Capítulo: Se passava no noticiárioA luz trêmula da manhã entrava pelas cortinas mal fechadas, mas o foco de Lena estava inteiramente na tela fosca de sua velha TV tubo. O programa matinal, com suas cores desbotadas e narrador monocórdico, tinha acabado de dar lugar a uma reportagem especial. Ela sequer havia notado quando o tom da música de fundo mudou, anunciando algo grave. Estava distraída com o café frio em mãos, os olhos fixos, mas vazios, no que passava na tela.
Foi o som de um nome, Pierce, que trouxe sua atenção de volta à realidade. Seu coração vacilou, como se fosse capaz de prever o impacto daquilo que viria.
"Na madrugada desta quarta-feira, uma tragédia abalou a comunidade local. Charles e Eleanor Pierce, conhecidos por sua presença no setor automotivo e em eventos da alta sociedade, foram encontrados mortos em circunstâncias que ainda estão sob investigação. O caso... envolveu sinais claros de violência..."
Lena largou a xícara com um baque surdo no chão de madeira, ignorando o café derramado que começava a se espalhar.
As imagens começaram a piscar na tela: o portão de ferro forjado que ela conhecia tão bem, o jardim impecavelmente aparado que outrora era seu lar, agora cercado por faixas amarelas. Policiais entravam e saíam, carregando pastas e máquinas fotográficas. Então, uma foto de seus pais em um evento, sorridentes e brilhantes.
Uma lágrima quente escorreu por seu rosto. Quando a câmera cortou para o corredor de mármore, onde uma sombra manchada denunciava a cena do crime, algo dentro dela se rompeu.
Ela caiu de joelhos, as mãos cobrindo os lábios trêmulos. O ar parecia pesado, e respirar tornou-se difícil.
Charles e Eleanor Pierce. Seus pais. Assassinados.
"Por quê?"
O silêncio da casa foi quebrado por um som estridente. O telefone na pequena mesa ao lado da poltrona tocava insistentemente. Lena, ainda em choque, tentou recuperar o controle. Enxugou as lágrimas com a manga da blusa e rastejou para alcançar o aparelho.
"Alô?" Sua voz soou fraca, hesitante.
"É a senhorita Pierce?" A voz do outro lado era seca, protocolar.
"Sim. Quem está falando?"
"Meu nome é detetive Harris, estou investigando o caso envolvendo seus pais. Precisamos que você compareça à delegacia para algumas perguntas. Há questões que exigem sua presença."
O chão pareceu se abrir sob Lena. Suas mãos suavam, e a cabeça girava. O homem continuava falando, mas as palavras soavam distantes, como se ele estivesse do outro lado de um túnel.
"Desculpe, detetive... eu..." Ela tentou dizer algo, mas a linha ficou muda. Ele havia desligado.
A imagem do portão de sua antiga casa não saía da cabeça de Lena enquanto ela se sentava no pequeno sofá. As memórias invadiram sua mente como um maremoto. O pai, rígido e distante. A mãe, com um sorriso que escondia mais do que mostrava, perdida entre taças de vinho e conversas vazias de festas. É claro, drogas.
Apesar das mágoas e da fuga, eram seus pais. Eles pertenciam a um mundo que ela odiava, mas que também moldara sua existência. A ideia de que não estavam mais lá, de que nunca mais ouviria a voz deles, era um golpe que ela não sabia como suportar.
O peso da notícia começou a sufocá-la, e ela fez a única coisa que sabia fazer: saiu. Precisava caminhar, respirar, encontrar alguma forma de processar aquilo.
As ruas estavam frias e agitadas, mas Lena não notava. Caminhava sem rumo, os pensamentos embaralhados. No meio do caos, sentiu um calafrio subir pela espinha. Um pressentimento, um aviso que ela não podia explicar.
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YOU ARE MINE, LENA - Nicholas Alexander Chavez
FanfictionLiam está preso em uma rotina sombria até que um olhar muda tudo. Desde o dia em que avistou Lena em uma loja de roupas, ele se tornou seu observador silencioso, fascinado por sua beleza rebelde e pela dor oculta por trás de seu sorriso. Enquanto Le...