| 16 | Sábado de Reforço | 16 |

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Mesmo que JinYoung tenha dito a si mesmo que não precisava se sentir nervoso, essas palavras eram totalmente inúteis. Seis anos atrás ele imaginou como seria uma residência norte-americana, que tipo de móveis teria, quais as cores das paredes, se as janelas teriam cortinas, se tinha uma sapateira ao lado da porta ou cabides para casacos. Ele pensou em muitas possibilidades já que nunca esteve na américa e só podia imaginar as diferenças.

Mas agora, sentado em uma almofada no chão da sala, em uma casa com toda a aparência de uma casa asiática tradicional, ele percebeu que deixou-se ser enganado por muitas histórias estrangeiras. Na verdade, a casa dos Tuan tinha mais tradicionalismo do que a dele. Porém, estava claro que muito da decoração era artesanal e baseada na cultura taiwanesa, o que JinYoung não conhecia muito, se ele fosse sincero.

Provavelmente, a coisa mais distinta na sala, era uma estatueta de madeira em formato de T que JinYoung absolutamente não entendia o significado, além disso, logo abaixo, em uma mesa de canto, havia dois porta-retratos, um com um garoto sozinho e outro com uma grande família e ao lado, um livro enorme aberto. A família era evidentemente de Mark, ele estava lá, a mãe, um homem com os cabelos levemente grisalhos, duas mulheres, e Kunpimook. No porta-retrato do garoto sozinho, JinYoung supôs que aquele deveria ser Joey, ele era um garotinho muito fofo e sorridente, pelo que ele podia dizer pela foto.

— Desculpe a demora, professor Park.

JinYoung desviou o olhar dos retratos e olhou para o lado, o rapaz lhe ofereceu um sorriso de desculpa, mas particularmente JinYoung nem prestou atenção naquele pedido.

— Tudo bem, não foi grande coisa.

— As crianças pelo menos já estão se divertindo.

Ali mesmo na sala, Kunpimook e YuGyeom brincavam com seus carrinhos, YuGyeom tinha mais brinquedos de madeira, o que era muito comum para as crianças coreanas, já o pequeno tailandês brincava com um carrinho colorido, mas de plástico.

— É verdade. Bem, a gente pode começar a estudar.

Mark assentiu e juntou-se a JinYoung sentando na almofada ao lado da dele, mas com distância suficiente para nenhum espaço pessoal ser invadido. Mark espalhou papel e caneta na mesa.

— O quanto você já conseguiu aprender do coreano?

— Para ser sincero, não aprendi quase nada, apenas algumas palavras e frases mais importantes e que ouvi as pessoas dizendo com frequência, mas não aprendi nada de gramática.

— E a usar nossos caracteres? O hangul é bem diferente do inglês.

— Não consigo ler absolutamente nada, não sei o que os traços significam.

— Então vamos começar por aí, você precisa pelo menos saber cada caractere e depois vai começar a entender como juntá-los para formar palavras.

— Parece que eu voltei a ser criança. — Mark suspirou.

— Como eu disse pra sua mãe, eu nunca ensinei adultos, essa é a única forma que eu sei ensinar...

— Não, não estou reclamando de você, é só que... — O americano fez uma pausa, ele olhava fixamente para a folha em branco, mas sua inquietude logo lhe fez começar a rabiscar o papel. — É mais difícil se adaptar a outro país do que eu poderia imaginar. Na minha turma, eu sou o único americano, há alguns chineses, japoneses e até filipinos, no geral, todos eles falam inglês, mas acabam andando uns com os outros e os coreanos mal olham para mim. Não tem sido tão fácil quanto Jackson tentou fazer parecer.

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