| 30 | Brotos de Feijão | 30 |

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O vagão estava lotado, o trem que saiu da Estação Central de Seul tinha muitas paradas, uma delas seria o destino de JinYoung e sua família, Jeonju. Eles estavam em um vagão da segunda classe, um pouco mais confortável que a classe comum e menos aconchegante que a primeira; no teto do vagão, o ventilador central estava desligado, ao invés disso, o aquecedor a carvão estava aceso para mantê-los aquecidos, o que também deixava o ambiente com um cheiro característico de carvão queimando.

As janelas estavam fechadas e lá fora nevava pacificamente, a vista era bonita apesar das árvores não serem frondosas, as montanhas estavam cobertas de brancura, os campos de arroz estavam vazios, então também não se via muitos agricultores pela janela, nem muitos animais de criação. Quando o trem passava por algum vilarejo e eles viam as casas, eram completamente diferentes das vistas em Seul, mais modestas e tradicionais, encantaram os olhos de YuGyeom que não poupou perguntas ao pai.

― Papai, estamos chegando? ― YuGyeom perguntou pela quinta vez, quando o trem começava a diminuir a velocidade por estar chegando em outra parada.

― Ainda não ― riu, da impaciência do filho, embora ele tivesse se divertido em seu primeiro passeio de trem, depois de três horas de viagem, começava a se sentir entediado. ― Brinque com seu carrinho, daqui algumas horas nós chegaremos, você nem vai perceber.

― Mas eu quero chegar logo, papai! ― murmurou, fazendo beicinho.

― Eu sei, também quero chegar logo, mas não tem jeito, temos que esperar, aqui, brinque um pouco. ― Incentivou, dando o brinquedo em suas mãozinhas.

YuGyeom o segurou, mas tendo em vista que ele não podia sair da cadeira e correr por aí, não era tão divertido.

― Eu queria ser como YoungJae ― JaeBeom murmurou, olhando para o irmão que por muito pouco não estava roncando ao seu lado. JinYoung riu. ― Ele está dormindo praticamente desde que sentou aqui.

― Ele é adolescente, eles fazem essas coisas mesmo... Aqui, toma. ― Ele procurou na bolsa uma caderneta de poesia que estava escrevendo ultimamente e estendeu para o amigo. ― Para ajudar a passar o tempo.

JaeBeom sorriu mansamente e aceitou, olhando para a capa da caderneta com páginas bege e nenhum aspecto emocionante além do nome na capa.

― Este é um hábito que você nunca abandonou, não é mesmo?

― Hm, eu realmente aprecio.

JaeBeom olhou melhor, o livro inteiramente artesanal, escrito à mão. JaeBeom sabia que até então ele era o único que já tinha lido qualquer coisa que JinYoung tenha escrito, bem como JinYoung foi o primeiro a ouvir suas músicas, a diferença é que JaeBeom seguiu em frente com o que amava e JinYoung continuou adiando alguns sonhos e planos.

― Sabe, eu andei pensando, quando você se formar, deveríamos estar prontos para usar o dinheiro que estamos guardando, e investir em uma editora...

JinYoung franziu o cenho, eles tinham conversado muitas vezes, ainda no orfanato, o que fariam quando saíssem e quando recebessem suas respectivas heranças. A herança de JinYoung era relativamente mais abastada, porque além de filho único, seus pais tinham mais aquisições monetárias, coisa que ele nem tinha noção na época. Fato é, eles conversaram sobre seus sonhos, JinYoung sobre querer ter uma editora de livros e JaeBeom sobre ser músico.

Conforme cresceu, JinYoung percebeu que existiam muitas dificuldades em seu sonho, primeiro, ele não sabia nem por onde começar, quanto era necessário investir e como era o processo de encontrar escritores e produzir um livro, além disso, foi somente mais tarde que ele descobriu sobre todas as restrições e regulamentações do governo em relação a literatura nacional e estrangeira, parecendo dificultar ainda mais seus planos. Mas, sobretudo, agora ele estava tão cheio de outras responsabilidades que pensar em iniciar um negócio parecia uma preocupação a mais que ele não conseguia lidar ainda.

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