| 25 | Sentimentos X Razão | 25 |

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Era o quinto lunge¹ bem-sucedido do seu oponente, o que parecia quase ridículo, não que ele fosse desprezar os esforços dos outros esgrimistas, mas ele não costumava ser pego no ataque mais simples possível.

— Suas posições — a voz do treinador, vulgo seu pai, já era um enorme sinal vermelho de que estava perdendo a paciência, aquele era o treinamento mais improdutivo de todos os tempos.

Dessa vez, o chinês colocou um pouco mais de esforço, seu oponente tentou mais um lunge, Ka-Yee usou um parry² para se defender do ataque, movendo sua lâmina para o lado, rapidamente emendando com um riposte³, empunhando a espada para frente em um contra-ataque, porém seu oponente apesar de levemente surpreso conseguiu aplicar um disengage⁴ — o que provocou um barulho estalado de desgosto do treinador —, o disengage foi bem sucedido, movendo a lâmina em círculo, finalmente conseguiu novamente atingir Ka–Yee com outro lunge.

— Já chega, Ka-Yee, você não está aqui, pra quê veio?

O rapaz retirou a máscara de esgrima, seu rosto estava suado por causa do calor e do esforço físico, embora seu treinador alegasse que ele não estava ali, Ka-Yee sentia que estava fazendo um esforço além do normal. Ele apenas cumprimentou o outro rapaz que parecia feliz pela primeira vez ter vencido a estrela do time o que era um feito e tanto, mas nesse caso não era motivo de tanto orgulho assim.

Jackson levou a espada para o armário onde ficavam guardadas e retirou as luvas em tempo de sentir um formigamento em seu braço. Ele puxou a manga da jaqueta e olhou a mensagem deixada para si em hanzi⁵.

"Podemos nos encontrar?"
"Acho que me dei tempo suficiente"

Francamente, Ka-Yee não tinha certeza disso.

Depois que ele saiu da casa de JinYoung, encontrou Mark ainda na calçada, o americano estava com a face vermelha, não dava pra saber se de raiva ou tristeza contida, talvez os dois. Jackson envolveu os braços na cintura dele, querendo confortá-lo; ele considerava que eles dois juntos poderiam lidar melhor com isso, compartilhar seus conflitos e o que pensavam a respeito, mas esse não pareceu ser o mesmo pensamento do americano.

Mark deu um passo para trás, ele não foi brusco ao afastar as mãos de Ka-Yee de si, ele só pareceu muito hesitante e mesmo vendo a confusão nos olhos do chinês, ele continuou:

— Me desculpe, minha cabeça está muito bagunçada agora, eu preciso de um tempo.

— De mim? — Ka-Yee franziu o cenho, cada vez mais confuso.

— De tudo, de todos. Desculpa.

Mark não queria realmente afastar Ka-Yee, ele gostaria muito que ambos pudessem se abraçar e falar abertamente como se sentiam, mas ele também se conhecia suficiente para saber o quanto ele era explosivo e que na primeira palavra ou gesto "errado" do outro, ele poderia explodir uma raiva que não era para ser destinada a ele. Mark, estava muito machucado, muito enfurecido e ele não queria que essa raiva respingasse em Ka-Yee que era tão inocente quanto ele.

Mas claro, Ka-Yee não podia ler seus pensamentos e enquanto Mark se afastava de si, ele se sentia ainda mais confuso e também inseguro.

— Não vamos mandar mensagem até nos sentirmos prontos, tudo bem? — Mark perguntou. Ka-Yee realmente sentiu uma pontada no peito, mas assentiu concordando

"Onde você quer que nos encontremos?"

"Você pode me receber na sua casa?"

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