobrindo pedaços de si mesma que haviam sido esquecidos.

Mark não fazia perguntas demais. Ele respeitava seus silências e sabia ler a sutileza dos seus gestos. Havia algo tranquilizador em como ele a olhava, sem pressão, sem exigir mais do que ela podia oferecer naquele momento.

Em uma noite em particular, Lena se pegou encarando o reflexo das luzes da cidade sobre a superfície do mar. O som distante das ondas batendo contra a areia criava uma melodia constante que acalmava seu coração inquieto. Mark surgiu ao seu lado, entregando uma taça de vinho tinto. "Pensando em algo importante?", ele perguntou com um sorriso discreto.

"Apenas... refletindo", respondeu Lena, deixando que seu sorriso se espalhasse suavemente. Havia um brilho nos olhos de Mark que a fazia se sentir segura, acolhida. Quando ele a puxou delicadamente para um beijo, Lena sentiu o gosto de uma nova possibilidade, um futuro que não incluía sombras e perseguições.

Acordar na manhã seguinte, aninhada nos lençóis de algodão macio e na presença de Mark, foi como despertar em um sonho. A luz filtrava-se pela varanda aberta, iluminando o quarto com tons dourados e suaves. Ela observou o rosto tranquilo de Mark enquanto ele dormia, e pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma paz sincera. Liam ainda pairava em algum lugar distante de seus pensamentos, mas a imagem dele parecia mais fraca, quase dissolvida.

"Bom dia", murmurou Mark ao abrir os olhos, sorrindo preguiçosamente para ela. Lena sorriu de volta, dessa vez sem receios, como se finalmente tivesse encontrado um refúgio em meio ao caos.

Na penúmbra do quarto do hotel, os primeiros raios do amanhecer insinuavam sua presença pelas frestas das cortinas, tocando suavemente a pele de Lena. Ela piscou os olhos lentamente, permitindo que a consciência retornasse devagar, embalando-se na ternura da noite anterior. O perfume amadeirado de Mark ainda pairava no ar, e o calor de seu corpo ao lado fazia um sorriso discreto se formar em seus lábios.

Cada noite ao lado dele era uma celebração de toques e sussurros. Eles se entrelaçavam com uma paixão que mesclava o desejo à cumplicidade. Lena sentia uma leveza, uma alegria que fazia tempo não experimentar. Mark a fazia rir com sua espontaneidade, a surpreendia com pequenos gestos de carinho e tinha uma forma singular de fazê-la sentir-se segura.

Os dias da viagem tinham sido um sonho compartilhado. Passearam pelas ruas de paralelepípedos, exploraram boutiques charmosas e jantaram em restaurantes cujas vistas deslumbrantes amplificavam os olhares trocados entre uma garfada e outra. Mark era o tipo de homem que sabia exatamente o que dizer para suavizar qualquer insegurança. Quando Lena confessara, entre risos e confissões, sobre os desafios financeiros e suas dúvidas com a carreira de estilista, ele a ouvira com uma atenção que ia além das palavras, como se cada uma fosse uma chave para decifrar suas esperanças e medos.

"Você é brilhante, Lena. Mais do que imagina", ele dissera uma noite, os dedos traçando linhas imaginárias em seu rosto antes de deslizarem para entrelaçar suas mãos. E depois daquelas palavras, quando os beijos se tornavam mais intensos e os corpos se rendiam à linguagem silenciosa da intimidade, ela se sentia tomada por um desejo avassalador de acreditar nele.

Eles transavam todas as noites, não apenas por prazer, mas pela necessidade de se redescobrirem um no outro, de se confortarem em um mundo onde tudo parecia incerto, exceto aquele momento. Mark fazia Lena sorrir de forma autêntica, sem reservas. O riso compartilhado, a cumplicidade nas piadas sussurradas após cada momento íntimo, a leveza das manhãs em que ela acordava aninhada em seu peito – tudo contribuía para um encantamento que tornava difícil imaginar a volta às rotinas cinzentas.

Mas como todo sonho, aquele também precisava despertar. O dia do retorno chegou com uma sombra de melancolia, fazendo o coração de Lena pesar mais do que esperava. Ela sabia que ao voltar, teria que tomar uma decisão sobre seu emprego no café. Com a ajuda de Mark e os contatos que fizera na viagem, a possibilidade de focar na loja e em sua paixão pela moda agora parecia mais real, mais próxima do que nunca.

"Você vai ficar bem", Mark murmurou, seus lábios roçando suavemente a bochecha de Lena antes de depositar um beijinho carinhoso, quase um selo de promessas silenciosas. Ele a confortava, mesmo sem precisar de palavras rebuscadas. Era como se compreendesse cada nuance de suas incertezas e a segurasse firme, para que ela não desmoronasse.

Lena sorriu, um sorriso que carregava gratidão e medo, mas também uma ponta de esperança. Afinal, ao lado de Mark, ela descobrira que a vida podia ser mais do que apenas sobre
dores passadas e sonhos adiados.

Lá vamos nós...
Voltar para tudo novamente...
Liam...

YOU ARE MINE, LENA - Nicholas Alexander ChavezOnde histórias criam vida. Descubra agora