Capítulo 9: Noite fria
Lena ainda tentava recuperar o fôlego quando Liam, sem pressa, ajeitou sua camisa com a mesma calma e frieza de sempre. Ele observava cada pequeno movimento dela, os olhos ainda brilhando com aquela arrogância que a fazia odiá-lo e, ao mesmo tempo, desejar mais. A proposta de levá-la para casa ainda ecoava na mente dela, uma parte se irritava profundamente com a ousadia dele, mas outra parte... uma parte que Lena tentava ignorar, considerava a ideia de estar ao lado dele por mais tempo.
Quando Liam pegou o casaco e jogou sobre o ombro, parecia que toda a sala ficava menor. Ele não estava apenas saindo da cafeteria; estava levando consigo o controle da situação. Lena, no entanto, não era o tipo de mulher que se dobrava tão fácil. Ela balançou a cabeça, tentando afastar o que restava daquele momento arrebatador, e se recompôs, colocando as mãos nos quadris e fingindo uma confiança que não sentia.
"Vai me ignorar agora, como se nada tivesse acontecido?" Ela cruzou os braços, sem desviar os olhos do homem que parecia dominar cada centímetro de espaço ao seu redor.
Liam parou na porta, as costas ainda voltadas para ela. Havia algo na maneira como ele respirava, lenta e controladamente, que a deixava inquieta. Ele se virou, os olhos escuros cravados nela, como se estivesse considerando sua próxima jogada. Um sorriso frio tocou seus lábios.
"Se você acha que isso foi tudo, Lena, você não me conhece nada." Sua voz era grave, e o tom fez um arrepio percorrer a espinha dela.
Lena apertou os dedos na borda do balcão, sentindo o contraste entre o frio do mármore e o calor que ainda queimava dentro dela. Havia algo naquele olhar que fazia a raiva e o desejo se misturarem, uma tensão que ela não conseguia escapar, mesmo que quisesse. E ela sabia, pela maneira como Liam a encarava, que ele estava ciente disso.
Ele deu alguns passos na direção dela, os sapatos ecoando no chão vazio da cafeteria. "Você pode se fingir de durona, pode até fingir que está no controle, mas nós dois sabemos..." Ele inclinou a cabeça ligeiramente, os olhos não deixando os dela. "...que não é bem assim."
O coração de Lena martelava em seu peito. Queria gritar, expulsá-lo, mas as palavras se perdiam em algum lugar entre a raiva e o desejo. Ela queria odiá-lo pelo que ele estava fazendo, pela forma como a manipulava, mas não conseguia negar a excitação que isso provocava.
"Você devia ir embora," ela sussurrou, quase inaudível.
Liam parou a centímetros dela, o calor de seus corpos preenchendo o espaço entre eles. Ele levantou a mão e, com um movimento lento, afastou uma mecha de cabelo do rosto de Lena. O toque dele era firme, possessivo. "Eu vou. Mas não se preocupe... nos veremos de novo."
Ele deu meia-volta e saiu, deixando Lena sozinha no silêncio pesado da cafeteria. Ela ficou parada ali por alguns minutos, os pensamentos girando. Algo dentro dela sabia que aquele não era o fim, mas apenas o começo de um jogo perigoso com Liam — um jogo do qual ela talvez não saísse ilesa.
Lena ficou ali, parada atrás do balcão, os dedos ainda cravados na superfície fria, enquanto a porta da cafeteria balançava lentamente, até se fechar por completo após a saída de Liam. Ela se sentia um misto de exaustão física e mental, como se tivesse corrido uma maratona emocional. Mas por mais que tentasse, não conseguia afastar a sensação de que aquele encontro fora mais do que uma simples provocação entre dois corpos atraídos um pelo outro. Era algo maior, algo que mexia com seu orgulho e desafiava sua liberdade.
Ela olhou para o relógio na parede. Passava da meia-noite. As luzes lá fora estavam mais fracas, e o barulho da rua havia desaparecido quase por completo. Lena sentiu o silêncio pressionando contra seus ouvidos, tornando cada respiração mais alta e pesada. Ela precisava ir para casa, precisava se afastar daquela cena.
Mas a imagem de Liam ainda estava presa em sua mente. A frieza em seus olhos, o tom possessivo em sua voz. Havia algo nele que fazia cada fibra de seu corpo ficar alerta. Ele não era como os outros homens que cruzaram seu caminho. Não se tratava apenas do poder que ele exercia, mas da maneira como ele conseguia despertar sensações que Lena preferia manter enterradas.
"Merda," ela murmurou para si mesma, empurrando o corpo para longe do balcão. Era como se a presença dele ainda estivesse ali, impregnada no ar ao redor dela, sufocante e impossível de ignorar.
Com passos rápidos, ela apagou as luzes da cafeteria e trancou a porta. Do lado de fora, a noite estava fresca, o vento batendo contra seu rosto e trazendo uma sensação temporária de alívio. Lena ajeitou a bolsa no ombro e começou a caminhar pela calçada deserta, seus saltos ecoando no silêncio. Estava cansada, mas cada pensamento voltava para aquele momento entre eles, para o jeito como o toque dele ainda fazia sua pele arder.
No meio do caminho para casa, ela parou e olhou para trás, uma parte de si quase esperando ver Liam parado à distância, observando-a da sombra de algum canto escuro. Mas ele não estava lá. Não desta vez.
O caminho parecia mais longo do que o habitual, e quando finalmente chegou à porta do seu apartamento, Lena já estava exausta de tanto pensar. Abriu a porta, jogou a bolsa em cima da mesa e foi direto para o chuveiro, tentando lavar não só o suor do corpo, mas também os resquícios do controle que Liam havia exercido sobre ela.
A água quente correu por sua pele, mas em vez de trazer alívio, trouxe lembranças. O toque dele, o jeito como ele havia segurado sua cintura, como ele sabia exatamente o que dizer para deixá-la no limite entre a raiva e o desejo. Ela odiava como ele a fazia se sentir vulnerável, como se estivesse em um jogo onde ele sempre tinha a vantagem.
Depois de se secar, vestiu uma camisola leve e deitou-se na cama, mas o sono não veio. A cabeça ainda girava, e a cada vez que fechava os olhos, a imagem de Liam voltava. O sorriso frio, as palavras calculadas, o jeito como ele havia saído como se soubesse que aquilo não acabava ali.
Lena rolou na cama, irritada consigo mesma por não conseguir desligar. Pegou o telefone sem fio olhou para as teclas com os números por um instante, os dedos hesitando sobre discar o número de Megan, uma amiga com quem poderia desabafar. Mas algo a impediu de fazer a ligação. Sabia que isso era algo que teria que resolver sozinha.Liam, por sua vez, dirigia pela cidade, as ruas vazias passando rapidamente pela janela. O silêncio no carro era perturbador, mas ele gostava disso. Gostava de ter o controle do ambiente, de seus pensamentos, e principalmente de saber que tinha deixado Lena exatamente onde queria.
Ele sorriu de canto, o rosto ainda marcado pela sombra do desejo contido. Havia algo nela que o intrigava de uma maneira diferente das outras mulheres com quem já estivera. Lena era resistente, mas vulnerável ao mesmo tempo, uma combinação que o deixava inquieto e, de certo modo, obcecado.
Quando estacionou o carro em frente ao seu prédio luxuoso, não saiu imediatamente. Ficou ali por um momento, os dedos batendo levemente no volante enquanto seu olhar se perdia na cidade silenciosa à sua frente. As memórias daquela noite ainda o mantinham em alerta. Ele sabia que havia jogado as cartas certas, mas o jogo estava longe de terminar.Lena acordou no dia seguinte, os raios de sol entrando pelas frestas da janela e batendo em seu rosto. Ela ainda se sentia exausta, como se tivesse passado a noite em claro, mas agora, com a luz do dia, as coisas pareciam um pouco mais claras. Precisava se recompor, se distanciar de tudo aquilo que havia acontecido.
Mas enquanto ela fazia o café e tentava começar o dia, seu gravador tocou em cima da mesa. Era uma mensagem em ligação, apertou o bip para ouvir. O coração dela acelerou ao ouvir a voz de Liam sair pelo aparelho.
"Nos veremos em breve."
Lena suspirou, a cabeça girando. Ela sabia que aquilo não havia acabado. Liam voltaria, e o jogo entre eles estava apenas começando.
"Pelo menos hoje é sábado"
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YOU ARE MINE, LENA - Nicholas Alexander Chavez
FanfictionLiam está preso em uma rotina sombria até que um olhar muda tudo. Desde o dia em que avistou Lena em uma loja de roupas, ele se tornou seu observador silencioso, fascinado por sua beleza rebelde e pela dor oculta por trás de seu sorriso. Enquanto Le...